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A lancha Cat-bam, da empresa Banav, deu pane e ficou à deriva pouco depois de sair do Terminal Hidroviário de Belém com destino à foz do rio Camará, no arquipélago do Marajó, nesta segunda-feira (6) à tarde, com 136 pessoas a bordo. Os passageiros foram resgatados por um navio em movimento, com risco de morte, principalmente as pessoas idosas, crianças, doentes, cadeirantes e com dificuldade de locomoção. Havia até um senhor recém-operado, em pânico. Por outro lado, o navio já transportava 108 pessoas e ficou com superlotação, em plena baía do Guajará. Em nota, o Corpo de Bombeiros Militar do Pará e Coordenadoria Estadual de Defesa Civil informaram que sequer foram acionados para a ocorrência.

No último dia 27 a lancha Lívia Marília, da Arapari Navegação, incendiou com passageiros também nessa rota. A embarcação atracou no trapiche de madeira de uma casa na ilha Arapiranga, até que o Navio Eng. J. Cunha fizesse o resgate. Crianças choravam, em desespero, perguntando aos pais se iriam morrer. Como o navio já tinha 147 passageiros, ao receber os 145 da lancha sinistrada ficou com 292 a bordo, muito além do autorizado. Dezenas de pessoas tiveram que seguir viagem em pé. A embarcação foi suspensa por trinta dias mas a empresa não se dignou a substituí-la por outra em boas condições.

São diários os episódios de embarcações quebradas, à deriva, naufragadas, incendiadas ou no mínimo atrasadas nas viagens das empresas que fazem as linhas intermunicipais para os dezesseis municípios do Marajó, causando temor e sofrimento aos usuários, que além das distâncias amazônicas ainda precisam se sujeitar ao percurso de muitas horas de viagem a mais por conta do transporte obsoleto e perigoso. As empresas cobram passagens caríssimas a uma população que vive abaixo da linha da pobreza, prestam serviço precário e a Agência de Regulação de Transporte, responsável pela fiscalização, tem total conhecimento da situação, que vem se agravando a cada dia, e permanece inerte. O Ministério Público do Estado do Pará, em 2019, chamou a Arcon e as empresas e exigiu a melhoria das embarcações e do sistema de transporte, através de um Termo de Ajustamento de Conduta; mas, ao contrário do compromisso assinado, os serviços só pioraram.

Os transtornos causados atingem profundamente o comércio, o turismo, o setor de serviços, a administração pública e sobretudo a população, que precisa ir à capital para obter atendimento à saúde e outros indisponíveis no arquipélago, onde tudo é pelo menos três vezes mais caro em função do alto custo e do transporte ruim. Um círculo vicioso que condena os marajoaras à própria sorte.

Ao habitantes do arquipélago já fizeram até petição on line, implorando por licitação que atenda o transporte hidroviário para o Marajó com embarcações seguras, higiênicas, confortáveis e modernas, com capacidade real de realizar as viagens dentro dos horários previstos. Os usuários se queixam de que as empresas que detêm o verdadeiro monopólio na rota há décadas ganham fortunas mas nunca investem em suas embarcações para oferecer condições dignas aos passageiros. Os banheiros na maioria delas são imundos, nenhum mecanismo de acessibilidade para pessoas com deficiência, idosos ou com baixa visão, não há coletes suficientes para todos e nenhum para crianças, nem local adequado para guardar malas. As viagens são canceladas ou os barcos ficam à deriva na baía do Marajó, sem qualquer indenização e sequer pedido de desculpas, é constante a falta de respeito às regras de gratuidade, o sucateamento total da frota que opera na linha é um risco real e imediato.

Recentemente, a empresa Arapari promoveu um passeio inaugural para Salvaterra levando mais de dez servidores da Arcon, em “viagem experimental” de Belém a Salvaterra no navio J.Cunha, que não resistiu à primeira viagem e teve que ser rebocado antes de chegar ao Camará, fato presenciado pelos populares que estavam no porto, que divulgaram o que consideraram “piada pronta”.

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