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Um diagnóstico recente sobre a eficiência dos sistemas de abastecimento nas capitais brasileiras revela um cenário distante das metas nacionais de qualidade na gestão hídrica. Entre as 27 capitais do país, apenas duas alcançaram o padrão de excelência previsto na Portaria nº 490/2021, do Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR), que estabelece como limite aceitável, até 2034, perdas de no máximo 25% na distribuição e 216 litros por ligação por dia.

As perdas de água, que incluem vazamentos nas redes, falhas de medição e consumos irregulares, representam desperdício de recurso natural, elevação de custos operacionais e impacto direto na tarifa paga pela população. Além disso, pressionam o meio ambiente ao exigir maior captação de água para suprir um sistema ineficiente.

O levantamento do Instituto Trata Brasil, com base nos dados do Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico (SINISA) de 2023, aponta que a média de perdas na distribuição nas capitais brasileiras chegou a 39,52%, um patamar significativamente acima do limite estabelecido pela portaria federal.

Apenas Goiânia (GO) e Teresina (PI) conseguiram registrar índices inferiores a 25%, com 12,68% e 24,20%, respectivamente, situando-se dentro do padrão de excelência.

Quando analisado o indicador de perdas por ligação, que mede o volume de água desperdiçado por unidade atendida, o cenário é igualmente preocupante. Somente três capitais ficaram abaixo da meta de 216 litros por ligação por dia: Goiânia (GO), Palmas (TO) e Teresina (PI). A média das capitais, entretanto, foi de 595,83 litros por ligação por dia, mais que o dobro do limite recomendado.

O estudo destaca que o desperdício de água não se restringe à ineficiência técnica. Ele implica custos maiores de produção, encarece o sistema como um todo e compromete a sustentabilidade da gestão hídrica. Quanto maior a perda, maior a necessidade de captar água em mananciais, pressionando os ecossistemas e elevando os gastos operacionais das concessionárias.

Reduzir esses índices, portanto, não significa apenas melhorar a gestão, mas ampliar a disponibilidade de água no próprio sistema já existente, sem a necessidade de buscar novas fontes de captação.

O levantamento estima que, caso as capitais consigam reduzir as perdas físicas aos níveis previstos pela portaria (25%), seria possível liberar volume de água suficiente para abastecer mais de 8 milhões de pessoas, considerando o consumo médio per capita informado ao SINISA em 2023.

Somada à população já atendida, essa melhoria permitiria que 21 das 27 capitais alcançassem mais de 99% de cobertura no abastecimento de água potável, utilizando essencialmente a água que hoje é desperdiçada.

Gabriella Florenzano
Cantora, cineasta, comunicóloga, doutoranda em ciência e tecnologia das artes, professora, atleta amadora – não necessariamente nesta mesma ordem. Viaja pelo mundo e na maionese.

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