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Fundado há 32 anos e abrigado no Palácio Antônio Lemos – o Palacete Azul, ícone da arquitetura do Ciclo da Borracha na Amazônia, sede da Intendência Municipal e cenário de momentos conturbados da história política -, no coração do centro histórico, o Museu de Arte de Belém tem mais de duas mil peças em seu acervo, incluindo pinturas, esculturas e mobiliário dos séculos XVIII a XX.

Em suas duas galerias, cinco salas e dois salões, há obras de Theodoro Braga e Antonio Parreiras; a coleção de aquarelas de Wambach e Alfredo Norfin; e “O Seringal”, de Cândido Portinari; entre outras. O mobiliário de época – cadeiras, poltronas, sofás, mesas e vitrines em madeira, com acabamento em mármore e douramentos -, além da própria arquitetura do palacete, são atrações à parte.

Numa das salas, é possível observar marcas de tiros num quadro, memória de um conflito político histórico.

Acontece que o prefeito Igor Normando vem promovendo reforma administrativa que atinge em cheio o Mabe. Primeiro, em fevereiro do ano passado, extinguiu a Fundação Cultural do Município de Belém, da qual o Mabe era um Departamento. Criou no lugar da Fumbel a Secretaria Municipal de Cultura e Turismo, mas extinguiu do organograma os cargos de direção e também as chefias das Divisões de Conservação, Restauro e Documentação Museológica, Curadoria, Pesquisa e Expografia e Educativo do Mabe.

Depois, provada a inadequação e ineficiência da Semcult, ela foi desmembrada em duas, de Turismo e de Cultura. Nenhuma contemplando o Mabe, cuja estrutura administrativa está reduzida a um cargo DAS 8, e ainda assim do departamento administrativo financeiro da Secult e não do Museu, como deveria. Ademais, o gestor nomeado, Josias da Silva Higino Filho, tem currículo dissociado da Museologia, e o peso político de ser filho de um vereador de Belém.

Nao se sabe quem e nem como vai salvaguardar as coleções artísticas e históricas, além da arquitetura do monumento sede do Mabe.

“O risco de deterioração desse acervo é real, uma vez que não possui dotação orçamentária, recursos e equipe técnica de museólogos especializados. Quanto ao orçamento, que deveria vir da Secult, é inexistente para a realização das fundamentais ações museais. Toda a relação de materiais e equipamentos já solicitada desde o ano passado não foi atendida, por exemplo, os equipamentos desumidificadores fundamentais para a conservação do acervo, não existindo mais nenhum desumidificador em funcionamento no Mabe, o que é uma tragédia diante do nosso clima excessivamente úmido. Obras de arte, reservas técnicas e salas expositivas estão expostas a fungos”, alerta a museóloga Nina Matos.

Os servidores municipais já expuseram a situação aos gestores da Prefeitura, mas não obtiveram resposta. Também denunciaram em uma audiência pública na Alepa. Em
vão.

Pela primeira vez na história este ano o Mabe não participou da Semana Nacional de Museus, por falta de planejamento e de recursos. Limitou-se a abrir as portas. Há um ano as nove artistas visuais convidadas e os serviços de montagem, plotagens e restauração de fotografias não são pagos.

A Prefeitura de Belém afirma que o Mabe mantém suas atividades regulares de atendimento ao público, preservação do acervo e realização de exposições, que abre de terça a sexta-feira, das 9h às 16h, com exposições permanentes distribuídas em seus espaços expositivos e recebe atualmente a mostra contemporânea “Vazios sobre Terra”.

Fotos: Agência Belém

Franssinete Florenzano
Jornalista e advogada, membro da Academia Paraense de Jornalismo, da Academia Paraense de Letras, do Instituto Histórico e Geográfico do Pará, da Associação Brasileira de Jornalistas de Turismo e do Instituto Histórico e Geográfico do Tapajós, editora geral do portal Uruá-Tapera e consultora da Alepa. Filiada ao Sinjor Pará, à Fenaj e à Fij.

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