Publicado em: 10 de abril de 2026
O secretário de Estado de Igualdade Racial e Direitos Humanos, Miriquinho Batista, outorgou hoje (10) a Comenda Egídio Machado Sales Filho de Defesa dos Direitos Humanos a Nilma de Melo Bentes; Aldalice Otterloo; Jarbas Vasconcelos do Carmo; Edilza Joana Oliveira Fontes; Sandra Suely Moreira Martins Lurine Guimarães; Eneida Guimarães Santos; Claudelice Silva dos Santos; Vera Lúcia Marques Tavares; Antonio Roberto Figueiredo Cardoso, ao cursinho popular “João W. Nery” e a Cezar Morais Leite (in memoriam), assassinado em 1980, no campus da UFPA em Belém, dentro de uma sala de aula.
A irmã de Cezar, médica Sandra Leite, fez um agradecimento emocionante, em nome de sua família. “A gente sabe que nosso país passou por toda uma fase pós-ditadura, e o que vem depois dessa fase ninguém conhece. Para alguns é só uma etapa de um governo militar. E, muitas vezes, não imaginam o transtorno na vida das pessoas. Meu irmão gostava muito de música; era peladeiro, também. Foram muitas dificuldades que nós passamos. Sou muito agradecida à professora Edilza Fontes por tudo o que ela fez de trazer de memória, e também ao Miriquinho Batista, que além de ser um defensor dos direitos humanos era amigo do meu irmão e foi testemunha ocular do crime. Para nós, é uma satisfação de ter esse reconhecimento. Pela primeira vez, a UFPA vai entregar um diploma post mortem e reconhecer o que ocorreu”, declarou.
A honraria leva o nome do advogado, professor e militante dos direitos humanos Egídio Machado Sales Filho, falecido em 2020, aos 67 anos, cuja vida foi dedicada à academia e à advocacia voltada para o exercício da defesa intransigente da justiça e dos direitos humanos. A irmã de Egídio, advogada Ângela Sales, vice-presidente da Academia Paraense de Letras Jurídicas, ex-presidente da OAB-PA e conselheira federal da OAB, representou a família na solenidade.
“Egidinho” ou “Kid Bujaru”, como era chamado carinhosamente pelos amigos, ingressou no curso de Direito em 1971, ainda no antigo casarão do Largo da Trindade. Em conjunto com um grupo de estudantes fundou o primeiro Diretório Central de Estudantes da UFPA depois que haviam sido fechados pela ditadura. Um dos fundadores da Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos (SDDH), professor de Direitoda Universidade Federal do Pará, foi vice-presidente da OAB-PA, Procurador-Geraldo Município de Belém, membro da Academia Paraense de Letras Jurídicas, colaborador do “Projeto Brasil Nunca Mais”, que denunciou casos de tortura na época do regime militar, e presidiu a Comissão Estadual da Verdade.


















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