0
 

A quarta-feira (29.04) foi de contrastes para o futebol paraense na Copa Norte 2026. Enquanto o Paysandu foi até Santana-AP e venceu o Trem com autoridade por 3 a 0, garantindo vaga na semifinal, na qual vai fazer um duelo local contra o Águia, em Marabá-PA, o Remo apenas cumpriu tabela e derrotou o Galvez por 2 a 1, na cidade de Castanhal-PA, em um desfecho melancólico para uma campanha já encerrada antes mesmo da última rodada.

O Remo, aliás, transformou a competição em um “laboratório” muito mal executado. Ao optar por escalar um time reserva em boa parte da Copa Norte, o clube azulino sinalizou desde cedo que não trataria o torneio com a seriedade necessária. O resultado foi mais um vexame que se soma a uma sequência preocupante de decisões equivocadas dentro e fora de campo.

A postura do clube evidencia um problema estrutural. Mesmo com o discurso de priorização de outras frentes, como a Série A e a Copa do Brasil, o desempenho segue aquém do esperado. Na elite do futebol nacional, a campanha é ruim, marcada por instabilidade e falta de identidade tática. Ou seja, o abandono da Copa Norte não trouxe os frutos prometidos, apenas ampliou a lista de frustrações do torcedor azulino.

Do outro lado, o Paysandu vive uma trajetória que mistura caos e reação. Após dois vexames históricos (a derrota por 1 a 0 para o Guaporé e os inacreditáveis 7 a 0 sofridos diante do Nacional), reflexos diretos de um planejamento desastroso da diretoria e da comissão técnica para esses confrontos, o time conseguiu, ainda que de forma tardia – quase acidental –, reencontrar uma rota na competição.

Mesmo com uma equipe mesclada, o Paysandu reagiu: venceu o Independência-AC, “descarrilou” o Trem-AP e se manteve vivo na competição regional. Agora, diante do Águia em Marabá, terá pela frente o desafio em si e, depois, a maratona de jogos que exigirá decisões estratégicas importantes, especialmente sobre a utilização, ou não, de força máxima.

No fim das contas, a rodada escancarou dois caminhos distintos: o de um clube que negligenciou uma competição e colhe os efeitos disso, e o de outro que, mesmo após erros graves, tenta se reconstruir em meio à pressão. O futebol paraense segue entre tropeços e tentativas de redenção – um espelho fiel de sua própria instabilidade.



* O conteúdo do artigo reflete a opinião pessoal da/o colunista

Rodolfo Marques
Rodolfo Marques é professor universitário, jornalista e cientista político. Desde 2015, atua também como comentarista esportivo. É grande apreciador de futebol, tênis, vôlei, basquete e F-1.

Palestra de Antônio Celso Collaro na Amalep

Anterior

Você pode gostar

Comentários