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A confirmação de um caso de sarampo em uma bebê de seis meses, em São Paulo, reacendeu o alerta sobre falhas na cobertura vacinal no Brasil, especialmente entre crianças que não completam o esquema de imunização. Embora o registro tenha ocorrido no Sudeste, o risco é generalizado e exige atenção em todas as regiões, incluindo a Amazônia, onde desafios de acesso à saúde podem agravar o cenário.

Segundo informações da Agência Brasil, a criança infectada ainda não tinha idade para receber a vacina, já que o calendário do Sistema Único de Saúde prevê a primeira dose da tríplice viral aos 12 meses e o reforço aos 15 meses com a tetra viral. Esse intervalo torna bebês mais novos dependentes da chamada proteção coletiva, que ocorre quando a maior parte da população está imunizada e impede a circulação do vírus.

No entanto, dados recentes indicam fragilidade nesse mecanismo. Em 2025, 92,5% dos bebês receberam a primeira dose da vacina, mas apenas 77,9% completaram o esquema dentro do prazo recomendado. A diferença entre quem inicia e quem finaliza a imunização é apontada como um dos principais pontos de preocupação.

A adesão insatisfatória à segunda dose compromete diretamente essa barreira coletiva, aumentando o risco de circulação do vírus, especialmente em um contexto de mobilidade internacional. O caso da bebê está associado a uma viagem à Bolívia, país que enfrenta surto de sarampo desde o ano passado. A alta transmissibilidade da doença amplia o risco em cenários de cobertura insuficiente.

É importante ressaltar que o fato de não viajar não diminui os riscos. A rotatividade de pessoas oriundas de países onde há surto iguala os riscos para quem não saiu do Brasil.

O Brasil tem o certificado de eliminação da doença, concedido pela Organização Pan-Americana da Saúde em 2024. O mesmo reconhecimento já havia sido obtido em 2016 e perdido em 2019. Os casos importados, porém, são preocupantes.

O cenário internacional pressiona o sistema de vigilância. Em 2025, foram registrados 14.891 casos de sarampo nas Américas, com 29 mortes. Apenas nos dois primeiros meses de 2026, já foram contabilizados 7.145 casos, indicando aceleração na disseminação da doença, com maior incidência em países como México, Estados Unidos e Guatemala.

A maioria dos casos de sarampo tem sido registrada entre pessoas não vacinadas, com maior incidência em crianças menores de um ano. Apesar de frequentemente tratada como uma doença comum da infância, a infecção pode evoluir para quadros graves, incluindo pneumonia e complicações neurológicas, como encefalite. O aumento na letalidade em surtos nas Américas, onde quase 15 mil casos e cerca de 30 mortes foram registrados no último ano, sinaliza um cenário mais preocupante do que o observado historicamente.

Além dos sintomas iniciais, como febre alta, manchas vermelhas na pele, tosse, coriza e irritação ocular, a infecção pode comprometer o sistema imunológico por meses. Após a infecção pelo sarampo, o sistema imunológico pode permanecer comprometido por um período de três a seis meses, aumentando a vulnerabilidade a outras doenças infecciosas, que também podem ser graves.

A vacinação completa segue sendo a principal estratégia de controle. Crianças vacinadas no tempo adequado mantêm proteção ao longo da vida, e pessoas sem comprovação devem atualizar o esquema: duas doses entre 5 e 29 anos, com intervalo de um mês, e dose única entre 30 e 59 anos. A imunização só não é indicada para gestantes e pessoas imunocomprometidas.

Foto em destaque: Tomaz Silva / Agência Brasil

Gabriella Florenzano
Cantora, cineasta, comunicóloga, doutoranda em ciência e tecnologia das artes, professora, atleta amadora – não necessariamente nesta mesma ordem. Viaja pelo mundo e na maionese.

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