Publicado em: 7 de março de 2026
A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua apurou que as brasileiras dedicam, em média, 21,3 horas semanais a afazeres domésticos e cuidados de pessoas. Os homens, 11,7 horas. A diferença é de quase 10 horas por semana, o equivalente a mais de um turno adicional de trabalho não remunerado. Isso representa mais de mil horas anuais. Não à toa, mulheres e meninas são as mais afetadas na vida profissional e nos estudos. Param de estudar e abandonam a carreira para cuidar dos irmãos, dos pais, dos filhos, da casa.
O Relatório Global de Desigualdade de Gênero do Fórum Econômico Mundial aponta que a paridade econômica plena ainda levará mais de um século para ser alcançada, no ritmo atual.
No Brasil, dados do IBGE mostram que mulheres recebem, em média, cerca de 20% menos que homens em posições equivalentes. E quando se junta maternidade com carreira a desigualdade se amplia.
Na Finlândia e na Dinamarca os assistentes domésticos e de serviços são pagos pela municipalidade. Na França, Áustria, Alemanha e Holanda também há custeio a alguns serviços feitos por assistentes. No Reino Unido e na Irlanda, o Estado compensa a perda da renda durante o período em que a pessoa presta assistência a um familiar. Na Espanha, existe a Lei de Promoção da Autonomia Pessoal e Atenção às pessoas em situação de dependência, que inclui a compensação econômica para os cuidadores familiares. Até o Uruguai já tem lei que permite à mulher se aposentar mais cedo, de acordo com o número de filhos.
No Brasil, a Política Nacional do Cuidado, instituída no final de 2024, sequer foi implementada. Mesmo mulheres idosas trocam o tempo do descanso e do lazer para cuidar do marido ou dos filhos. Vivem sozinhas, exaustas, depressivas.
A salvação para essa tragédia feminina é educar os meninos desde a mais tenra idade mostrando que têm responsabilidades iguais quanto ao trabalho formal, a gestão da casa e o cuidado com filhos e idosos.
Em casos recentes de separação e divórcio no Brasil, os juízes já estão determinando que os maridos paguem pelo tempo em que as ex-mulheres cuidaram exclusivamente da família, abdicando de seus planos e sonhos.
O compartilhamento de tarefas no lar é uma silenciosa revolução cultural e também econômica. O modelo patriarcal da indústria e do comércio já observou que homens assumem tarefas domésticas, e isso se reflete nas soluções tecnológicas que reduzem esforço físico e tempo, como esfregões elétricos e robôs que aspiram e passam pano e uma parafernália de eletrodomésticos “inteligentes”.
As mulheres precisam se desdobrar e enfrentar ambientes hostis para ocupar um lugar de liderança no mundo corporativo, conquistar seus sonhos, mas cada vez mais podem chegar aonde quiserem.









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