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Durante três rodadas, o torcedor azulino voltou a experimentar algo raro neste Brasileirão: a sensação de que o Remo poderia respirar. Não era ainda uma arrancada sólida, mas, como dizem os jovens, havia sinais. A equipe parecia ter reencontrado algum equilíbrio, reduzido danos e reconstruído minimamente a confiança. O problema é que o futebol costuma ser cruel com projetos ainda frágeis. E a derrota por 2 a 1 para o Athletico-PR, neste domingo (24), no Mangueirão, serviu para lembrar uma verdade dura: em pontos corridos, cada jogo importa. 

O Remo saiu na frente, empurrou-se pela força da torcida e parecia disposto a transformar o Mangueirão em ambiente de sobrevivência. Mas, aos poucos, a partida foi assumindo a cara do adversário. O Athletico controlou setores importantes do campo, impôs intensidade, acumulou volume ofensivo e, mesmo tendo um gol anulado, dava a impressão de que a virada era uma questão de tempo. O empate veio antes do intervalo. 

Há derrotas que surgem por acidente, por detalhe ou por um lance isolado. Não foi exatamente o caso. O Furacão foi superior em grande parte do confronto e explorou aquilo que vem sendo uma marca preocupante do Remo nesta Série A: a dificuldade em sustentar competitividade ao longo dos 90 minutos. O time consegue produzir momentos, mas não constrói continuidade. Alterna bons trechos de jogo com longos períodos de desaparecimento coletivo. 

A expulsão de Jajá, no final do primeiro tempo, evidentemente alterou a dinâmica da partida. Jogar uma etapa inteira com um homem a menos diante de uma equipe tecnicamente organizada produz consequências quase inevitáveis. Equipes pressionadas pela zona de rebaixamento precisam de maturidade emocional, especialmente quando o jogo se torna adverso. O Remo ainda demonstra dificuldades para administrar turbulências. Viveros, artilheiro do campeonato, fez o gol da vitória no segundo tempo. O “Furacão” poderia ter goleado, não fosse, novamente, a atuação do goleiro azulino, Marcelo Rangel. 

O aspecto mais inquietante talvez esteja na tabela. O Remo chega à 8ª derrota em 17 partidas e está na vice-lanterna, somando apenas 15 pontos, com uma campanha de 3 vitórias, 6 empates e 8 derrotas. A margem de erro torna-se cada vez mais estreita e a recuperação se transforma em necessidade imediata. 

O próximo desafio será contra outra equipe que vem oscilando muito, mas que está bem melhor na tabela: o São Paulo. Depois desse duelo, o campeonato será interrompido para a pausa da Copa do Mundo. Dependendo do resultado, a parada poderá funcionar como oportunidade de reorganização ou como um período longo demais para conviver com a ansiedade da crise.

O futebol brasileiro costuma produzir histórias improváveis. Times desacreditados escapam, equipes embaladas desmoronam, campanhas inteiras mudam em poucas semanas. Mas milagres esportivos raramente acontecem sem sinais concretos. O Remo ainda luta para descobrir se está construindo algo consistente ou apenas colecionando pequenos intervalos de esperança.

Foto em destaque: Mangueirão – Remo 1 X 2 Athletico em 24.05.2026 (Rodolfo Marques)



* O conteúdo do artigo reflete a opinião pessoal da/o colunista

Rodolfo Marques
Rodolfo Marques é professor universitário, jornalista e cientista político. Desde 2015, atua também como comentarista esportivo. É grande apreciador de futebol, tênis, vôlei, basquete e F-1.

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