0
 

A primeira vitória do Clube do Remo na Série A de 2026, enfim, aconteceu. Neste domingo (22), no Mangueirão, o time paraense goleou o Bahia por 4 a 1, de virada, em uma atuação de superação, eficiência e raro brilho coletivo. Mais do que os três pontos, o triunfo encerra um jejum incômodo e inaugura, ainda que tardiamente, a presença competitiva azulina na elite do futebol brasileiro.

O roteiro do jogo reforça o peso simbólico da vitória. O Bahia, até então último invicto da competição, saiu na frente com Everaldo e parecia manter o controle da partida. O Remo, contudo, respondeu com personalidade: Vitor Bueno, o melhor em campo, comandou a reação, enquanto Talliari (duas vezes) e Jajá consolidaram a virada e transformaram o placar em goleada. A equipe paraense mostrou poder de reação e maturidade para não se desorganizar após sair atrás.

O momento-chave da partida foi a defesa de pênalti de Marcelo Rangel, quando o jogo ainda estava 2 a 1. A intervenção do goleiro evitou o empate e funcionou como catalisador emocional: na sequência, o Remo ampliou e passou a controlar o confronto. Em um campeonato de pontos corridos, episódios como esse podem redefinir trajetórias, até mesmo como uma virada psicológica de uma equipe pressionada.

Do ponto de vista tático, em sua oitava partida na competição (a quarta sob o comando de Léo Condé), o Remo apresentou sua melhor versão na competição. Mesmo com menor posse de bola, foi mais objetivo, finalizou com eficiência e aproveitou os espaços deixados pelo adversário. Houve intensidade, organização e, sobretudo, confiança – algo que faltava nas primeiras rodadas. Não por acaso, a equipe conseguiu transformar volume em gols, algo raro até então na campanha.

Apesar do resultado expressivo, a situação na tabela ainda exige cautela. O Remo segue na zona de rebaixamento, agora com 6 pontos em 8 rodadas e 25% de aproveitamento. Deixou a lanterna, transferida ao Cruzeiro, e ganhou fôlego para tentar uma reação mais consistente. Os próximos dois desafios na competição serão fora de casa – contra o Santos, de Neymar, na Vila Belmiro, e contra o Grêmio, na Arena, em Porto Alegre-RS

A goleada pode ser um indicativo de que o Remo tem condições de competir na Série A. Resta saber se o time transformará o impacto desta vitória em regularidade, condição indispensável para escapar do rebaixamento. 

No futebol, há jogos que valem mais do que três pontos. Para o Remo, este pode ter sido o primeiro capítulo de uma reconstrução – ou apenas um lampejo em meio à turbulência. Os próximos desafios na competição indicarão isso. 

Foto em destaque: Remo 4 X 1 Bahia no Mangueirão em 22/03/2026 (Rodolfo Marques)



* O conteúdo do artigo reflete a opinião pessoal da/o colunista

Rodolfo Marques
Rodolfo Marques é professor universitário, jornalista e cientista político. Desde 2015, atua também como comentarista esportivo. É grande apreciador de futebol, tênis, vôlei, basquete e F-1.

STF analisará pedido de anulação de julgamento do caso Mariana Ferrer

Anterior

Programa oferece 50 mil bolsas gratuitas de idiomas para pessoas negras em todo o Brasil

Próximo

Você pode gostar

Comentários