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A Vale vai divulgar balanço contábil do segundo trimestre no dia 30. Mas já se sabe que a sua produção de minério de ferro está prestes a alcançar 340 milhões de toneladas em 2015, o que representa aumento de 2,4% sobre as 332 milhões de toneladas da commodity produzidas no ano passado, mesmo em cenário adverso em que os preços, na faixa de US$ 50 por tonelada no mercado à vista da China, acumulam queda de quase 30% do começo de janeiro até esta semana. O volume foi recorde para o período e assegurou a segunda maior produção trimestral da história da companhia, atrás do terceiro trimestre de 2014, quando produziu 85,7 milhões de toneladas. 

Na avaliação da Itaú BBA, é possível que as vendas do produto pela Vale, entre abril e junho, tenham ultrapassado as 80 milhões de toneladas. A corretora tinha estimado um lucro de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) para a Vale no período de US$ 2 bilhões, valor que pode ser superado. No primeiro semestre de 2015, a Vale produziu 166,7 milhões de toneladas de minério de ferro, alta de 6,3%, incluindo a compra de produto de terceiros. 

Em relatório, o Credit Suisse lembrou que, sazonalmente, a produção do primeiro semestre costuma ser mais fraca.
O banco realçou, ainda, o aumento na compra de minério de ferro de terceiros pela Vale no segundo trimestre em momento em que a empresa começa a substituir produtos menos nobres por outros de melhor qualidade. Semana passada, a Vale confirmou que a partir deste mês começará a retirar 25 milhões de toneladas de minério de ferro em Minas Gerais, substituindo essa produção por oferta de maior qualidade com origem em Carajás (PA). 

As quatro maiores fornecedoras do mundo de minério de ferro – Vale, Rio Tinto, BHP e Fortescue Metals Group – vêm aumentando sua fatia no mercado internacional de forma vertiginosa, apesar da crise. Em 2014, já representavam 71% de todos os embarques de minério de ferro, e podem subir para 80% até 2018. De 2009 e 2013 as gigantes eram responsáveis por 65% desses embarques, segundo estimativa do Citi Bank.  

A Vale tenta produzir 450 milhões de toneladas de minério de ferro até 2018, uma alta de mais de um terço em relação à produção da empresa em 2014. É que não quer ceder fatia de mercado às suas rivais, o que aconteceria fatalmente, ao cortar sua produção. As regras contra cartéis, por sua vez, impedem que essas empresas usem sua posição para se unir a fim de restringir a oferta. A Rio Tinto e a BHP dizem que suas expansões, planejadas anos antes, são do melhor interesse para seus acionistas. 

Ontem, a Vale confirmou ao Valor Econômico que foi intimada pela Justiça Federal do Maranhão a suspender as obras de ampliação em trecho da Estrada de Ferro de Carajás, naquele Estado. A mineradora disse que adotará os recursos e medidas cabíveis para restabelecimento das obras.  Mas deveria aproveitar a oportunidade e direcionar a ferrovia para o porto de Vila do Conde, com novos investimentos para escoar sua produção por lá.
Franssinete Florenzano
Jornalista e advogada, presidente da Academia Paraense de Jornalismo, membro da Academia Paraense de Letras, do Instituto Histórico e Geográfico do Pará, da Associação Brasileira de Jornalistas de Turismo e do Instituto Histórico e Geográfico do Tapajós, editora geral do portal Uruá-Tapera e consultora da Alepa. Filiada ao Sinjor Pará, à Fenaj e à Fij.

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