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Passados os primeiros dias da Copa do Mundo de 2026, a competição começou a apresentar partidas mais interessantes e um nível técnico superior ao observado na rodada de abertura. Nos dias 13 e 14 de junho, algumas seleções confirmaram favoritismo, outras mostraram limitações preocupantes, e o torneio começou a desenhar tendências que podem se consolidar nas próximas semanas.


O empate por 1 a 1 entre Qatar e Suíça foi um retrato da irregularidade. Os suíços, tradicionalmente organizados, encontraram dificuldades para transformar posse de bola em oportunidades claras, enquanto os catarianos compensaram suas limitações técnicas com disciplina tática e entrega. O resultado acabou sendo justo diante de um confronto equilibrado.


Quem finalmente conseguiu sorrir foi a Escócia. Após anos acumulando frustrações em grandes torneios, os escoceses derrotaram o Haiti por 1 a 0 e conquistaram uma vitória importante para suas pretensões. O desempenho esteve longe de ser brilhante, mas mostrou uma equipe mais pragmática e eficiente.


A Austrália confirmou sua conhecida vocação para o jogo físico e vertical ao derrotar a Turquia por 2 a 0. Os australianos souberam explorar os espaços deixados pelo adversário e foram extremamente letais nos contra-ataques, transformando poucas oportunidades em gols. Já a Alemanha protagonizou a atuação mais impactante da rodada ao atropelar Curaçao por 7 a 1. O placar inevitavelmente remete à dolorosa lembrança do 7 a 1 sofrido pelo Brasil em 2014, mas, para os alemães, a goleada representa um sinal claro de recuperação competitiva após anos de oscilações em Copas e Eurocopas.


Um jogo foi capaz de justificar a paixão pelo futebol: o empate por 2 a 2 entre Holanda e Japão. Até aqui, foi a partida mais empolgante do Mundial. Intensidade alta, transições rápidas, pressão constante e alternância de domínio produziram um espetáculo digno da principal competição do planeta. Também merece destaque a vitória da Costa do Marfim sobre o Equador por 1 a 0, em outro confronto de boa qualidade, marcado por equilíbrio, intensidade física e disputas constantes pelo controle do meio-campo. O gol marcado por Diallo, no final, mobilizou a grande torcida africana.


A Suécia encerrou a rodada com uma das atuações coletivas mais sólidas da Copa ao golear a Tunísia por 5 a 1. Alexander Isak e Viktor Gyökeres confirmaram o excelente momento vivido no futebol europeu e lideraram uma equipe agressiva, organizada e eficiente. A exibição sueca reforça uma impressão que começa a ganhar força neste início de Mundial: embora as grandes potências continuem favoritas, algumas seleções de segundo escalão chegam mais preparadas e competitivas do que em edições anteriores.


A reflexão inicial que fica é se a ampliação para 48 participantes reduzirá o nível técnico da Copa ou se, ao contrário, permitirá o surgimento de novas forças capazes de desafiar a hierarquia tradicional do futebol mundial. Após estes primeiros dias, os sinais apontam para um pouco de cada cenário.

Rodolfo Marques
Rodolfo Marques é professor universitário, jornalista e cientista político. Desde 2015, atua também como comentarista esportivo. É grande apreciador de futebol, tênis, vôlei, basquete e F-1.

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