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Ontem à tarde tomei um táxi, para fazer o trajeto da Assembleia Legislativa para casa. Há muito desisti de estacionar naquela zona, nunca há vagas e a procura por uma só provoca aflição. A motorista era uma senhorinha de cabelos brancos, alegre e falante, e aí eu quis saber há quanto tempo ela atua no ofício. Contou que nos últimos 26 anos dirige profissionalmente; quando começou a trabalhar na praça, era a segunda mulher taxista em Belém do Pará. Dona Lúcia Lacorte tem ponto na rua dos Timbiras, esquina com a travessa Padre Eutíquio, no bairro de Batista Campos. 

Demostrei minha admiração pelo seu pioneirismo e logo ficamos velhas amigas. Ela confidenciou que tem duas filhas gêmeas, de 36 anos, que ainda não querem lhe dar netos. Adora as redes sociais, vive plugada e antenada, só não tem Instagram, mas o WhatsApp e o Facebook ocupam seu tempo livre. Diverte-se visitando blogs e trocando fotos e mensagens. 

É mais um exemplo de luta a tantas mocinhas. Afinal, o desafio vencido de exercer um ofício tradicionalmente masculino ainda é um grande feito. A crise que assola o País expõe, de novo, de maneira cruel, a desigualdade ocupacional, a diferença de salários e a empregabilidade, além da tripla jornada de trabalho das mulheres. Até quando?
Franssinete Florenzano
Jornalista e advogada, presidente da Academia Paraense de Jornalismo, membro da Academia Paraense de Letras, do Instituto Histórico e Geográfico do Pará, da Associação Brasileira de Jornalistas de Turismo e do Instituto Histórico e Geográfico do Tapajós, editora geral do portal Uruá-Tapera e consultora da Alepa. Filiada ao Sinjor Pará, à Fenaj e à Fij.

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