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Concerto final do Festival de Ópera

Um
grande espetáculo ao ar livre encerra o XIII Festival de Ópera do Theatro da
Paz, hoje, às 20h, na Praça da República, em Belém, em palco montado em frente
ao teatro. O programa começa com o Prólogo da ópera “Mefistofele”, do italiano
Arrigo Boito, executado pela Orquestra Sinfônica do Theatro da Paz, regida pelo
maestro Miguel Campos Neto. A mezzo-soprano Aliane Sousa canta “Stride la vampa”, da ópera “O Trovador”;
o tenor Tiago Costa, “Scorrendo uniti in
remota via
”, de “Rigoletto”; e a também mezzo-soprano Ana Victoria Pitss, “Mon coeur s’ouvre a ta voix”, da ópera
“Sansão e Dalila”. As sopranos Dhulyan Contente e Elizabeth Mello, os tenores
Antonio Wilson Azevedo e Tiago Costa, o barítono Idaías Souto Jr. e o baixo
Sávio Sperandio interpretarão “Lucia di
Lammermoore: Chi mi frena in tal momento?
”, de Gaetano Donizetti; a mezzo-soprano
Gabriella Florenzano cantará a ária “Seguidille”,
da ópera “Carmen”, de Georges Bizet; o barítono Rodrigo Esteves cantará “Largo al factótum”, da ópera “O Barbeiro
de Sevilha”; Sávio Sperandio, “Oh, chi
piange?
”, de “Nabucco”; Antonio
Wilson Azevedo, “Ah! Mês amis quel jour
de fête!
”, da ópera “La Fille du
Régiment
”; Ione Carvalho cantará “Je
Veux Vivre
”, de “Romeu e Julieta”; a soprano Gabriella Rossi, “De España vengo”, da ópera “El Niño
Judio”; Tiago Costa, a soprano Juliane Lins, Ana Victoria Pitts e Idaías Souto
Jr. interpretarão “Bella figlia
dell’amore
”, de “Rigoletto”; e Sávio Sperandio o Epílogo de “Mefistofele”,
sem esquecer o Coro Lírico do Festival de Ópera do Theatro da Paz, regido pelo
maestro Vanildo Monteiro. O grand finale
eu não vou contar porque é surpresa que não vou estragar. Só posso adiantar que
será lindo e emocionante.
Este
ano foram três óperas, ballet, recitais, workshops e master classes, além do
concerto ao ar livre, na temporada que começou no dia 05 de agosto, com preços
populares e programação gratuita.
Cerca
de 500 pessoas, direta e indiretamente, estão trabalhando no festival, e mais
de 95% são paraenses. Desde o figurino é feito em Belém. Cenografia,
mão-de-obra de costureiras, ferreiros, funileiros, pintores, marceneiros, todos
os tecidos e os adereços foram comprados no comércio de Belém e os serviços
contratados de empresas locais, o que se reflete em muita movimentação indireta
na cidade, além do pessoal administrativo. O diretor geral do festival,
Gilberto Chaves, enfatiza que o Pará é um celeiro de talentos e destaca o crescimento
profissional dos cantores e músicos, a cada ano. “Estes jovens que você está vendo no palco hoje crescem também vendo os
espetáculos se aglutinando, é o princípio da vivência, da experiência, da
conquista deles fazendo acontecer, não é a teoria que proporciona isso. Eles
vêm do coro lírico, do corpo-a-corpo dos artistas Assistem aos ensaios, aprendem
com os solistas experientes. Fazemos master
classes, que funcionam como studio opera, este ano fizemos cinco master
classes, para canto, regência, cenografia, iluminação, figurino, e tudo aqui,
ao vivo, o pessoal da luz vendo como a luz se transformava, os regentes nas frisas
do teatro vendo o maestro trabalhar, o envolvimento de todos. Se esse festival
só existisse por existir, eu já ficaria feliz. A resposta do público, a
bilheteria se esgotando em 48h… Mas tudo isso não é o suficiente. O
importante é envolver e fazer as pessoas crescerem. O conhecimento não é para
se encerrar em si, é para ser repartido, é para se doar, para ser espargido, e
isso é o que estamos procurando fazer
.”
O
maestro Miguel Campos Neto comunga desse entusiasmo. Ele avalia que houve um “crescimento
exponencial” da Orquestra Sinfônica do Theatro da Paz, desde 2002. E dá seu
testemunho: “Se pegar desde 1996, que foi
o ano de fundação da orquestra, é irreconhecível. Sei porque eu estava lá. Fiz
parte da primeira formação, era violinista, saí para estudar regência e voltei
como maestro, é uma coisa cíclica para mim. Acho que para quem acompanha no dia
a dia é perceptível, mas quem para quem passa um tempo fora e ouve a orquestra
é patente. Prova disso é que, sempre que vinham críticos de fora, eles
elogiavam o festival mas diziam que o “senão” era sempre a orquestra, era o
calcanhar de Aquiles do festival. Agora não. A partir de “Tosca”, ou desde “Salomé”,
há três anos, surpreendemos o Brasil. Já veio o Navio Fantasma, de Wagner, O
Trovador, de Verdi, Mefistófele, Otello, a orquestra esteve à altura do
desafio, e não foi mais surpresa
.”
O
ingresso na OSTP é através de audição seletiva, rigorosíssima, como nas grandes
orquestras. Para se ter uma ideia, para centrar o naipe dos primeiros violinos é
preciso tocar pelo menos um “Capricho” de Paganini, que é sinônimo de
virtuosismo no violino. Houve uma época em que a orquestra saía atrás de
músicos; agora não, o jogo foi invertido, é uma disputa – saudável -, e com
isso o maestro Miguel Campos Neto está conseguindo aumentar cada vez mais o
nível da OSTP. Há sempre audições, porque os músicos sempre estão indo para
outras orquestras, ou para continuar seus estudos, e a média de idade é muito
jovem (só quatro têm mais de 40 anos, a maioria está entre 30 e 20 anos, média
etária na casa dos 20 anos), mas de talento extraordinário – chegou até a
entrar um músico com 16 anos – “que
trazem consigo uma certa irresponsabilidade da juventude, fazem com que a
orquestra toque com uma energia enorme e tome chances, e essa garra faz a
diferença
”, festeja o maestro.
A
OSTP vai ganhar mais oito músicos e recebeu reajuste salarial médio de 70%,
mesmo assim tem perdido integrantes para orquestras que pagam salários melhores.
Apesar de todo o prestígio que a ópera tem no Pará, de ser um produto de
primeira linha, não se consegue patrocínio, nem aprovar projeto na Lei Rouanet.
É impressionante como a Amazônia, o Pará é considerado território de segunda
classe, almoxarifado do Brasil.
Ano
a ano há um desenvolvimento do Coro Lírico do Festival de Ópera do Theatro da
Paz, que tem a ver com a formação vocal e musical, é um coro que não só canta
bem, mas atua bem, é muito bom em cena; afinal, a ópera está intimamente ligada
ao canto e ao teatro. Esse amadurecimento e cuidado com a formação completa dos
profissionais do coro, resultado do trabalho incansável do regente, maestro
Vanildo Monteiro, cujo rigor no controle da qualidade, aliado às oportunidades que
o coro tem de se aprimorar com outros maestros e cantores de fora, já revelou
muitos talentos. O coro está com 74 integrantes este ano. Normalmente, são 65,
e são feitas audições para preencher as vagas, de acordo com a demanda. A
maioria dos cantores estuda nos cursos da Escola de Música da UFPA, da UEPA, e
da Fundação Carlos Gomes, e outros já são profissionais e alguns até atuam como
professores de canto. O maestro Vanildo Monteiro entende que tem funcionado
muito bem, desde 2002, quando iniciou o festival, juntar o canto à atuação
teatral. “Temos a preocupação de
trabalhar a qualidade vocal, musical e também a parte cênica, formando solistas
que também são atores e agregam valor às montagens. Vários solistas de destaque
saíram do coro, como Atala Ayan, que já tem carreira internacional, Ione Carvalho, Elizabeth Mello,
Aliane Sousa, Amanda Rocha, Thaina Souza, Tiago Costa, Gabriella Florenzano. Eu me considero um privilegiado
por estar vivenciando tudo isso. Há poucos lugares no Brasil onde faz ópera. E
aqui o Dr. Gilberto Chaves coordena este festival que em nada fica a dever aos
melhores palcos do mundo.”
Fazer
ópera na Amazônia é difícil. Desde a alocação dos recursos necessários à equipe
técnica. Talvez em função da cultura de massa e também da falta de acesso do
grande público, há quem aponte o gênero, historicamente popular, como elitista.
Mas o mais difícil, na opinião do secretário de Estado de Cultura do Pará e
idealizador do Festival de Ópera, Paulo Chaves, é vencer o preconceito de que a
ópera é uma expressão da elite. “Sobretudo
pela falta de parâmetros, a arte e a cultura degeneraram muito por falta de
norte à medida em que os antropólogos, com o objetivo sagrado, eu acho, de
valorizarem as culturas ditas primitivas, igualaram aquilo que era feito por uma
tribo indígena ao que era feito por uma Europa centenária – e eu entendo
, porque no sentido antropológico está correto
-, mas sentido artístico há que ter parâmetros; afinal, nem tudo é arte, nem
tudo é cultura, então ficou uma vala comum, é um equívoco, faz com que muitos
ainda pensem que o gênero é elitista. A ópera tem origem popular. O Verdi era
popularíssimo na Europa. Era cantado e assoviado nas ruas, em cada novo título
que apresentava, era imediatamente abraçado pelo povo. O Pará é um dos Estados
mais musicais do Brasil, temos aqui um cadinho de influências que vêm, por
exemplo, do Caribe, da nossa longa colonização portuguesa, da influência
africana… qual é o Estado brasileiro que tem a quantidade de ritmos, de
danças, que tem o Pará? Nenhum, com exceção da Bahia. E na parte erudita temos
uma larga tradição, é o único do Brasil, tirando São Paulo, que tem compositor
de ópera, que tem uma transição modernista do erudito para o popular, como o
grande Waldemar Henrique. Então, eu acho que temos uma riqueza musical
extraordinária, agora cada coisa em seu lugar, não dá para estabelecer
comparação entre coisas que são diversas – sem criar hierarquia -, a hierarquia
é preconceituosa. Por exemplo, esta casa (o Theatro da Paz), foi construída
para ser de ópera. Naquela altura, na segunda metade do século XIX, o lugar que
não tivesse uma casa de ópera não era chamado civilizado. Havia essa
necessidade, que estivesse no mesmo diapasão do desenvolvimento econômico, que
coincide com o “boom” da borracha, quando o Theatro da Paz e o Theatro
Amazonas foram construídos e, só muito tempo depois, já no século XX,
concluíram os Teatros Municipais, no Rio e em São Paulo
.”
Paulo
Chaves comenta que seu sentimento é de missão cumprida, ao final desta 13ª
edição do festival. “Nos anos 50, tivemos
uma companhia apresentando três Verdi: O Trovador, Rigoletto e La Traviata. E
nos anos 80 teve uma apresentação de O Guarani, de Carlos Gomes, com a orquestra
de Campinas; mas perdeu-se, ao longo dos anos, essa tradição operística. Muitas
vezes as companhias, não só de ópera, mas também de balé, de teatro, vinham da
Europa até Belém e Manaus, e voltavam. Sequer iam ao Rio e São Paulo. Belém foi
o grande centro cultural desse período. E acho que, ao retomarmos isso,
primeiro com a restauração do teatro, resgatamos um pouco essa importância.
Hoje não poderíamos fazer o que estamos fazendo sem essa grande restauração,
que recuperou os camarins, que já não existiam no mesmo número, eram utilizados
pela administração; o fosso acústico de água, que estava soterrado; o acesso
aos palcos, que era escalonado com escadas, foi tampado, porque não era correto;
fico muito orgulhoso de ter participado com
uma equipe altamente competente, tanto na parte da organização dos
festivais, quanto da equipe de arquitetura, dessa conjunção entre restauro e
festival, deste momento que ficará marcado na História do Pará, desculpe a
imodéstia.”
Para
que o programa do festival seja cumprido à risca, tudo é pensado com
antecedência de um ano, com a participação fundamental de Mauro Wrona na
direção artística, que este ano ainda ministrou oficinas de montagem de ópera,
com aulas teóricas e práticas de direção cênica a alunos da Escola de Teatro da
UFPA.
O
regente mineiro Sílvio Viegas, como convidado, conduziu a OSTP em Otello. O
Coro Infanto-Juvenil tem regência da maestrina Elizeth Rêgo. O festival conta
com concepção cenográfica de Lília Chaves e Maria Sylvia Nunes, direção cênica
de Glaucivan Gurgel, figurinos de Hélio Alvarez e Fábio Namatame, iluminação de
Rubens Almeida. A elaboração e operação de legendas é de Gilda Maia. A equipe
tem Duda Arruk no cenário, a iluminação é de Wagner Antônio e o visagismo, de
André Ramos.
No
elenco dos espetáculos, além dos já citados, brilharam os solistas Adriane
Queiroz, Atalla Ayan, Marília Caputo (pianista), Rosana Schiavi, Adriana Azulay
(pianista ), Maíra Lautert, Walter Fraccaro, Denis Sedov, Fernando Portari, Marly
Montoni, Andrew Lima, Andrey Mira, Jefferson Luz, Alexsandro Brito, Jean
William, Marly Montoni, David Marcondes, Raimundo Mira, Andrey Mira, David Marcondes,
e Daniel Gonçalves (pianista).
O
secretário Paulo Chaves fez questão de um adendo: “Quero aproveitar a oportunidade, já que estamos encerrando o ciclo, e sem
nenhuma demagogia nem populismo fazer um agradecimento a vocês que fazem a
mídia e a opinião pública e são aliados nessa jornada de conquistas que é o
nosso Festival de Ópera e acho que posso compartilhar com vocês esse justo
orgulho.”

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