Publicado em: 23 de março de 2026
A relação entre música e tecnologia será tema de uma oficina gratuita que propõe ampliar o acesso a ferramentas digitais e eletrônicas voltadas à produção sonora. Com inscrições abertas até 29 de março, a atividade “Sons, Códigos e Circuitos: oficina criativa com música e tecnologia” começa no dia 1º de abril e segue com encontros semanais até o fim do mês, sempre às quartas-feiras, às 9h30, no Laboratório Multimídia do anexo do Ateliê da Faculdade de Artes Visuais (FAV) da Universidade Federal do Pará (UFPA). As inscrições podem ser feitas através do formulário eletrônico.
Voltada a artistas, músicos, estudantes e interessados em experimentações entre som e tecnologia, a proposta busca aproximar participantes de práticas que unem programação, eletrônica e criação artística. A iniciativa é conduzida por Leonardo Pratagy, músico, cantor e artista-pesquisador, e por Flávio Siqueira, engenheiro da computação e artista-pesquisador, ambos parauaras.
O conteúdo da oficina inclui introdução à linguagem de programação PureData (software livre que permite criar e manipular sons por meio de programação visual com blocos interligados), conceitos de computação embarcada com uso da plataforma Arduino (plataforma de hardware e software aberto que permite criar dispositivos eletrônicos interativos com sensores e atuadores) e aplicação de sensores, como os de distância e temperatura. A abordagem prioriza soluções de baixo custo, com foco em práticas acessíveis e replicáveis.

Segundo Pratagy, a atividade propõe ampliar a percepção sobre o que pode ser considerado instrumento musical. “Quando a gente fala em música eletrônica, é comum pensar em sintetizadores e equipamentos caros. A ideia da oficina é trabalhar, justamente, com componentes baratos e de fácil acesso, que ‘hackeiam’ dispositivos e circuitos elétricos para produzir sons. Essa corrente ‘faça você mesmo’ é proveniente de pioneiros da música experimental, como John Cage, Pauline Oliveros e, no Brasil, Walter Smetak foi um dos maiores expoentes”, considera.
A proposta pedagógica contempla participantes com diferentes níveis de experiência, incentivando o desenvolvimento prático de habilidades em programação e eletrônica aplicadas à arte. Entre os resultados esperados estão a criação de dispositivos sonoros interativos, como microfones à prova d’água e sintetizadores que respondem a estímulos como luz e movimento.
De acordo com Siqueira, a oficina pretende expandir as possibilidades criativas dos participantes. “O intuito da oficina é ensinar, apresentar e experimentar o processo criativo que se encontra na interseção entre artes visuais, música e tecnologia, de modo que os participantes possam somar o aprendizado e as técnicas que obtiveram durante a oficina em suas obras para, assim, explorar novas camadas em suas produções. Um artista visual, por exemplo, pode acrescentar uma camada de interação sonora para aprofundar o tema que quer debater em sua obra; já um produtor musical pode utilizar os sons gerados pelos circuitos apresentados na oficina para criar sonoridades em suas produções musicais”, detalha.
A ação integra um conjunto de iniciativas que buscam democratizar o acesso à tecnologia no campo artístico, promovendo a experimentação como ferramenta de inovação. A oficina é realizada pelo Selo Caquí, em parceria com o Lab Techné — coletivo de arte e tecnologia coordenado por Val Sampaio — e com a Faculdade de Artes Visuais da UFPA.
O projeto conta com patrocínio da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB), por meio da Fundação Cultural do Pará, vinculada ao Governo do Estado.
Fotos: Acervo Pessoal / Divulgação









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