Publicado em: 2 de março de 2026
O primeiro capítulo da decisão do Parazão 2026 foi escrito no palco maior do futebol paraense. No Mangueirão, neste domingo (01), o Paysandu superou o Remo por 2 a 1 (com gols de Caio Mello e Marcinho – João Pedro descontou para os azulinos), em uma atuação que evidenciou a superioridade bicolor ao longo dos 90 minutos. O placar apertado não traduziu com fidelidade o que se viu em campo: houve controle, intensidade e maturidade maior por parte do Papão.
Desde o início, o Paysandu mostrou um plano de jogo claro. Pressionou a saída de bola azulina, encurtou os espaços no meio-campo e explorou com inteligência as transições ofensivas. O Remo teve dificuldades para articular jogadas e pouco conseguiu produzir de forma consistente. A marcação bicolor sufocou as principais válvulas criativas do Leão, que passou boa parte do clássico correndo atrás da bola.
O 2 a 1 acabou sendo econômico diante do volume de oportunidades criadas pelo Paysandu. Houve chances desperdiçadas e intervenções importantes do goleiro remista. A equipe bicolor soube equilibrar agressividade e controle emocional, sem se desorganizar mesmo após sofrer pressão pontual.
No lado azulino, a derrota teve consequência imediata: a demissão do técnico Juan Carlos Osorio. A trajetória do treinador já vinha cercada de questionamentos, seja pelas constantes mudanças táticas, seja pela dificuldade em dar identidade clara ao time. A final representava a chance de afirmação; o desempenho, no entanto, aprofundou as dúvidas e acelerou o fim do ciclo.
Para o jogo de volta, marcado para o dia 08 de março, o cenário é de tensão e expectativa. O Remo precisará reagir não apenas tecnicamente, mas emocionalmente. A mudança no comando pode produzir um choque anímico, mas há pouco tempo para ajustes estruturais. Em finais, detalhes fazem a diferença, e o Remo terá de encontrar soluções rápidas para equilibrar a disputa.
O Paysandu, por sua vez, chega fortalecido. Trata-se de um time em construção, com vários jogadores jovens que vêm amadurecendo ao longo da competição. Sob o comando de Junior Rocha, a equipe ganhou padrão tático, disciplina e confiança. A vantagem mínima exige cautela, mas o desempenho no Mangueirão oferece bases sólidas para sonhar com a taça.
No fundo, o clássico revelou dois momentos distintos. O Remo segue com foco declarado na Série A, o que ajuda a contextualizar escolhas e prioridades da temporada, embora a torcida não relativize uma final estadual. O Paysandu, ainda em processo de afirmação, parece ter encontrado um caminho coletivo promissor. O duelo do dia 08 não decidirá apenas o campeão paraense de 2026; ele dirá muito sobre identidade, planejamento e capacidade de transformação nos dois principais clubes do estado.
Foto: Rodolfo Marques (Mangueirão – ReXPa)
* O conteúdo do artigo reflete a opinião pessoal da/o colunista









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