Publicado em: 7 de abril de 2026
A exposição “Moda Mulher: corpo e memória” propõe um percurso por um século de mudanças sociais, políticas e culturais que impactaram diretamente a forma como as mulheres se vestem e se posicionam no mundo e pode ser visitada gratuitamente no Bosque Grão Pará, em Belém, até o dia 14 de abril.
A mostra é organizada pela Universidade da Amazônia (UNAMA) a partir de um trabalho desenvolvido por estudantes do 3º período do curso de Moda. Ao longo de dois meses, os alunos pesquisaram as transformações do vestuário feminino década a década, resultando em dez looks que sintetizam diferentes momentos históricos.
A exposição não é uma simples linha do tempo estética e sim uma análise do avanço de direitos como o voto, o acesso ao ensino superior e a inserção no mercado de trabalho, que aparece refletido nas peças apresentadas, indicando como o vestuário acompanha e traduz disputas por autonomia e reconhecimento.
A coordenadora do curso de Moda da UNAMA, Felícia Maia, destaca que o projeto busca conectar memória e experiência histórica: “nos últimos cem anos, grandes transformações aconteceram pela liberdade do corpo feminino. E a exposição mostra essa vivência, preservando a memória de lutas e conquistas contra o sistema patriarcal”.
Cada criação exposta foi pensada como um recorte simbólico de sua época, evidenciando mudanças nos padrões de comportamento, nos códigos sociais e na relação das mulheres com o próprio corpo. O processo criativo envolveu a análise de contextos culturais e políticos que influenciaram diretamente o vestuário em diferentes períodos.


Entre os marcos destacados na narrativa está a ampliação dos direitos reprodutivos, como o surgimento da pílula anticoncepcional nos anos 1960. “A revolução feminina por liberdade também deu acesso a direitos sexuais. Por exemplo, na década de 60, surgiu a pílula anticoncepcional. Essa foi uma das reivindicações históricas das mulheres, que puderam decidir pelos seus corpos”, pontua Felícia Maia.

A proposta é ampliar o olhar do público para além das tendências, evidenciando o vestuário como registro de transformações ao longo do tempo e que a moda é uma linguagem histórica e política.
Fotos: Felícia Maia / UNAMA









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