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A participação de mulheres nos cursos e carreiras ligados à Computação e à Tecnologia da Informação continua sendo significativamente menor que a masculina no Brasil. Por isso, professoras da Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa) desenvolveram uma ação voltada à formação e incentivo de alunas do ensino médio. O projeto, denominado “<div>as digitais”, realiza sua segunda edição com uma programação de palestras e oficinas voltadas à aproximação de jovens estudantes com o universo tecnológico.

O evento será realizado na próxima sexta-feira, dia 20, no Auditório Central do Campus II da Unifesspa, em Marabá. A programação terá início às 8h e inclui atividades gratuitas destinadas a meninas matriculadas em escolas de ensino médio do município. As inscrições devem ser feitas através do formulário digital.

Entre os temas previstos estão introdução à programação, eletrônica, desenvolvimento de carreira e discussões sobre protagonismo feminino. O Instituto Sustentabilidade da Amazônia com Ciência e Inovação (iSACI) participa da iniciativa como patrocinador.

Dados estatísticos demonstram a dimensão da disparidade de gênero na área. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mulheres representam apenas 13% das matrículas em cursos de Computação e Tecnologia da Informação no país.

No contexto da própria Unifesspa, os números também indicam baixa participação feminina. Entre 2013 e 2021, somente 19% das matrículas nos cursos de Engenharia da Computação e Sistemas de Informação foram ocupadas por mulheres.

Para a coordenadora do projeto e docente da universidade, Marcela Alves de Souza, o enfrentamento dessa desigualdade passa pela formação desde as etapas iniciais da educação.

Ela explica que a exclusão ocorre muitas vezes ainda na infância. Segundo a professora, “A baixa representatividade feminina nesses campos é um problema estrutural. A exclusão pode começar ainda na infância, quando é convencionado que meninos brinquem com videogames e as meninas com bonecas. Esse já é um afastamento das meninas da tecnologia. A gente molda os nossos interesses ainda na infância, então é por isso que entendemos que a sensibilização para atuar nas áreas de tecnologia precisa ocorrer ainda no contexto escolar”.

A realização do projeto também se relaciona com características socioeducacionais da região sudeste do Pará. O território apresenta indicadores reduzidos de escolarização e inclusão digital, além de baixa presença feminina em atividades profissionais ligadas à tecnologia.

Nesse contexto, o contato direto de estudantes com experiências acadêmicas e profissionais na área pode influenciar decisões de carreira.

A estudante Débora Alves, atualmente matriculada no curso de Sistemas de Informação da Unifesspa e participante do projeto, relata que seu interesse pela área surgiu ainda durante o ensino médio. Ela afirma: “Foi durante o Ensino Médio, ao participar de uma feira sobre Engenharia da Computação, que pensei na carreira na área de tecnologia. A ideia era sair de Marabá para fazer a faculdade, mas quando conheci o Divas Digitais, entendi que é importante termos pessoas, ainda mais mulheres, qualificadas aqui no território”.

O projeto “<div>as digitais” integra uma iniciativa de alcance nacional voltada à ampliação da presença feminina na tecnologia. Ele faz parte do Programa Meninas Digitais, criado há mais de uma década pela Sociedade Brasileira de Computação (SBC).

A proposta do programa surgiu a partir de debates realizados no Women in Information Technology (WIT), evento que ocorre desde 2007 e discute desigualdades de gênero no setor de Tecnologia da Informação.

A organização da atividade envolve articulação entre universidade, instituições de pesquisa e parceiros externos. Para a coordenadora do projeto, o apoio institucional tem papel fundamental para a realização das atividades.

Ela destaca que “Para a realização do ‘<div>as digitais’ deste ano, o apoio do iSACI tem sido fundamental, tanto no sentido do patrocínio à programação, quanto na chancela de credibilidade que o Instituto dá ao evento”.

Entre as apresentações previstas estão “Psicologia e protagonismo feminino”, “Branding feminino: construindo sua carreira na era digital” e “Interdisciplinaridade na tecnologia”.

A programação também contará com mesa redonda reunindo participantes convidadas para discutir experiências profissionais na área.

No período da tarde, será realizado um workshop voltado ao desenvolvimento web. A oficina abordará fundamentos da criação de sites, incluindo estruturação de páginas com HTML, estilização com CSS e implementação de interatividade com JavaScript. As participantes também desenvolverão um desafio prático de customização orientada.

Programação:

HorárioAtividade
08h00 – 08h30Credenciamento – Hall do Auditório II
08h30 – 09h00Palestra: Ana Paula de Deus – Psicologia e Protagonismo Feminino: mulheres que se fortalecem para transformar realidades – Auditório II
09h00 – 09h40Mesa de abertura e sorteio de brindes – Auditório II
09h40 – 10h10Palestra: Ana Campos – Branding feminino: construindo sua carreira na era digital – Auditório II
10h10 – 10h30Coffee break e networking – Hall do Auditório II
10h30 – 11h30Mesa redonda: Priscila, Evelyn, Vanessa, Zenaide, Marina e Lucélia – Auditório II
11h30 – 12h00Palestra: Giselle Batista – Interdisciplinaridade na tecnologia – Auditório II
12h00 – 12h30Encerramento da programação da manhã
14h00 – 18h00Workshop de Desenvolvimento Web – Sala de informática, Bloco 4. Conteúdo: introdução ao desenvolvimento web; estrutura de sites com HTML; estilização com CSS; interatividade com JavaScript; desafio de customização guiada

Foto em destaque: iSaci / Unifesspa

Gabriella Florenzano
Cantora, cineasta, comunicóloga, doutoranda em ciência e tecnologia das artes, professora, atleta amadora – não necessariamente nesta mesma ordem. Viaja pelo mundo e na maionese.

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