Publicado em: 20 de novembro de 2025
O penúltimo capítulo da Série B 2025 expôs, outra vez, o contraste entre ambição e fracasso no futebol paraense. Na sexta-feira (14), em jogo isolado da rodada 37, Paysandu e Amazonas-AM empataram em 2 a 2, num duelo marcado muito mais pela ruindade coletiva do que por competitividade. O Papão, já entregue ao próprio destino, ofereceu uma atuação abaixo da crítica. O Amazonas, por sua vez, confirmou o rebaixamento – um “abraço de afogados” entre dois projetos que naufragaram antes mesmo do fim.
A temporada bicolor, que culminou na queda para a Série C de 2026, será lembrada como uma lição dura. Não faltaram alertas durante o ano, mas a diretoria e o departamento de futebol foram incapazes de evitar o desastre. Planejamento raso, escolhas equivocadas e falta de competência pavimentaram a estrada que levou o Paysandu ao fundo do poço. A Curuzu, outrora palco de resistência e grandes histórias, assistiu à derrocada silenciosa de um clube que é o mais vitorioso da Região. O próximo ano precisar ser o ano de reconstrução – e Papão parece dar os primeiros passos neste sentido, fora de campo.
Se o Paysandu não tem mais nada a fazer na competição, o Remo começa a viver o drama decisivo do outro lado da tabela. No sábado (15), em Florianópolis, o Remo foi dominado e derrotado pelo Avaí-SP por 3 a 1. Depois de oito jogos de invencibilidade sob o comando de Guto Ferreira, incluindo uma arrancada impressionante de seis vitórias, a equipe azulina viu seu embalo frear justamente na reta final. Nas últimas três rodadas, somou apenas dois pontos.
O Remo chega à última rodada com 59 pontos e 15 vitórias, na sexta posição, ainda vivo, mas sem margem para erros. À sua frente, o Coritiba já garantiu o acesso com 65 pontos e caminha para o título. O Athletico-PR segue firme com 62, praticamente assegurado na Série A – e com chances remotas de levar o troféu. Criciúma e Goiás, ambos com 61 pontos, ocupam o terceiro e o quarto lugares, respectivamente, em condições favoráveis para confirmar o retorno à elite – dependendo apenas de seus próprios esforços. A Chapecoense-SC, aliás, está com 59 pontos e precisa vencer o Atlético-GO para se manter na briga. O Criciúma viaja à Arena Pantanal podendo garantir o acesso até com um empate – embora não seja garantido.
O cenário torna ainda mais dramático o confronto direto entre Remo e Goiás, no dia 23, no Mangueirão. Para seguir sonhando, o Leão precisa vencer – qualquer outro resultado o elimina da disputa. Mas mesmo o triunfo não basta. O azulino depende de um tropeço alheio: derrota do Criciúma, ou derrota da Chapecoense, ou ainda um empate entre Chapecoense e Atlético-GO. Nada impossível no futebol, mas tudo muito apertado para corações já cansados.
A próxima semana encerra a Série B nesta temporada: o Paysandu já rebaixado reorganiza seus escombros, enquanto o Remo leva ao limite a esperança de toda uma torcida. No turbilhão dos bastidores, dirigentes, treinadores e jogadores se preparam para a batalha final, que pode entrar para a história do futebol paraense. Em um campeonato tão imprevisível, resta a pergunta que ecoa pelas ruas de Belém, capital da COP-30 e capital federal até 21 de novembro: quem vencerá o último duelo da corrida pelo acesso?
Foto: Arquivo pessoal (estádio da Ressacada, em Florianópolis-SC)








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