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O telefilme parauara “Teste para Cardíaco”, dirigido por Fernando Segtowick e produzido pela Marahu Filmes, estreia no dia 6 de abril, na sessão Tela Quente (por volta das 22h25), como integrante o projeto Telefilmes Regionais da TV Globo, desenvolvido em parceria com emissoras afiliadas, entre elas a TV Liberal, e aposta em histórias construídas a partir de contextos locais para alcançar o público em escala nacional.

Ambientado em um dos principais espaços simbólicos de Belém, o filme acompanha uma família que enfrenta uma ruptura após um episódio de saúde. A internação de Regina, interpretada por Astrea Lucena, altera a rotina doméstica e econômica do núcleo familiar, que depende de uma barraca no mercado do Ver-O-Peso para sustento. Diante da situação, Alberto, vivido por Diego Homci, assume a responsabilidade de manter as atividades, enquanto precisa lidar com o retorno de Alan, seu irmão gêmeo, interpretado por Tiago Homci, recém-saído da prisão. Domithila Cattete, estrela da adaptação de “Pssica”, de Edyr Augusto Proença, para a Netflix, também faz parte da produção.

A convivência forçada entre os irmãos reabre conflitos não resolvidos e coloca em tensão as relações familiares. A tentativa de preservar o negócio, que atravessa gerações, leva os personagens a retomarem uma trajetória interrompida no futebol. A participação em um campeonato entre feirantes, marcado pela rivalidade histórica entre Remo e Paysandu, funciona como elemento de reencontro e disputa, dentro e fora de campo.

A construção da narrativa combina temas como memória, pertencimento e relações masculinas, a partir de uma abordagem que combina aspectos culturais locais com questões de alcance mais amplo. O diretor Fernando Segtowick indica que a proposta do filme parte da discussão sobre masculinidade, refletida na relação entre os protagonistas e no universo do futebol, ao mesmo tempo em que incorpora referências diretas à cultura da capital parauara. A criação é de Lucia Tupiassu e roteiro assinado por Adriana de Faria.

A estética da produção é orientada pelo ambiente em que a história se desenvolve. A direção de fotografia de Thiago Pelaes, vencedor do prêmio de Melhor Fotografia no Festival de Gramado, explora elementos visuais do Ver-O-Peso, como cores, texturas e materiais presentes nas barracas, além de cenários como campos de futebol e residências com características marcantes da cidade. Esses componentes visuais estruturam a identidade do filme e dialogam com a proposta de valorização do território.

Segundo o cinematógrafo, “temos um carinho muito grande pelo Ver-O-Peso, que, de certa forma, é o coração da história. Isso se reflete na visualidade do filme. Buscamos trazer as cores, as texturas e os elementos do mercado: a madeira das barracas, os peixes, o colorido das frutas e dos ingredientes amazônicos. Essa riqueza visual dialoga com a estética do filme como um todo e aparece também nas escolhas de locação, como o campo de futebol da Florentina e a casa dos personagens, que têm cores vibrantes e muitas texturas. É um encantamento da nossa cultura que transborda na imagem”.

A produtora executiva do telefilme, Tayana Pinheiro, comenta os desafios ao longo das gravações: “Fizemos a pré-produção em dezembro e começamos a gravar já na primeira semana de janeiro, com locações no Ver-o-Peso, em pleno período do aniversário de Belém e durante o nosso inverno amazônico. Tínhamos, em média, 100 pessoas por dia em set, com uma equipe 100% paraense e diversa em vários sentidos, inclusive nas experiências profissionais”.

“Teste para Cardíaco” integra uma iniciativa da TV Globo que busca ampliar a presença de produções regionais na televisão aberta. O projeto Telefilmes Regionais contempla obras realizadas em diferentes estados brasileiros, com equipes locais, e tem como objetivo refletir a diversidade cultural do país por meio de narrativas situadas em seus territórios de origem.

A produtora Marahu Filmes, responsável pelo telefilme, já havia participado do projeto em edição anterior, com a obra “Vatapá ou Maniçoba”, exibida em 2025. “Acredito que também contamos histórias a partir da nossa maneira de produzir. Fazer, pelo segundo ano consecutivo, um telefilme para a Globo, com janela na Tela Quente, diz muito sobre de onde viemos e sobre por que e como escolhemos contar essas histórias”, pontua Tayana Pinheiro.

Antes da estreia na televisão, os filmes do projeto são apresentados em uma sessão especial dentro do programa Big Brother Brasil, no chamado Cine BBB. Em seguida, passam a integrar a programação da Tela Quente, certificando sua circulação junto ao público.

Fotos: Marahu Filmes

Gabriella Florenzano
Cantora, cineasta, comunicóloga, doutoranda em ciência e tecnologia das artes, professora, atleta amadora – não necessariamente nesta mesma ordem. Viaja pelo mundo e na maionese.

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