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“Filhos…  Filhos?
Melhor não tê-los!
Mas se não os temos
Como sabê-lo?

Se não os temos
Que de consulta
Quanto silêncio
Como os queremos!

Banho de mar
Diz que é um porrete…
Cônjuge voa
Transpõe o espaço

Engole água
Fica salgada
Se iodifica
Depois, que boa
Que morenaço

Que a esposa fica!
Resultado: filho.
E então começa
A aporrinhação:

Cocô está branco
Cocô está preto
Bebe amoníaco
Comeu botão. 

Filhos?  Filhos
Melhor não tê-los
Noites de insônia
Cãs prematuras
Prantos convulsos
Meu Deus, salvai-o!

Filhos são o demo
Melhor não tê-los…
Mas se não os temos
Como sabê-los?

Como saber
Que macieza
Nos seus cabelos
Que cheiro morno
Na sua carne
Que gosto doce
Na sua boca!

Chupam gilete
Bebem shampoo
Ateiam fogo
No quarteirão

Porém, que coisa
Que coisa louca
Que coisa linda
Que os filhos são!”

(Vinícius de Moraes – Poema enjoadinho)

O 27 é muito especial para mim, por diversas
e agradáveis razões, a principal delas porque nesse dia nasceu a minha flor de
agosto, minha estrela, meu amor, razão do meu viver. Fui abençoada com o
privilégio de ser mãe e de ter uma filha linda – por dentro inclusive -,
sensível, honesta, inteligente, talentosa e multifacetada no sentido de dons
tão belos e delicados quanto a música e a gastronomia.

Por ela – e para ela – é que eu existo e que
gosto de dormir e de acordar, e lembrar com tanta felicidade e transbordante de
amor indescritível, incondicional e infinito, todos os anos, meses, dias,
horas, minutos e segundos que vivemos juntas. E de quantas vezes cantei pra ela
dormir “O Caderno”, de Chico Buarque
e Toquinho, de tantos significados para nós duas! Te amo, filha, feliz
aniversário, que Deus te abençoe, ilumine, proteja e te faça muito feliz, hoje
e sempre!

Sou eu que vou seguir você
Do primeiro rabisco
Até o be-a-bá.
Em todos os desenhos
Coloridos vou estar

A casa, a montanha
Duas nuvens no céu
E um sol a sorrir no papel…
Sou eu que vou ser seu colega
Seus problemas ajudar a resolver
Te acompanhar nas provas
Bimestrais, você vai ver
Serei, de você, confidente fiel
Se seu pranto molhar meu papel…
Sou eu que vou ser seu amigo
Vou lhe dar abrigo
Se você quiser
Quando surgirem
Seus primeiros raios de mulher
A vida se abrirá
Num feroz carrossel
E você vai rasgar meu papel…
O que está escrito em mim
Comigo ficará guardado
Se lhe dá prazer
A vida segue sempre em frente
O que se há de fazer…
Só peço a você
Um favor, se puder
Não me esqueça
Num canto qualquer…

Franssinete Florenzano
Jornalista e advogada, membro da Academia Paraense de Jornalismo, da Academia Paraense de Letras, do Instituto Histórico e Geográfico do Pará, da Associação Brasileira de Jornalistas de Turismo e do Instituto Histórico e Geográfico do Tapajós, editora geral do portal Uruá-Tapera e consultora da Alepa. Filiada ao Sinjor Pará, à Fenaj e à Fij.

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