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Sem saída

O deputado Sefer chegou ao plenário para depor na CPI da Pedofilia do Senado, hoje, na Alepa, precedido de seus filhos, sobrinhos, pai e cunhado. Alegou ser vítima de um linchamento moral, sem chances de defesa e, como já se suspeitava, lançou acusações escabrosas à criança vítima: disse que ela tinha abusado sexualmente de uma criança de 8 anos – neto de sua empregada doméstica de confiança (!) – e repetiu o que já tinha dito na tribuna: que a menina não estudava, que saía e voltava tarde da noite, que tinha maus costumes, que tentara devolvê-la várias vezes à família.
Os senadores demoliram suas alegações: questionaram a guarda, concedida sem visita nem parecer de assistente social, o tratamento de empregada a quem era tida “como filha“, a falta de cuidado com uma criança, que jamais poderia ter as chaves de casa e chegar altas horas da noite, como ele alega. O juiz José Maria Teixeira do Rosário será convidado a depor, e o Ministério Público será oficiado para informar se foi chamado a se manifestar no processo de guarda.
Os senadores questionaram também o fato de, antes da menor SBG, duas outras crianças terem sido levadas para a casa do deputado, em circunstâncias não esclarecidas, sem guarda nem adoção.
Sefer se defendeu dizendo que não sabia que precisava ter autorização judicial para manter crianças em seu poder, e Magno Malta bateu no fígado ao lembrar que Sefer é um deputado no 6º mandato, médico, homem rico e esclarecido, “uma águia”, e relatar que é pai adotivo e levou um ano e meio só para obter a guarda provisória de sua filha que tem agora oito anos – foram “n” visitas de assistentes sociais, laudos, observação sobre o amor entre o casal adotante e a criança, em contraste com o caso de Sefer. Além disso – questionou – se a criança era tida como filha, porque teria sido devolvida como um objeto? Se fosse filha natural, a quem seria entregue, sob o argumento de desobediência às normas?

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