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A pluralidade e a democracia

A ditadura e o bipartidarismo acabaram no Brasil mas muita gente
ainda vive esse estigma. Ao invés de aproveitar e cultivar a pluralidade
política, não se permite viver essa formidável possibilidade. Daí que, para
esses, se você não for a favor, é contra. É rotulado, embalado e marcado com um
X nas costas. Nem lembram que, até
na urna eletrônica, mesmo quando há só dois candidatos, ainda resistem
as opções “branco” e “anula”.
Tenho a sorte de trabalhar em uma Casa legislativa, onde a
multiplicidade de ideias assume sua faceta mais salutar para a Democracia, em
que pesem os erros e as distorções.  Lá,
eu aprendi, ainda muito jovem, a importância da convivência pacífica dos
contrários e a festejar o contraditório, muito antes desse princípio ser
insculpido na nossa Constituição Federal.
Era 1983. Na Assembleia Legislativa do Pará só havia PMDB e PDS
(os demais partidos estavam na clandestinidade e muitos de seus principais
atores se abrigavam no PMDB), e a diferença de número entre as duas bancadas era
só de um membro. Que não podia faltar senão havia impasse. E se dois do governo
faltassem a oposição vencia. Era um jogo duro, atento, tenso, mas nunca
violento. Os discursos eram fortemente ideológicos mas, quando os deputados
brigavam em plenário, tomavam o devido cuidado de atirar microfones e cinzeiros
(na época permitidos) bem longe do suposto alvo.
Ronaldo Passarinho era o líder do PDS. Seu tio Jarbas Passarinho
era ministro de Estado e um dos homens mais influentes da República, àquela
altura dominada pelos militares. E presidia a Assembleia Legislativa do Pará o
saudoso deputado Lucival Barbalho, tio do então governador do Estado, Jader
Barbalho. Lembro-me que, no ápice de um dos embates em sessão, Ronaldo fez
chegar a Lucival um bilhete do próprio punho em que cobrava-lhe postura de
magistrado. O que aquele presidente, de fato, era.
Para aquela Legislatura foram eleitos os chamados “deputados
populares”: Paulo Fonteles, Gabriel Guerreiro e Romero Ximenes, estrelas da
oposição. Ronaldo contrapunha a isso sua votação, de 41 mil votos, a maior da
história do Pará até então. Sabedor (por mim) de que eu não tinha votado nele nem
no PDS e muito menos feito campanha, contemplou-me com um DAS de assessora de
Liderança, cargo de confiança que me permitia participar de todas as reuniões, inclusive
e principalmente dos bastidores e das conversas no cafezinho ao lado do
plenário – onde até hoje pululam
muito mais as informações. Discutia política comigo. Recomendava-me leituras. Permitiu
que, em Brasília, participasse de encontros com Marco Maciel e Aureliano Chaves,
líderes nacionais da dissidência do PDS que formaram a Frente Liberal. Em plena
campanha das Diretas Já, divertia-se
com a implicância dos demais assessores e dos que frequentavam seu gabinete e movimentadíssimo
escritório de advocacia, que me chamavam de melancia (verde por fora, vermelha
por dentro), mas aceitava a minha escolha. Jamais me pediu atestado ideológico.
Os discursos eram vibrantes, pontuavam diferenças muito nítidas de
pensamento. Quando Paulo Fonteles ia à tribuna, então, era uma aula de
democracia, sempre aparteado por seus pares Gabriel Guerreiro e Romero Ximenes
e, claro, por Zeno Veloso, a outra estrela do PDS, e Ronaldo Passarinho. Com
argumentos. O debate era apaixonado mas sempre de alto nível. Bons tempos, em
que a militância ia às ruas empunhar bandeiras por ideal e manifestação cívica.
Conheci Zenaldo Coutinho na UFPA, onde fomos contemporâneos, ele
no curso de Direito e eu no de Jornalismo, antes dele se enfronhar na política
pela JDS, o braço juvenil do PDS. Uma lembrança saborosa é de que sua liderança
me fez trabalhar de caixa numa festa no Vadião,
promovida pelo Centro Acadêmico de Direito e, já de manhã, entrar, junto com
mais umas cinco amigas, além dele, no seu fusca, que deu um prego de gasolina
justamente na saída, com todos nós morrendo de sono e cansaço, sem alternativa
para voltar pra casa dali do portão do campus básico do Guamá.
Já Edmilson Rodrigues conheci como deputado estadual eleito na
primeira vez em que o PT conseguiu assento na Alepa, atuante a ponto de, nas
refregas dos professores com a PM – que naquela época descia o cassetete sem dó nem
piedade
nos manifestantes -, apanhar dos policiais. Não foram poucas as
vezes em que ele mostrou, em plenário, os muitos hematomas no corpo,
denunciando a violência com que eram tratadas as legítimas reivindicações da
categoria. Numa dessas ocasiões, o ex-deputado Babá chegou até a ser preso, o
que era outra violência, a de não respeitar o seu mandato legislativo. Ronaldo
Passarinho era presidente da Alepa e, ao saber do ocorrido, foi pessoalmente
exigir a libertação de Babá. Edmilson foi declarado pelo então governador Hélio
Gueiros persona non grata no Palácio
do Governo, com ordens expressas a esse respeito à Casa Militar e ao Ajudante
de ordens. E passou ao folclore político o episódio no qual, impedido de entrar
no gabinete do governador, foi carregado para fora do Palácio e, em protesto,
mordeu a mão do coronel Arruda.
Hoje, exerçamos nosso direito de votar, com consciência e
responsabilidade. Certos de que ainda há muito pelo que lutar. A reforma
política através de lei de iniciativa popular, tal qual a da Lei da Ficha
Limpa, se impõe. Não podemos permitir que nas próximas eleições ainda sejam
ostensivamente comprados votos como os dos que empunham bandeiras, faixas e
cartazes nas ruas. Que a internet seja usada como esgoto, com perfis fakes e páginas criados e pagos para atacar a cidadania, com as penas de aluguel proliferando
vergonhosamente a soldo de quem der mais.

Respeito é bom e todo mundo gosta. Que os candidatos percebam que não é comprando nem patrulhando ideologicamente que conseguirão se projetar. O poder é efêmero. E é mais difícil se manter nele do que chegar lá.
E viva a Democracia!

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