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Uma travessia visual e sensível pelos conhecimentos tradicionais que mantêm viva a relação entre povos da floresta e natureza é a base da série documental “Amazônia Ancestral”, que estreará no próximo dia 30 de janeiro, às 20h, no Canal Curta. Idealizada e dirigida pela cineasta parauara Zienhe Castro, a produção foi viabilizada com recursos da Agência Nacional do Cinema (Ancine) e do Fundo Setorial do Audiovisual do Governo do Brasil.

Com seis episódios, a série percorre diferentes territórios amazônicos para acompanhar de perto práticas, saberes e fazeres transmitidos entre gerações. A proposta é observar, no cotidiano das comunidades, como a cerâmica tradicional, o uso de plantas medicinais e gastronômicas, o grafismo indígena, os rituais, os modos de cultivo e as formas de resistência indígena e negra permanecem ativos e atualizados no presente.

A primeira temporada tem início no Arquipélago do Marajó, território reconhecido como berço de uma das mais sofisticadas civilizações pré-cabralianas da Amazônia. Nos dois episódios iniciais, a série evidencia como a cerâmica e os grafismos marajoaras operam como elo entre passado e futuro. Ao longo da narrativa, também entram em cena o carimbó, os sincretismos religiosos, a gastronomia tradicional e a visão amazônica de harmonia com a natureza.

Cena de “Amazônia Ancestral”

Segundo Zienhe Castro, a intenção da série ultrapassa o registro histórico. “Nossa proposta é ir além do registro histórico, mas buscar entender mais como esses conhecimentos se atualizam no mundo contemporâneo e seu papel fundamental na construção de futuros possíveis para a Amazônia e para o planeta”, afirma.

A diretora explica que o projeto nasceu de uma investigação iniciada há 15 anos, que resultou no curta-metragem Ervas e Saberes da Floresta, lançado em 2012. A série amplia essa pesquisa ao colocar em primeiro plano as relações entre ancestralidade, identidade, preservação cultural e sustentabilidade.

Depois do Marajó, a narrativa se desloca para outras regiões, compondo uma cartografia dos saberes tradicionais na região do Tapajós, no Pará, no Amapá, em Roraima e, por fim, no Acre. Para a cineasta, a série funciona como um convite à escuta e ao reconhecimento desses conhecimentos. “Amazônia Ancestral é, acima de tudo, um convite à escuta, ao reconhecimento e à valorização dos saberes que mantêm a floresta em pé um testemunho potente de que o futuro da Amazônia passa, necessariamente, pelo respeito às suas raízes. Espero que todos que assistirem à série possam, de alguma forma, se sentir impactados por essa narrativa e entender a importância da valorização e preservação dessas práticas”, declara.

Além de “Amazônia Ancestral”, Zienhe Castro desenvolverá, ao longo do ano, outros projetos com foco na região. Entre eles estão o Festival Pan-Amazônico de Cinema (Amazônia FiDoc), do qual é curadora e diretora geral, o AmazôniaFlixx, plataforma de streaming dedicada a conteúdos amazônicos, e duas produções audiovisuais que dirige: “Simplesmente, Eneida”, sobre a jornalista, escritora e militante política Eneida de Moraes, e o longa de ficção “Temperos de Aimée”.

Gabriella Florenzano
Cantora, cineasta, comunicóloga, doutoranda em ciência e tecnologia das artes, professora, atleta amadora – não necessariamente nesta mesma ordem. Viaja pelo mundo e na maionese.

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