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Servidor cria espaço cultural na Alepa

Alexandre Galvão, Analista Legislativo da Alepa, lotado na Diretoria do DBES (Departamento de Bem-Estar Social), especialista em Design Gráfico, tomou uma bela iniciativa que merece prosperar. Embora a Casa não disponha de espaço adequado, encarou a burocracia, a descrença de alguns chefes em abraçar a causa, conversou como o pessoal da comissão do acervo histórico – que deu a sugestão de denominar o projeto Espaço Cultural Ângelo Custódio -, e realizou assim a primeira exposição sobre… Ângelo Custódio. Foi a Cametá escarafunchar o Museu Histórico do Município, à biblioteca, ao Cemitério da Soledade, à igreja e à Câmara de Diretores Lojistas, a fim de investigar e aprender um pouco sobre a vida do personagem. Retornou com vídeos, textos, fotos. Em sequência, escreveu o projeto museológico do espaço cultural e o projeto museográfico da primeira exposição. Pediu para a Seurb uma réplica da placa da rua Ângelo Custódio para integrar a mostra e instalar uns pontos de luz adicionais onde iria ser montada. Mesmo sem apoio, não desistiu. Teve que bancar tudo sozinho mas conseguiu montar a exposição, embora menor do que o planejado. E já iniciou as pesquisas para a segunda mostra do Espaço Cultural. 

Ângelo
Custódio se insere como vulto histórico da Cabanagem que, segundo o historiador
Caio Prado Júnior, “foi o mais
notável movimento popular do Brasil”.
Nasceu em Cametá, filho de Francisco Custódio
Correa e Joana Medeiros Correa, no ano de 1804, e em 1821, aos 17 anos de idade,
foi estudar em Paris, onde se formou em Direito. Ao regressar ao Pará,
encontrou os ânimos exaltados, com o prenúncio da Cabanagem. Seu pai foi à
primeira vítima do movimento, assassinado em Cametá exatamente na noite do
casamento de sua filha. Em 1834, Ângelo Custódio se elegeu o deputado mais
votado, sendo pela Constituição vice-presidente da Província. Quando o movimento
cabano se apoderou de Belém e assassinaram o presidente da Província, Bernardo
Lobo de Sousa, assumiu o comando através de Félix Clemente Malcher.
Com o fim de restabelecer a legalidade e dar posse a Ângelo Custódio Correa,
dois navios de guerra vieram do Maranhão sob o comando de Pedro Cunha. Quando Ângelo Custódio viajava de Cametá para pegar um dos navios, aconteceu
uma emboscada dos cabanos, da qual saiu ileso. Como Vinagre se recusava a
entregar o governo e as forças de Pedro Cunha fracassaram, Ângelo Custódio se
homiziou em Cametá, baluarte da resistência anticabana, bem defendida pelo
padre Prudêncio, e lá instalou o seu governo legal paralelo até que as forças
imperiais chegassem com meios suficientes para expulsar os cabanos, o que durou
de 15 de maio de 1835 a 13 de maio de 1836. Cametá foi, assim, a capital no
período.
Ângelo Custódio foi deputado parlamentar nacional
por três Legislaturas, exerceu a presidência da Província interinamente por
duas vezes, sendo que na última vez que assumiu faleceu no dia 25 de julho de
1855, a bordo do navio que o levava de Cametá para Belém, vítima da cólera morbus,
que dizimou seus conterrâneos em terrível epidemia. O Imperador Dom Pedro II agraciou
sua mulher com o título de Baronesa de Cametá.

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