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Azulejos do Pará, memória profanada

Abriu ontem e vai até o
próximo dia 12 a exposição “Azulejos:
Arte e Técnica”
, montada pelo Museu da UFPA e o Laboratório de
Conservação, Restauração e Reabilitação, com a curadoria da Profª Jussara
Derenji.
Trata-se de um apanhado
sobre o patrimônio azulejar no Pará, como os valiosos painéis da Igreja e
Colégio Santo Antônio, até a produção paraense no século XX, desconhecidos da
maioria da população. Didaticamente apresenta significativos padrões de azulejos,
no intuito de sensibilizar a sociedade para o olhar atento, a apreciação, mas
também a fiscalização e o cuidado para a salvaguarda desse acervo, reconhecendo
que para preservar é preciso conhecer e se identificar com o bem cultural.
O Colégio Santo Antônio
abriga um dos mais importantes conjuntos de azulejos portugueses em Belém, os
únicos exemplares remanescentes do século XVIII na capital paraense. Decorados
com a técnica de majólica, caracterizados pelos estilos barroco e rococó,
dividem-se em painéis historiados e painéis de albarradas. Os azulejos estão
presentes em cinco ambientes do antigo convento: Igreja, Torre Sineira, Hall,
Sacristia e Capela de Nossa Senhora de Lourdes. 
O Solar Barão do Guajará
tem uma das fachadas azulejadas mais antigas de Belém, revestida em azulejos
portugueses decorados em azul e branco,  a partir da técnica da estampilha.
O Sobrado Fábrica Soberano abrigou
a fábrica de bebidas até 1980. Sua fachada é revestida em azulejos portugueses
decorados com a técnica da estampilha.
A arquiteta e urbanista Rose Norat, especialista
em Restauração e Preservação do Patrimônio Arquitetônico e Mestre em
Ciências da Arquitetura, conta que Belém ainda tem grande variedade de azulejos em relevo, semi industriais e industriais, produzidos
no século XIX e início do XX, aplicados no exterior e no interior das
edificações e azulejos toponímicos, em especial painel art nouveau feito sob encomenda com o nome do estabelecimento
comercial onde hoje funciona o Banco do Brasil da Tv. 15 de Novembro, no centro
comercial.
De padrões de azulejos expostos
no Museu, destacam-se alguns exemplares da coleção do Sr. Geraldo Corrêa, cedidas
para a exposição por familiares, além da coleção sob a guarda do LACORE,
constituída desde a década de 1970, pela contribuição de professores,
estudantes e outras pessoas que doaram diversos exemplares utilizados em
trabalhos de pesquisa, ensino e extensão.
No mesmo local, é possível
aproveitar a exposição “LACORE:
Consolidando a Pesquisa para a Memória e a Preservação do Patrimônio Cultural
na Amazônia
”, que mostra a criação, trajetória, perfil e pesquisas
desenvolvidas pelo Laboratório de Conservação, Restauração e Reabilitação da
FAU e PPGAU da UFPA.
Ali o visitante observará a
questão da conservação do patrimônio cultural na Amazônia e seu diversificado
acervo patrimonial com a atuação pioneira do LACORE, que busca suprir uma
lacuna ao se dedicar à pesquisa e à produção do conhecimento científico e
tecnológico, incentivando a prática para a conservação, restauração e
reabilitação dos bens culturais na região, em consonância com a realidade
local. Poderá ainda apreciar o passo a passo para a produção artesanal de
réplicas de azulejos, desde a escolha dos materiais, a mistura, a moldagem, a
secagem e a queima, até a decoração e o produto final, a partir do trabalho de
pesquisa e aplicação desenvolvido sob a coordenação da Profª Thaís Sanjad, com
o uso de matérias-primas regionais.
Em painéis e expositores
com o tema “Azulejos do Pará no Século
XX”
dá para conhecer a produção da Fábrica AZPA, Azulejos do Pará, inaugurada
em 22.09.1972, que iniciou suas atividades em 1971, produzindo e vendendo em
Belém e em outras cidades brasileiras pisos e azulejos brancos, monocromáticos
e decorados. Utilizando matéria-prima regional, foi a primeira indústria
cerâmica implantada no norte do Brasil. Em 1972, visando a exportação para
outros países, lançou a linha para pisos e azulejos com desenhos exclusivos
criados por profissionais de Belém, baseados nas culturas marajoara e tapajônica.
Na exposição, padrões desenhados pela arquiteta Dulcília Maneschy e azulejos de
sua coleção pessoal foram cedidos pela designer.
“Memória Profanada” – a exposição originalmente montada em 2012
pela Secult na Estação das Docas, quando da depredação dos azulejos que compõem
a Residência Vitor Maria da Silva (a Casa do Ferro de Engomar), foi gentilmente
cedida para remontagem em versão compacta – é contundente ao contar com imagens
de renomados fotógrafos e textos esclarecedores, ao mesmo tempo permitindo um
momento de reflexão acerca dos riscos e perdas que assolam nossa história.

O Museu da UFPA fica em
Belém do Pará, na Av. Governador José Malcher, 1192, esquina com a Av.
Generalíssimo Deodoro, antiga Residência do Governador Augusto Montenegro. A visitação
é gratuita. Atentem para o horário: de terça a sexta,  das 9 às 17h e aos sábados e domingos das 10
às 14h.

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