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A Universidade Livre do Marajó (Unilivre Marajó) promoverá, no dia 18 de novembro, o painel “Petróleo na Foz do Amazonas, Mudanças Climáticas e a Dupla Vulnerabilidade do Marajó” às 9h30, na Sala Miritizeiro, na Green Zone da COP30. Serão analisadas, sob múltiplos olhares, os impactos da exploração petrolífera na margem equatorial da Amazônia Azul e os riscos socioambientais que esse projeto representa para o arquipélago do Marajó. A Green Zone tem entrada livre, sem necessidade de credenciamento, mas pede-se ao público que faça a reserva de lugar através do formulário eletrônico.

O encontro reunirá pesquisadores, lideranças comunitárias, representantes da sociedade civil organizada e representação do Ministério Público Federal. O objetivo central é oferecer às populações tradicionais do Marajó instrumentos técnicos e jurídicos para compreender e participar ativamente das decisões sobre a exploração de petróleo na região. O diretor de Projetos da Unilivre Marajó, Rodolfo Pereira, que conduzirá a mesa, explica que a iniciativa busca “levar informação de qualidade diretamente aos comunitários, subsidiando-os tecnicamente para o debate em alto nível que se fará necessário acerca do projeto nacional na margem equatorial da Amazônia Azul”.

Rodolfo Pereira tem longa trajetória em defesa ambiental. Biólogo, mestre em Zoologia e doutorando em Ecologia, atua desde 2002 no serviço público federal. Trabalhou na implementação de reservas extrativistas marinhas no Pará, coordenou o Fórum de Mudanças Climáticas da Secretaria de Meio Ambiente do Estado e participou do processo de candidatura do arquipélago do Marajó como Reserva da Biosfera junto à Unesco. 

Entre os debatedores estão Manoel Potiguar, gerente de projetos do Instituto Peabiru; Nils Edvin Asp Neto, pesquisador da Universidade Federal do Pará (UFPA) e especialista em geomorfologia costeira; e Paulo Torres, presidente da Reserva Extrativista Marinha de Soure (Resex Soure/PA). Um representante do Ministério Público Federal também deve integrar o grupo.

Manoel Potiguar é gerente de Projetos há 15 anos no Instituto Peabiru, OSCIP que atua há 27 anos em projetos socioambientais na Amazônia. Sociólogo, graduado em Ciências Sociais pela UFPA e mestre em Agriculturas Familiares Amazônicas e Desenvolvimento Sustentável (PPGAA/UFPA). Tem experiência em trabalhos com gestão de Unidades de Conservação, em especial com povos e comunidades tradicionais, povos indígenas e quilombolas. Além disso, coordena projetos com foco em fortalecimento de instituições locais e regionais, cadeias de valor de produtos da sociobiodiversidade, acordos comunitários de pesca, educação ambiental, Assistência Técnica e Extensão Rural e diagnósticos socioeconômicos.

Nils Edvin Asp Neto é professor Titular da UFPA onde atua desde 2005, sendo Oceanólogo graduado pela FURG em 1996 com habilitação em Gerenciamento Ambiental, com mestrado em Geologia Marinha (UFRGS – PPGGeo 1999), doutorado em Geologia Costeira (Universidade de Kiel/Alemanha 2004) e pós-doutorados em Geomorfologia Costeira (UNIVALI & WHOI/EUA 2006) e Oceanografia (UW/EUA 2018 e 2024). É Bolsista de Produtividade em Pesquisa do CNPq, tendo publicado mais de 70 artigos e capítulos de livros, em sua ampla maioria em veículos internacionais de elevado impacto. Participa como Professor Permanente dos Programas de Pós-graduação em Biologia Ambiental (PPBA), Geologia e Geoquímica (PPGG) e Oceanografia (PPGOC), tendo orientado dezenas de pós-graduandos. Suas pesquisas focam principalmente na dinâmica sedimentar e geomorfologia costeira, e na gênese e evolução de ambientes da margem continental, especialmente na região da Foz do rio Amazonas.

Paulo Cesar Jesus Torres é pescador artesanal e agente ambiental, com longa trajetória de atuação comunitária no arquipélago do Marajó. Natural de Soure, onde reside, dedica-se há mais de uma década à conservação ambiental e à defesa das populações tradicionais. É voluntário da Reserva Extrativista Marinha de Soure (RESEXMAR Soure), do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), desde 2011, tendo sido posteriormente contratado como Agente Temporário Ambiental entre 2021 e 2024. Com formação em associativismo e cooperativismo, participou de cursos voltados à capacitação ambiental, incluindo Informática Básica, Formação de Brigada em Prevenção e Combate a Incêndios e Condutores de Trilhas Ecológicas. Sua experiência de campo e vínculo direto com as comunidades ribeirinhas fazem dele uma das vozes mais representativas da gestão participativa e da preservação dos recursos naturais na região marajoara

O painel se propõe a discutir de forma equilibrada tanto os riscos ambientais e sociais quanto as possíveis oportunidades associadas à atividade petrolífera. As comunidades marajoaras vivem o que a Unilivre denomina “dupla vulnerabilidade”: de um lado, os impactos das mudanças climáticas que ameaçam os ecossistemas insulares e, de outro, a pressão crescente de empreendimentos econômicos de grande escala, como o petróleo na margem equatorial.

O evento não pretende apenas apontar problemas, mas também indicar alternativas técnicas e jurídicas que permitam decisões informadas antes da concessão de qualquer licença ambiental. A expectativa é que o diálogo contribua para fortalecer o protagonismo das populações tradicionais e garantir que seus direitos e territórios sejam respeitados.

Gabriella Florenzano
Cantora, cineasta, comunicóloga, doutoranda em ciência e tecnologia das artes, professora, atleta amadora – não necessariamente nesta mesma ordem. Viaja pelo mundo e na maionese.

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