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Bispo emérito do Marajó se pronuncia sobre declarações de Damares e MPF requer informações

O Ministério Público Federal requereu à secretária executiva do Ministério da Mulher, Família e dos Direitos Humanos, Tatiana Barbosa de Alvarenga, informações sobre os crimes contra crianças que a ex-ministra Damares Alves anunciou ter descoberto no arquipélago do Marajó (PA), que ela chama “ilha de Marajó” e afirma ‘fazer fronteira” com outros países. Eleita senadora no Distrito Federal, Damares Alves (Republicanos-DF) aterrorizou o Brasil ao falar, ontem (9), durante culto na igreja evangélica Assembleia de Deus Ministério Fama, em Goiânia (GO), onde havia crianças na plateia, sobre violências horripilantes que estariam sendo cometidas contra bebês e criancinhas marajoaras vítimas de tráfico humano e do comércio de vídeos pornográficos. A Procuradoria da República no Pará pediu ao MMFDH que apresente os casos descobertos, indicando todos os detalhes, a fim de que sejam tomadas as providências cabíveis, bem como informe quais medidas de resgate e de proteção às crianças vítimas tomou ao descobrir os casos e se houve denúncia ao Ministério Público ou à Polícia.

“Eu vou contar uma história para vocês, que agora eu posso falar. Bolsonaro tem uma compreensão espiritual que vocês não têm ideia. Fomos para a Ilha do Marajó e descobrimos que nossas crianças estavam sendo traficadas por lá. Nós temos imagens de crianças nossas, brasileiras, de 4 anos, 3 anos, que quando cruzam as fronteiras, sequestradas, os seus dentinhos são arrancados para elas não morderem na hora do sexo oral. Continuei abrindo as gavetas do Ministério e descobri que, nos últimos sete anos no Brasil, explodiu o estupro de recém-nascidos. Nós temos imagens lá no Ministério, irmãos, de crianças de oito dias sendo estupradas. Descobrimos que um vídeo de estupro de crianças custa de R$ 50 mil a R$ 100 mil. Tem um crime organizado envolvido nisso, tem sangue, tem morte, tem sacrifício. Bolsonaro disse: ‘nós vamos atrás de todas elas’, e o inferno se levantou contra esse homem. A guerra contra Bolsonaro, que a imprensa levantou, que o Supremo levantou, que o Congresso levantou, não é política, é uma guerra espiritual”. Damares declarou, ainda, que “o maior programa de desenvolvimento regional do País” estaria sendo executado no Marajó.

Com exclusividade, o Portal Uruá-Tapera entrevistou o bispo emérito da Prelazia do Marajó, Dom José Luiz Azcona, que há mais de trinta anos denuncia as mazelas sofridas pelo povo do arquipélago do Marajó, em especial as violências contra crianças e adolescentes, e cujo trabalho de evangelização e em favor dos mais necessitados tem reconhecimento internacional, tendo sido agraciado com o Prêmio Internacional Jaime Brunet para a Promoção dos Direitos Humanos da Universidade Pública de Navarra 2021, por sua luta contra a exploração sexual e o tráfico de mulheres e crianças do Marajó, honraria concedida em ano anterior ao Papa Francisco.

A respeito das declarações da ex-ministra Damares, Dom Azcona disse que “na verdade, esse programa federal de desenvolvimento regional tem tido pouca eficácia na transformação e no desenvolvimento integral do Marajó, que permanece na mesma condição de abandono secular em que sempre esteve. Sabemos que existe esse tráfico de crianças para outras nações e também dentro do Brasil, porém ela apresenta esse dado amplificado, dando a impressão de que as crianças do Marajó, em grande parte, ou pelo menos em parte notável, são traficadas para o Exterior, e a consequente apresentação do presidente Bolsonaro como defensor das crianças do Marajó e de todo o Brasil, para essa finalidade, é o que ela prega e por isso desenvolve o tema de abuso sexual de crianças especificamente do Marajó. O fato de que ela atribui uma profunda espiritualidade ao presidente Bolsonaro explicaria esse compromisso visceral do presidente com as crianças do Marajó e as crianças de todo o Brasil, porque essa conexão é o que ela quer realizar ao longo da declaração.”

“Não se pode afirmar que crianças marajoaras traficadas sofram o martírio de seus dentes arrancados ou que deixem livres seus intestinos com alimentos pastosos a fim de propiciar o sexo anal, isso ela não pode assegurar das crianças do Marajó que eventualmente sejam traficadas, porque de fato são traficadas. É um dado que foge – penso – a toda imaginação e me parece mais um recurso de emoção para tocar os ânimos dos ouvintes nessa celebração de culto evangélico do que dado objetivo. Quanto à afirmação da ex-ministra de que bebês, como o caso que ela conta de uma criança recém-nascida, de oito dias, que teria sido abusada sexualmente, e do preço que teria um vídeo de abuso sexual de um bebezinho, que pode custar até R$100 mil, eu não tenho dados para confirmar isso, tampouco que aconteça ou que seja uma realidade muito frequente ou comum no Marajó. De maneira que generalizar fatos singulares que podem se dar – e alguns se dão – com as crianças do Marajó, como se fosse uma regra geral, creio que não corresponde à verdade dos fatos”, complementou Dom Azcona.

“Quando ela coloca o presidente Bolsonaro como uma pessoa que verdadeiramente se levanta contra esse mito do Moloch que devora as crianças… (os amonitas da Cananéia, península arábica do Oriente Médio, por exemplo, cultuavam Moloch, por volta do ano 1900 a. C. Sacrificavam seus recém-nascidos em rituais na estátua de Moloch, em cujo ventre havia uma cavidade com fogo aonde eram jogados os bebês para aplacar a fúria do deus). Se verdadeiramente o presidente Bolsonaro faz essa opção em defesa de todas as crianças do Marajó e de todo o Brasil, este é um gesto que todos nós deveríamos aprovar, aplaudir e imitar, de cidadania bem consciente. Mas isso não tem acontecido nestes quatro anos com o presidente Bolsonaro. Se é uma proposta, uma decisão, uma ação para futuro, no caso de ele ser reeleito presidente, é realmente um dado positivo que deve ser apoiado, em caso concreto. Da mesma forma, se o ex-presidente Lula se levanta também, com energia e decisão, contra esse Moloch que devora as crianças do Marajó e do Brasil, das formas mais diferentes possíveis, se isso é o que programa o ex-presidente Lula, deve ser apoiado, imitado, aplaudido. Mas até agora não consta que o ex-presidente Lula que tenha feito uma afirmação desse tipo sobre as crianças do Marajó, nem sobre as crianças do Brasil. Pelo contrário, o que consta é uma tendência abortista clara. Enfim, diante desta realidade o que temos que fazer é orar. Orar como e por que? O apóstolo Paulo nos diz: ‘Orem, ofereçam ações de graças, intercessão pelas nossas autoridades, para que os tempos sejam tranquilos e pacíficos, a fim de que vivamos uma existência feliz e simples, com simplicidade de vida’. Junto com isso temos que ter em conta como compromisso a verdade. Comprometendo-nos com aquilo que a própria palavra de Deus, Jesus Cristo, nos diz, no Evangelho de São João, no capítulo 8º, versículo 32: “A verdade vos libertará”. A verdade libertará o Brasil das correntes que o oprimem, é o primeiro princípio de atuação política, de racionalidade: a verdade. A finalidade para a qual todas as atividades políticas devem convergir. Por último, o que precisamos no Brasil é de paz. Da paz que vem do Alto e se encarna aqui na Terra, nos homens, aos quais Deus ama, aos homens de boa vontade. Paz e reconciliação. É o que eu rezo a Deus que paire sobre o Brasil e sobre toda a Humanidade”, concluiu o sacerdote, que tem sido verdadeiro profeta a clamar no deserto por três décadas.

Assistam ao vídeo com as declarações de Damares.

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