Em reunião conjunta das Comissões de Fiscalização Financeira e Orçamentária (CFFO) e de Constituição e Justiça (CCJ) da Assembleia Legislativa, nesta segunda-feira (18) foi aprovado o projeto de lei nº 363/2021, que autoriza o Governo do Pará a contratar operação…

Não houve o célebre círio fluvial de Oriximiná no rio Trombetas este ano, por causa da pandemia, mas a imagem de Santo Antônio flanou pelas águas, levada pela comunidade de várzea do Rio Cachoeiry, que celebrou o verão depois da…

Aprender mais sobre as boas práticas Lixo Zero e como aplicá-las no dia a dia, repensando hábitos de consumo e inspirando a população a enxergar os seus resíduos com dignidade é o que propõe a programação que acontecerá entre os…

Aprovado à unanimidade pela Assembleia Legislativa, o projeto de lei nº 245/2021, de autoria do Poder Executivo, dispondo sobre a denominação do Arquivo Público do Estado do Pará, em homenagem ao jurista e professor paraense Zeno Augusto de Bastos Veloso,…

41 anos da Revolução dos Cravos

Quatro versos de «Poemarma», do poeta Manuel Alegre, anunciavam o primeiro comunicado da Revolução: «Que o poema seja microfone e fale uma noite destas de repente às três e tal/ para que a lua estoire e o sono estale e a gente acorde finalmente em Portugal». Mas, também, em «Lisboa perto e longe», a estrofe já cantava, sete anos antes, Lisboa na rua, de cravo vermelho na mão: «Lisboa tem um cravo em cada mão/ tem camisas que Abril desabotoa mas em Maio Lisboa é uma canção/ onde há versos que são cravos vermelhos/ Lisboa que ninguém verá de joelhos.» Passava um pouco da meia-noite daquele 25 de abril de 1974 quando começou a soar na emissora católica de Lisboa “Grândola, Vila Morena”, de Zeca Afonso, proibida pela censura, a senha para o início do levante em Portugal. Era a Revolução dos Cravos. A liberdade chegou com a música e os cravos enfiados pela população nas espingardas dos soldados, encerrando, ao mesmo tempo, 48 anos de ditadura fascista e 13 anos de guerra nas colônias africanas. Artistas, políticos e desertores começaram a retornar do exílio. As colônias receberam a independência. Não houve caça aos responsáveis pela ditadura, e as dívidas do governo anterior foram todas pagas. Os únicos a oferecer resistência foram os agentes da polícia política. Três pessoas morreram no conflito pela tomada do quartel-general.
Ao voltar do exílio em Paris, Mário Soares, o dissidente mais popular do governo Salazar, foi recebido por milhares de pessoas na estação ferroviária de Lisboa. Cravos vermelhos foram jogados de helicóptero sobre a cidade e só se ouvia a famosa canção, que já havia se tornado o hino da revolução. 

Em 1974, Portugal era um país atrasado, isolado na comunidade internacional, embora fizesse parte da ONU e da Otan. Era o último país europeu a manter colônias e vinha travando uma longa guerra contra a independência de Angola, Moçambique e Guiné. O regime de Salazar, iniciado em 1926, havia conseguido se manter através da repressão e fora tolerado pelos países vencedores da Segunda Guerra Mundial.
Antes de abril de 1974, os partidos e movimentos políticos estavam proibidos, as prisões políticas estavam cheias, os líderes oposicionistas estavam exilados, os sindicatos eram fortemente controlados, a greve era proibida, as demissões fáceis e a vida cultural estritamente vigiada. 

Acuado pelo povo e pelos militares, o sucessor de Salazar, Marcelo Caetano, transmitiu sua renúncia por telefone ao líder do movimento, general António de Spínola.
Transportado de tanque ao aeroporto de Lisboa, Caetano embarcou para o exílio no Brasil. Em quase 18 horas, havia sido derrubada a mais antiga ditadura fascista no mundo. A partir de 25 de abril de 1974, começou um processo que consolidou, digamos assim, o Estado de Direito em Portugal, a liberdade de pensamento, de expressão, de reunião. Por outro lado, também permitiu o início da descolonização. O canto e as armas andaram juntos em Portugal e sopraram ventos novos para todo o planeta.

Compartilhar

Share on facebook
Share on twitter
Share on pinterest
Share on vk
Share on tumblr
Share on pocket
Share on whatsapp
Share on email
Share on linkedin

Conteúdo relacionado

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *