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O papel das mulheres na produção científica desenvolvida na Amazônia será tema de um seminário realizado no Campus de Pesquisa do Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG), em Belém, na próxima quinta-feira, 12 de março. Intitulada “Ciência, substantivo feminino”, a programação acontecerá das 10h às 12h no auditório Paulo Cavalcante e é aberta ao público, com emissão de certificados para participantes.

A iniciativa integra as atividades alusivas ao Dia Internacional das Mulheres e pretende discutir a presença feminina na ciência produzida na região amazônica, abordando tanto trajetórias históricas quanto desafios contemporâneos relacionados à participação de pesquisadoras nas diferentes áreas do conhecimento.

Organizado pela Coordenação de Museologia do Museu Goeldi, o encontro será estruturado em duas mesas de debates. As discussões incluem reflexões sobre cientistas pioneiras que marcaram a história da pesquisa na Amazônia, além de perspectivas sobre o futuro da atuação feminina na produção científica regional.

A abertura do seminário será conduzida pela coordenadora do Programa de Pós-Graduação do Museu Goeldi, Marlúcia Bonifácio Martins. Ao comentar a proposta do evento, a pesquisadora ressaltou a necessidade de ampliar o reconhecimento das contribuições femininas em diferentes campos do saber. Segundo ela, “a inteligência feminina perfaz todo o processo de construção da sociedade, mas costuma ser invisibilizada. Infelizmente, há percepções de menos valia do feminino que, muitas vezes, leva à violência contra as mulheres”.

A primeira mesa do seminário será dedicada à análise histórica da participação feminina na produção científica na Amazônia. O debate examinará a atuação de pesquisadoras que desempenharam papéis relevantes na consolidação de estudos sobre a região.

Entre as cientistas que terão suas trajetórias apresentadas está a ornitóloga alemã Emília Snethlage, que viveu entre 1868 e 1929. Reconhecida por sua contribuição à zoologia e à pesquisa amazônica, Snethlage tornou-se a primeira mulher a dirigir uma instituição científica na América do Sul, tendo exercido a direção do próprio Museu Goeldi.

Também será abordada a trajetória da geóloga e paleontóloga Carlota Maury, pesquisadora nascida em 1874 e falecida em 1938, conhecida por estudos relacionados à paleontologia e à geologia.

Além dessas biografias, o debate incluirá reflexões sobre a participação feminina nas pesquisas arqueológicas desenvolvidas na Amazônia.

Essa mesa contará com apresentações da professora Diana Alberto, da Faculdade de Turismo da Universidade Federal do Pará (UFPA), que discutirá o perfil biográfico de Emília Snethlage; de Heloisa Moraes, vinculada à Coordenação de Comunicação e Extensão do Museu Goeldi, responsável pela apresentação sobre Carlota Maury; e de Cássia Rosa, da Secretaria de Estado de Cultura (Secult), que tratará da atuação de mulheres na arqueologia amazônica. A mediação será conduzida por Lis Stegmann, da Secretaria de Educação do Museu Goeldi.

A segunda mesa abordará desafios e perspectivas relacionadas à continuidade e expansão da participação feminina na produção científica na Amazônia.

Participarão dessa discussão Helen Suany Miranda, vinculada ao Programa de Pós-Graduação em Diversidade Sociocultural do Museu Goeldi, e Milene Tavares, da Secretaria de Estado de Educação (Seduc). A mediação será realizada por Mayara Larrys, integrante da Secretaria de Educação do Museu Goeldi.

Segundo Marlúcia Martins, a história institucional do Museu Goeldi registra diversas contribuições de pesquisadoras que atuaram na instituição ao longo de sua trajetória científica. Para ela, a valorização dessas trajetórias pode estimular novas gerações de cientistas.

A pesquisadora destacou que figuras como Emília Snethlage permanecem relevantes para a ciência atual. De acordo com ela, “Vamos usar como ícone a Emília Snethlage, uma cientista importante desde o início do século 20. Ainda hoje, seus trabalhos repercutem nas coleções científicas e nos registros etnográficos”.

Ela acrescentou que a presença feminina na ciência amazônica não deve ser tratada como exceção, mas como parte integrante da produção de conhecimento. Segundo Marlúcia, “Creio que a Emília e tantas outras que passaram pelo Museu Goeldi nos seus 160 anos são incentivos para que as jovens e as meninas entendam que as suas presenças no mundo da ciência não devem ser algo excepcional, e sim, reflexos das suas vocações”.

A coordenadora também ressaltou que o museu mantém uma política institucional de estímulo à participação feminina na pesquisa científica. Conforme afirmou, “as portas do MPEG estão abertas para todas as mulheres”.

(Janine Valente/MPEG)

Programação:

Seminário: “Ciência, substantivo feminino”
Tema: A contribuição das mulheres para a ciência na Amazônia

10h00 – Abertura
Marlúcia Bonifácio Martins (COPPG/MPEG)

10h15 – Mesa 1: Perspectiva histórica da atuação feminina na ciência amazônica

  • Diana Alberto (FACTUR/UFPA) – Perfil biográfico: Emília Snethlage
  • Heloisa Moraes (COCTE/MPEG) – Perfil biográfico: Carlota Maury
  • Cássia Rosa (SIMM/SECULT) – Mulheres na Arqueologia Amazônica
    Mediação: Lis Stegmann (SEEDU/MPEG)

11h15 – Mesa 2: O futuro das mulheres cientistas na Amazônia

  • Helen Suany Miranda (PPGDS/MPEG)
  • Milene Tavares (SEDUC)
    Mediação: Mayara Larrys (SEEDU/MPEG)

Foto em destaque: Woltaire Masaki/MPEG

Gabriella Florenzano
Cantora, cineasta, comunicóloga, doutoranda em ciência e tecnologia das artes, professora, atleta amadora – não necessariamente nesta mesma ordem. Viaja pelo mundo e na maionese.

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