Publicado em: 20 de março de 2026
A relação entre cultura, espiritualidade e meio ambiente está no centro da nova montagem do Coletivo Filhos de Iracema, que apresenta o espetáculo “Chamado das Águas” no CEU das Artes de Ananindeua. A produção terá pré-estreia nesta sexta-feira, dia 20 de março, e estreia oficial no dia 21, com acesso gratuito e vagas limitadas.
A proposta cênica combina diferentes linguagens artísticas para falar sobre os impactos do descarte inadequado de resíduos sobre os rios amazônicos. A narrativa utiliza elementos da cosmologia tradicional para estruturar a reflexão, inserindo no palco personagens simbólicos que representam a relação entre natureza e espiritualidade.
A construção dramatúrgica coloca os Encantados (entidades associadas às águas, florestas e dimensões invisíveis) como mediadores do discurso. Na encenação, esses seres assumem a função de expressar as consequências da degradação ambiental, estabelecendo uma conexão entre o público e os efeitos da ação humana sobre os ecossistemas.
A abordagem propõe compreender a preservação ambiental não apenas como uma questão técnica ou política, mas como parte de um sistema de valores que envolve memória, identidade e continuidade da vida.
A montagem se estrutura a partir de referências do Tambor de Mina Nagô, cuja prática envolve a invocação de entidades por meio de cantos e ritmos percussivos. Esse repertório simbólico é incorporado à dramaturgia como eixo narrativo.

A presença dos Encantados na cena está diretamente ligada a essa tradição, que reconhece esses seres como guardiões associados aos rios e à floresta. A partir desse referencial, o espetáculo constrói uma narrativa que integra dimensão espiritual e crítica socioambiental.
O texto é assinado por Mãe Rita D’Oxum e Pai Lucas de Oxalá, enquanto a direção cênica é conduzida por Andréa de Oyá. A estrutura dramatúrgica utiliza oralidade e cantos tradicionais como elementos centrais.
A trilha sonora, executada ao vivo, combina composições autorais com instrumentos de corda e percussão, compondo um ambiente sensorial que reforça a proposta estética da montagem. Thales de Ayra é o responsável pela direção musical.

A atriz Ana de Ogum destaca o vínculo entre meio ambiente e continuidade cultural. Segundo ela, “Cuidar do meio ambiente é preservar a memória, é produção de vida”.
O espetáculo integra o projeto Ecocenas COP30, vinculado ao Programa Coleta Mais, desenvolvido pelo Governo Federal em parceria com Itaipu, Fadesp e Universidade Federal do Pará (UFPA). A iniciativa, em andamento desde 2025, busca utilizar a arte como ferramenta de sensibilização sobre questões ambientais, com ações em escolas e espaços públicos da região metropolitana de Belém.
A proposta dialoga com o contexto da Conferência Climática que colocou o Pará em evidência no debate internacional, ampliando o alcance das discussões sobre sustentabilidade na Amazônia.
SERVIÇO:
* Espetáculo: Chamado das Águas
* Datas:
* Pré-estreia (convidados): 20/03/2026, às 19h
* Estreia (público geral): 21/03/2026, às 19h
* Local: CEU das Artes de Ananindeua (Rua Onze, 667, Conjunto Júlia Seffer, Águas Lindas)
* Entrada: Gratuita
* Lotação: 50 pessoas
* Informações: (91) 98114-2924 | Instagram: @filhosdeiracema_
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FICHA TÉCNICA:
Encenação, direção cênica e dramaturgismo: Andréa de Oyá
Assistência de direção: Pai Lucas de Oxalá
Direção Musical: Thales de Ayra e Pai Lucas de Oxalá
Atuação:
Mãe Rita D’Oxum
Mãe Yasmim de Obaluaê
Pai Lucas de Oxalá
Pai Ademir de Obaluaê
Gleydson Santos de Xangô
Ana de Ogum
Andréa de Oyá
Thales de Ayra
Ruber de Obaluaê
Dramaturgia: Mãe Rita D’Oxum e Pai Lucas de Oxalá
Visualidade:
Pai Lucas de Oxalá e Andréa de Oyá
Voz principal:
Mãe Rita D’Oxum
Cordas:
Thales de Ayra
Gleydson Santos de Xangô
Percussões:
Pai Lucas de Oxalá
Pai Miguel de Odé
Ruber de Obaluaê
Ana de Ogum
Fabiana Serrão de Ogum
Coro:
Coletivo Filhos de Iracema
Produção executiva:
Andréa de Oyá
Assistência de produção:
Thales de Ayra

Fotos: Adan Kaiky









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