0
 

Um projeto que nasceu para mapear talentos musicais das periferias de Belém retorna em nova fase, agora ampliado e com foco ainda mais claro na circulação cultural e na profissionalização de artistas locais. O Stereocidade Convida, selecionado pelo Edital nº 005/2025 – Fomento à Circulação de Projetos Culturais da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), propõe a gravação de um EP autoral e a realização de uma mostra musical em um bairro da capital, reunindo músicos que vivem e produzem nas bordas da cidade.

A iniciativa é idealizada pelo jornalista, músico e produtor cultural Ruy Montalvão, conhecido como Montalva, e surge como desdobramento do projeto Stereocidade, realizado em 2023 com apoio da Fundação Cultural do Pará. A proposta mantém o eixo central: identificar, valorizar e dar visibilidade a artistas que atuam em bairros periféricos, criando conexões reais entre a produção local e o mercado cultural.

Nesta nova etapa, o projeto articula uma dinâmica colaborativa. Sete artistas que participaram da edição original convidam outros sete músicos de seus territórios ou de contextos próximos, formando um coletivo de aproximadamente 14 participantes. O resultado será a gravação de um EP com sete faixas inéditas e uma apresentação conjunta, reunindo todos no mesmo palco em um bairro de Belém.

A proposta vai além do registro musical. O Stereocidade Convida busca oferecer experiência de palco, acesso a plataformas digitais, ampliação de público e possibilidade de geração de renda. A iniciativa também prevê medidas de acessibilidade, como intérprete de Libras e audiodescrição durante o show.

A produção musical do novo trabalho contará com direção musical de Argentino Neto, produção de Montalva e finalização (mixagem e masterização) de Marcel Barreto, produtor da Budokaos Records.

Na primeira edição, o Stereocidade reuniu sete artistas de sete bairros da região metropolitana. Com produção de Leo Chermont e coprodução de Montalva, o álbum revelou personalidades reconhecidas em seus territórios.

Participaram nomes como Vinicius Leite, do Jurunas, que levou sua guitarra para a faixa “Minha Terra Firme”, de Beni Oliver, rapper do Movimento Caixa Preta, da Terra Firme. Ruth Clark, da Cabanagem, interpretou “Quem Perdoa é Deus”, em parceria com Montalva. Rafaela Travassos, do Icuí Guajará, integrou três faixas do disco. Jarede Almeida, de Marituba, colaborou com linhas de baixo em grande parte do álbum, enquanto Nixon Jr., do Benguí, participou em “Boi Juruguá”, de Margoal, representante do Guamá.

Para a nova fase, sete artistas foram indicados:

Bah (Jurunas), que transita entre Indie Pop, Lo-fi e Rock Alternativo, abordando temas de amor, cura e autodescoberta;

Caio Tobit (Pedreira), músico e arte-educador com produção marcada pelo hibridismo musical;

Sara Nortx (Terra Firme), artivista e rapper com trajetória no Hip Hop e atuação em batalhas femininas e LGBTQIAPN+;

Vando Novaes (Benguí), artista e agente cultural ligado à cultura popular e ao Grupo Folclórico IACÁ Luterana;

Nícolas Maciel (Marambaia), rapper, beatmaker e produtor, com trajetória no Trap e no Hip Hop independente;

Tonynho (Pratinha), jovem cavaquinista em formação pela UFPA, com experiências ao lado de nomes da cena regional;

Black MC (Icuí Guajará), MC com trajetória consolidada nas batalhas de rima e projetos autorais no Hip Hop.

Montalva afirma que o projeto está diretamente ligado à sua trajetória de registro da cena musical local, iniciada ainda nos anos 2000, quando integrou o Coletivo Rádio Cipó ao lado de nomes como Dona Onete e Mestre Laurentino.

“Faço parte da cena musical de Belém, desde o fim dos anos 1990 e, ao longo desse período, integrei diversas bandas, como Mangabezo e Patato Maman. No início dos anos 2000, tive a honra de participar do Coletivo Rádio Cipó, a convite de Carlinhos Vaz e do venezuelano Erik Martinez. Foi ali que aprendemos a usar equipamentos eletrônicos tanto para gravação quanto para apresentações ao vivo, o que representou uma mudança profunda na forma de produzir e pensar música. Em 2004, começo a trabalhar como radialista na Funtelpa (Rádio Cultura do Pará), o que me permitiu em paralelo aos trabalhos do Coletivo Rádio Cipó, ter acesso a um manancial sonoro infinito naquele momento. Na Rádio Cipó, também tivemos a oportunidade de conviver e compor com mestres da cultura popular, além de revelar artistas que ainda não tinham projeção, como Dona Onete e Mestre Laurentino. O Stereocidade Convida nasce dessa mesma vontade: garimpar, registrar e documentar artistas talentosos que sempre estiveram próximos, com trabalhos potentes, mas muitas vezes restritos às suas cenas específicas”, comenta.

O projeto é realizado com recursos do Edital nº 005/2025, executado pela Secretaria de Estado de Cultura (Secult-PA) e pela Fundação Cultural do Pará (FCP), em parceria com a FADESP.

Gabriella Florenzano
Cantora, cineasta, comunicóloga, doutoranda em ciência e tecnologia das artes, professora, atleta amadora – não necessariamente nesta mesma ordem. Viaja pelo mundo e na maionese.

“FALA” amplifica vozes femininas amazônidas em apresentações gratuitas

Anterior

Clínica transforma acesso à saúde especializada no interior do Pará

Próximo

Você pode gostar

Mais de Cultura

Comentários