Publicado em: 17 de fevereiro de 2026
O Campeonato Paraense de 2026 chega à fase decisiva sob tensão crescente e com sinais claros de desequilíbrio técnico e emocional entre os principais candidatos ao título. A primeira fase foi marcada por oscilações e atuações irregulares, com alguns resultados surpreendentes. Foram seis rodadas movimentas. À medida que as quartas-de-final se aproximam, o Parazão revela fragilidades estruturais e desafios que podem ser determinantes na corrida pelo troféu.
O Paysandu Sport Club sofreu uma derrota incontestável diante do Cametá por 2 a 0, na quarta-feira (11), fora de casa, em uma atuação que expôs limitações defensivas e pouca criatividade ofensiva. O time bicolor foi dominado em intensidade e organização, mostrando dificuldades para reagir diante de um adversário mais compacto e eficiente. O resultado acendeu alertas na Curuzu.
Já o Clube do Remo, na quinta rodada, empatou em 2 a 2 com o Castanhal, na quinta (12), em partida marcada por altos e baixos. O Remo até demonstrou poder de reação, mas voltou a apresentar falhas de posicionamento e dificuldades na recomposição defensiva. O empate reiterou a instabilidade que acompanha a equipe neste início de temporada.
A última rodada da fase classificatória, disputada no domingo (15), confirmou o clima de imprevisibilidade. Além dos confrontos que envolveram os grandes da capital, os seis jogos movimentaram a tabela e definiram os classificados às quartas-de-final. Os resultados consolidaram o avanço de equipes do interior e reforçaram o equilíbrio do campeonato, no qual diferenças mínimas em desempenho e concentração fizeram a diferença.
O Paysandu conseguiu reagir ao vencer o Santa Rosa, em Ipixuna, recuperando parte da confiança abalada. Os gols de Ítalo e Marcinho deram a vitória ao Papão. O resultado garantiu o confronto contra a Tuna Luso Brasileira nas quartas-de-final, nesta quinta-feira (19), na Curuzu. O duelo promete ser tenso, exigindo do clube bicolor maior consistência defensiva e criatividade no meio-campo para evitar novas surpresas.
O Remo, por sua vez, voltou a frustrar seu torcedor ao empatar em casa por 1 a 1 com o Amazônia Independente, novamente com atuação pouco convincente. A equipe azulina mostrou dificuldades na construção ofensiva e pouca intensidade na marcação, sintomas que preocupam às vésperas do confronto contra o Águia, em Marabá, na quarta-feira (18). Jogar fora de casa exigirá postura mais madura e organizada. O treinador do clube, Juan Carlos Osório, tende a manter a mescla na equipe que disputa da competição local, com a prioridade dada à Série A em relação aos principais nomes do elenco.
Nos outros dois confrontos das quartas-de-final, o Capitão Poço surge como favorito em seu duelo contra o Castanhal, enquanto o Cametá, líder da primeira fase, tem boas chances de seguir para as semifinais após o duelo contra o Santa Rosa.
O Parazão 2026 avança para sua fase eliminatória com um cenário aberto e carregado de interrogações. A tradição pesa, mas já não basta. O campeonato exige organização tática, equilíbrio emocional e eficiência, atributos que nem sempre têm acompanhado os favoritos.
Se as quartas confirmarem o tom da primeira fase, o torcedor paraense pode se preparar para emoções intensas e, talvez, para a quebra de expectativas consolidadas.
Fotografia em destaque Henrique Herrera, jornalista (feita no dia 15.02.2026, no Baenão, quando do jogo entre Remo e Amazônia)
* O conteúdo do artigo reflete a opinião pessoal da/o colunista









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