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O Museu Paraense Emílio Goeldi, em Belém, preparou uma programação ampliada para marcar o chamado “Abril Indígena”, período voltado à valorização dos povos originários. Entre os dias 14 e 19 de abril, o Campus de Pesquisa e o Parque Zoobotânico da instituição concentram atividades que articulam produção científica, saberes tradicionais e experiências culturais.

Com o tema “Saberes que se entrelaçam: ciência, território e memória indígena”, a agenda inclui seminários, trilhas educativas, oficinas e exibições audiovisuais. Ao longo do mês, o museu também prevê a publicação de conteúdos digitais sobre pesquisas desenvolvidas em parceria com povos indígenas da Amazônia, ampliando o alcance das discussões para além dos espaços físicos.

A abertura está prevista para o dia 14, no Campus de Pesquisa, no bairro Terra Firme, com o seminário “Pesquisadores Indígenas e Saberes Compartilhados”. A programação inclui uma mesa de diálogo e dois webinários, organizados para permitir a participação de pesquisadores indígenas que não estão em Belém. As atividades terão transmissão ao vivo pelo canal oficial da instituição no YouTube.

Nos dias seguintes, de 15 a 19 de abril, as ações se concentram no Parque Zoobotânico, em São Brás. O público poderá participar de trilhas guiadas com foco em etnobotânica, conduzidas pelo Núcleo de Visitas Orientadas do Serviço de Educação, além de acompanhar visitas mediadas à exposição “Ahetxiê: um tesouro da costa amazônica”, em cartaz no Aquário Jacques Huber.

A programação inclui ainda a exibição de produções audiovisuais realizadas por profissionais indígenas, uma oficina de bordado e texturas inspiradas na biodiversidade amazônica e atividades interativas, como um jogo educativo voltado às línguas indígenas. Os visitantes também terão acesso aos últimos dias da exposição “Brasil: Terra Indígena”, em cartaz até 19 de abril no Centro de Exposições Eduardo Galvão, e à mostra permanente “Diversidades Amazônicas”.

Para o diretor do museu, Nilson Gabas Júnior, a iniciativa cumpre um papel central ao reunir diferentes etnias, lideranças e comunidades em um espaço de troca de conhecimentos e visibilidade. Ele afirma que a programação fortalece o diálogo entre ciência e culturas indígenas, destacando práticas como o manejo ambiental, a produção artesanal e as expressões artísticas.

O diretor também enfatiza que a proposta contribui para enfrentar o apagamento histórico e ampliar a compreensão sobre temas como territorialidade, sustentabilidade e resistência cultural. Segundo ele, a instituição assumiu, em 2023, o compromisso simbólico de se reconhecer como “Território Indígena”, com uma atuação alinhada à valorização dos povos originários.

O MPEG carrega a missão de ser um espaço de confluência entre conhecimento científico e saberes tradicionais, ao mesmo tempo em que preserva acervos que documentam milênios de ocupação humana na Amazônia. A programação da Semana dos Povos Indígenas, segundo a direção, busca aproximar o público dessas experiências, evidenciando a relação entre biodiversidade, cultura e modos de vida.

Confira a programação:

PROGRAMAÇÃO SEMANA DOS POVOS INDÍGENAS
Tema: Saberes que se entrelaçam: ciência, território e memória indígena

DIA 14 DE ABRIL – TERÇA-FEIRA
Seminário Pesquisadores Indígenas e Saberes Compartilhados
Objetivo: A atividade pretende promover um espaço de escuta e de diálogo sobre experiências de pesquisas colaborativas, produção de conhecimento indígena e relações entre ciência, território e memória.
Local: Campus de Pesquisa do Museu Goeldi com transmissão pelo canal do MPEG (@museugoeldi), no YouTube.

  • 9h às 12h – Mesa de conversa com pesquisadores indígenas vinculados a projetos do Museu Goeldi e ao Programa de Pós-Graduação em Diversidade Sociocultural (PPGDS)
  • 14h às 15h – Webinário com produtores indígenas de audiovisual.
  • 15h15 às 16h – Webinário com educadores indígenas.

DIA 15 DE ABRIL – QUARTA-FEIRA
Trilhas Educativas – Botânica e Etnobotânica
Local: Parque Zoobotânico do Museu Goeldi
Condução: Núcleo de Visitas Orientadas (Nuvop) do Serviço de Educação do MPEG
Horários sugeridos: às 9h, às 10h30 e às 14h30

DIA 16 DE ABRIL – QUINTA-FEIRA
Visita guiada – Exposição Ahetxiê: um tesouro da costa amazônica
Local: Aquário Jacques Huber do Museu Goeldi
Horário: 10h às 11h30

DIA 17 DE ABRIL – SEXTA-FEIRA
Oficina de Bordado e Texturas – Saberes da Floresta
Objetivo: A atividade propõe a produção de bordados e texturas inspirados na biodiversidade amazônica, grafismos e elementos culturais indígenas. Os trabalhos produzidos serão integrados à instalação artística que será apresentada na Semana Nacional de Museus, no Parque Zoobotânico do Museu Goeldi, no mês de maio.
Local: Centro de Exposições Eduardo Galvão, no Parque Zoobotânico do Museu Goeldi
Ministrantes: Coletivo Mulherio das Letras Indígenas, associados da Associação Paraense das Pessoas com Deficiência (APPD), além de bordadeiras de Belém e pesquisadoras(es).
Horários: 9h às 12h.

18 DE ABRIL – SÁBADO
Mediação Especial do jogo – “Ancestralidade em Jogo”
Local: Árvore cenográfica da exposição Diversidades Amazônicas, no Centro de Exposições Eduardo Galvão
Horário: 10h às 12h

DIA 19 DE ABRIL – DOMINGO
Exibição de produções audiovisuais indígenas
Local: Auditório do Centro de Exposições Eduardo Galvão, no Parque Zoobotânico do Museu Goeldi
Horário: 10h às 12h

Foto em destaque: Kevin Castro / MPEG

Gabriella Florenzano
Cantora, cineasta, comunicóloga, doutoranda em ciência e tecnologia das artes, professora, atleta amadora – não necessariamente nesta mesma ordem. Viaja pelo mundo e na maionese.

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