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A relação entre cultura, espiritualidade e meio ambiente está no centro da nova montagem do Coletivo Filhos de Iracema, que apresenta o espetáculo “Chamado das Águas” no CEU das Artes de Ananindeua. A produção terá pré-estreia nesta sexta-feira, dia 20 de março, e estreia oficial no dia 21, com acesso gratuito e vagas limitadas.

A proposta cênica combina diferentes linguagens artísticas para falar sobre os impactos do descarte inadequado de resíduos sobre os rios amazônicos. A narrativa utiliza elementos da cosmologia tradicional para estruturar a reflexão, inserindo no palco personagens simbólicos que representam a relação entre natureza e espiritualidade.

A construção dramatúrgica coloca os Encantados (entidades associadas às águas, florestas e dimensões invisíveis) como mediadores do discurso. Na encenação, esses seres assumem a função de expressar as consequências da degradação ambiental, estabelecendo uma conexão entre o público e os efeitos da ação humana sobre os ecossistemas.

A abordagem propõe compreender a preservação ambiental não apenas como uma questão técnica ou política, mas como parte de um sistema de valores que envolve memória, identidade e continuidade da vida.

A montagem se estrutura a partir de referências do Tambor de Mina Nagô, cuja prática envolve a invocação de entidades por meio de cantos e ritmos percussivos. Esse repertório simbólico é incorporado à dramaturgia como eixo narrativo.

A presença dos Encantados na cena está diretamente ligada a essa tradição, que reconhece esses seres como guardiões associados aos rios e à floresta. A partir desse referencial, o espetáculo constrói uma narrativa que integra dimensão espiritual e crítica socioambiental.

O texto é assinado por Mãe Rita D’Oxum e Pai Lucas de Oxalá, enquanto a direção cênica é conduzida por Andréa de Oyá. A estrutura dramatúrgica utiliza oralidade e cantos tradicionais como elementos centrais.

A trilha sonora, executada ao vivo, combina composições autorais com instrumentos de corda e percussão, compondo um ambiente sensorial que reforça a proposta estética da montagem. Thales de Ayra é o responsável pela direção musical.

A atriz Ana de Ogum destaca o vínculo entre meio ambiente e continuidade cultural. Segundo ela, “Cuidar do meio ambiente é preservar a memória, é produção de vida”.

O espetáculo integra o projeto Ecocenas COP30, vinculado ao Programa Coleta Mais, desenvolvido pelo Governo Federal em parceria com Itaipu, Fadesp e Universidade Federal do Pará (UFPA). A iniciativa, em andamento desde 2025, busca utilizar a arte como ferramenta de sensibilização sobre questões ambientais, com ações em escolas e espaços públicos da região metropolitana de Belém.

A proposta dialoga com o contexto da Conferência Climática que colocou o Pará em evidência no debate internacional, ampliando o alcance das discussões sobre sustentabilidade na Amazônia.

SERVIÇO:

* Espetáculo: Chamado das Águas

* Datas:

* Pré-estreia (convidados): 20/03/2026, às 19h

 * Estreia (público geral): 21/03/2026, às 19h

* Local: CEU das Artes de Ananindeua (Rua Onze, 667, Conjunto Júlia Seffer, Águas Lindas)

* Entrada: Gratuita

* Lotação: 50 pessoas

* Informações: (91) 98114-2924 | Instagram: @filhosdeiracema_

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FICHA TÉCNICA:

Encenação, direção cênica e dramaturgismo: Andréa de Oyá

Assistência de direção: Pai Lucas de Oxalá

Direção Musical: Thales de Ayra e Pai Lucas de Oxalá

Atuação: 

Mãe Rita D’Oxum

Mãe Yasmim de Obaluaê

Pai Lucas de Oxalá

Pai Ademir de Obaluaê

Gleydson Santos de Xangô

Ana de Ogum

Andréa de Oyá

Thales de Ayra

Ruber de Obaluaê

Dramaturgia: Mãe Rita D’Oxum e Pai Lucas de Oxalá

Visualidade:

Pai Lucas de Oxalá e Andréa de Oyá

Voz principal:

Mãe Rita D’Oxum

Cordas:

Thales de Ayra

Gleydson Santos de Xangô

Percussões:

Pai Lucas de Oxalá

Pai Miguel de Odé

Ruber de Obaluaê

Ana de Ogum

Fabiana Serrão de Ogum

Coro:

Coletivo Filhos de Iracema

Produção executiva:

Andréa de Oyá

Assistência de produção:

Thales de Ayra

Fotos: Adan Kaiky

Gabriella Florenzano
Cantora, cineasta, comunicóloga, doutoranda em ciência e tecnologia das artes, professora, atleta amadora – não necessariamente nesta mesma ordem. Viaja pelo mundo e na maionese.

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