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Às vezes parece que vivemos apartados do resto do mundo, mesmo que todos sejamos alvos da monumental enxurrada de notícias daquilo que acontece, diariamente. Hoje é Dia do Livro, o que merecia uma comemoração à altura deste objeto, artefato, escolham, que muda a vida das pessoas. Em Barcelona, me conta meu irmão, é celebrado em toda a cidade, com tendas e quiosques onde se pode trocar ou simplesmente pegar livros, enquanto as bibliotecas e livrarias estão superlotadas de leitores comprando, emprestando mas, sobretudo, comemorando o Dia do Livro. Em São Paulo, as livrarias ficarão abertas até a meia noite, creio, para que ninguém reclame falta de tempo para frequentar. Aqui em Belém não acontece nada. A Livraria Travessia ainda tem programação, o que vem sendo realizado de maneira excelente, mas o Dia do Livro, nada. Há notícias promissoras a respeito do aumento, mesmo que pequeno, da venda de livros. Quando vou até alguma livraria, tenho ficado satisfeito em ver consumidores bem jovens, seja pesquisando clássicos ou novidades. Recentemente estive conversando com leitores na Biblioteca Pública Arthur Vianna e conferi bons trabalhos em relação ao público, seja recebendo, seja através de ações em municípios do Estado. Mas ainda é pouco. O mundo foi adiante e hoje podemos pesquisar ou ler através da internet, através dos iPads. Não há desculpa. Quem não lê não entende frases longas, não fala melhor, não tem vocabulário nem excita a imaginação.
Quanto a mim, já antes dos dez anos li toda a coleção “Capa & Espada” da biblioteca do meu avô. “Robin Hood”, “Ivanhoé”, “Os 3 Mosqueteiros”, “Simbad o Marujo”, e muitos mais. Minha imaginação ligada no máximo. Aos 13 anos, por incentivo de um professor, Li “Menino de Engenho”, de José Lins do Rego e me apaixonei. O menino do livro, afinal, tinha a minha idade e as mesmas indagações. De lá entendi que deveria ler “Os Sertões”, de Euclides da Cunha e dei de cara com algo ainda à minha frente, ao topar com “O Homem”, “A Terra”, preferindo passar à frente e ir direto à “Guerra”. Mas tudo encaixou perfeitamente quando li “A Guerra do Fim do Mundo”, de Vargas Llosa, que romanceou a tragédia. Dali em diante, nunca mais deixei de ler, quase compulsivamente. Li muito sobre o Golpe de 64 porque à época, tinha apenas dez anos. Li todos os lados para formar opinião. Uma editora começou a lançar no Brasil, livros importantes dos “maldits” da França, os “noir” dos Estados Unidos. Veio a poesia marginal de Cacaso, Geraldo Carneiro e outros. Que época maravilhosa. Animado, lancei alguns livros de poesia. Depois vieram as crônicas que publicava aqui e ali. Não havia Facebook. E então sem saber muito bem como, escrevi meu primeiro romance, “Os Éguas” e não parei mais. Aproveito o Dia do Livro para contar que em poucos dias a Editora Boitempo lançará mais uma obra de minha autoria, com o título “Não nos deixeis cair em tentação. Espero que gostem.
Enfim, espero que leiam, leiam, leiam e sejam pessoas melhores. Sem prejuízo ao cinema, mas quando olhamos a tela, assistimos aquilo que o diretor quer que vejamos. Quando lemos, criamos nossos próprios filmes, fazemos a imaginação voar. Viva o Livro.



* O conteúdo do artigo reflete a opinião pessoal da/o colunista

Edyr Augusto Proença
Paraense, escritor, começou a escrever aos 16 anos. Escreveu livros de poesia, teatro, crônicas, contos e romances, estes últimos, lançados nacionalmente pela Editora Boitempo e na França, pela Editions Asphalte. Foto: Ronaldo Rosa

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