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Novo relatório publicado pelas ongs Repórter Brasil e Stand܂Earth revela que as operações da Cargill no país estão ligadas a desmatamento, trabalho escravo e outras formas de violações ambientais e de direitos humanos. “Apesar dos compromissos públicos e dos pactos assinados pela Cargill, está claro que os mecanismos de devida diligência da empresa não funcionam e carecem de revisão”, afirma Marcel Gomes, secretário-executivo da Repórter Brasil, cujo foco é jornalismo investigativo. O relatório analisa as atuais políticas da gigante multinacional para o meio ambiente no cultivo e abastecimento de soja, inclusive no que diz respeito a violações em terras indígenas e protegidas. A pesquisa também chama a atenção para questões de direitos humanos, como a falta de protocolos e normas de segurança para os trabalhadores das plantações de fornecedores, a forma como a sua crescente infraestrutura de sistemas portuários no Brasil tem perturbado comunidades indígenas, e destaca as muitas maneiras pelas quais a Cargill não cumpre compromissos e viola direitos ambientais e humanos.

  Recentemente, a empresa prometeu eliminar o desmatamento em sua cadeia produtiva no Brasil, Argentina e Uruguai até 2025. Mas defende o projeto da Ferrogrão (EF-170), ferrovia que sairia de Sinop (MT) até o porto de Miritituba, em Itaituba (PA), com mil quilômetros de extensão, que alinha entre os seus impactos socioambientais o desmatamento de 50 mil km², área maior que o estado do Rio de Janeiro.

A Ferrogrão atravessará o coração da floresta amazônica, afetando terras indígenas e unidades de conservação, e as commodities agrícolas transportadas nela serão escoadas para o mercado internacional pelo porto graneleiro da Cargill em Santarém (PA), erguido sobre um cemitério ancestral da etnia Tapajó. No início deste mês, representantes dos povos Kayapó, Munduruku, Panará, Apiaká, Arapiuns, Tupinambá e Xavante realizaram um Tribunal Popular no campus da Universidade Federal do Oeste do Pará, em Santarém, ao lado de representantes de comunidades de pescadores, agricultores familiares, Ministério Público e movimentos sociais. A Cargill restou condenada por violação do direito à consulta livre, prévia, informada e de boa-fé; estudos falhos e subdimensionamento dos impactos e riscos socioambientais conexos; aumento da especulação fundiária, grilagem de terras públicas, desmatamento, queimadas e conflitos fundiários; e favorecimento indevido dos seus interesses e das transnacionais Bunge, Louis Dreyfus e Amaggi.

A Cargill, Inc é a maior empresa privada dos EUA e a maior do mundo no setor agroindustrial. A família Cargill MacMillian, a quarta família mais rica da América, com mais bilionários do que qualquer outra família na Terra, é dona de 88% da gigante do agro. Como mostra o relatório, a família ganhou bilhões de dólares destruindo ecossistemas vitais, violando os direitos dos indígenas e pagando quase nada aos que trabalham nas suas plantações. “A Cargill é conhecida por assumir e violar compromissos ambientais e de direitos humanos”, disse Mathew Jacobson, diretor da campanha da Cargill na Stand܂earth. “Esperamos que, ao lançar luz sobre o comportamento da Cargill, a família Cargill-MacMillian intervirá e eliminará os abusos em direitos humanos e a destruição da natureza oriunda de sua cadeia produtiva”.

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