Publicado em: 24 de fevereiro de 2026
A escolha da lâmpada deve ir além da potência indicada em Watts. De acordo com o arquiteto João Araújo, docente do curso de Arquitetura e Urbanismo da UNAMA Santarém, o fator determinante para o conforto e o desempenho dentro de casa está na temperatura de cor, medida em Kelvin (K). O índice define se a iluminação estimulará o estado de alerta ou favorecerá o relaxamento.
Segundo o especialista, o número indicado como “K” na embalagem orienta a sensação transmitida ao ambiente. “A temperatura de cor é um dado fundamental. Existe um estigma de que a luz quente (amarela) ilumina menos, mas isso não é verdade. Ela apenas comunica algo diferente ao nosso cérebro”, afirma.
A faixa entre 2700K e 3000K corresponde à chamada luz quente, associada ao descanso. João explica que esse tipo de iluminação se aproxima da tonalidade do sol no início da manhã ou no fim da tarde, favorecendo a preparação do organismo para o sono. Já as lâmpadas acima de 6000K produzem luz fria, que estimula a atenção e mantém o cérebro em estado de alerta, sendo mais adequada para ambientes de trabalho ou procedimentos que exigem precisão.
O arquiteto observa que a rejeição à luz amarela em cidades de clima quente, como Santarém, tem origem histórica. As antigas lâmpadas incandescentes convertiam cerca de 90% da energia em calor. “Talvez isso explique o receio com a luz amarela em climas quentes, pela associação com o calor emitido”, pontua. Com a tecnologia LED, essa emissão térmica é mínima. Por outro lado, o uso predominante de luz branca fria pode conferir ao ambiente aspecto semelhante ao de hospitais ou farmácias.
Em espaços de estudo ou trabalho remoto, a recomendação é combinar diferentes tipos de iluminação. A luz geral deve ser complementada pela iluminação de tarefa, direcionada para áreas específicas, como mesas e bancadas. “A iluminação de tarefa reforça a atenção apenas onde precisamos, como na mesa. É fundamental para não sofrer fadiga visual e dor de cabeça”, orienta João.
A temperatura de cor também interfere na percepção das cores de paredes e mobiliário. Tons muito frios podem alterar a leitura visual do espaço. O arquiteto ressalta, no entanto, que há situações específicas em que a luz mais branca é indicada: “Para idosos, a luz mais branca é recomendável, pois a perda natural da percepção visual na velhice dificulta enxergar tons de azul e verde”.
Em ambientes integrados, como sala e cozinha, a orientação é evitar contrastes abruptos. A sugestão é utilizar entre 2700K e 3000K nas áreas de descanso e adotar luz entre 3500K e 4000K na cozinha, concentrando maior intensidade nas bancadas para reduzir sombras durante o preparo de alimentos.
Para quem busca melhorar o conforto da residência sem grandes investimentos, a simples troca da temperatura das lâmpadas pode alterar a percepção do espaço. João resume a orientação prática: salas de TV e quartos devem utilizar luz quente, entre 2700K e 3000K; banheiros, cozinhas e escritórios funcionam melhor com luz neutra, entre 3500K e 4000K.
Ao final, o arquiteto destaca a importância do equilíbrio na escolha da iluminação doméstica. “A luz certa melhora o ambiente e a sua saúde. É possível ter uma casa funcional e aconchegante ao mesmo tempo, basta saber escolher o Kelvin certo”.









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