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O Brasil tem a polícia que mais mata e a que mais morre. A política e a sociedade até hoje não foram capazes de propor uma estrutura moderna, que responda com eficácia aos desafios sociais e de justiça criminal. Pois acreditem: ao invés de se preocupar com o tráfico de drogas, as milícias e asfacções criminosas que controlam parte da população, submetida ao terror, a corregedoria da Polícia Militar do Pará abriu um PAD – Procedimento Administrativo Disciplinar contra um lindo casal de Cabos da corporação que fez ensaio fotográficofardado para registrar a doce espera de seu primeiro bebê. Imagem que humaniza a PMPA e suscita bons sentimentos na população está sendo usada, como se fosse criminosa, para punir policiais que ousaram externar seu amor.

Uma sociedade minimamente civilizada precisater mecanismos para afastar a violência dos modos de solucionar conflitos, mas a violência explode no trânsito, nas redes sociais. Por trás disso, há conflitos de classe, criminalização da pobreza, racismo estrutural. Quando as pessoas percebem que as instituições não funcionam, querem fazer justiça com as próprias mãos. E, quando essas mãos estão armadas, o cenário se torna ainda pior.

O crime organizado se sustenta com medo, armas, drogas e violência. Tanto o tráfico quanto a milícia são parasitas do Estado. Ambos são máfias.Temos políticas públicas muito frágeis e simplórias, ninguém quer mexer com as estruturas. Segurança é um conceito muito maior, envolve educação, cultura, família, oportunidades. E a chance de policiais se amarem e se deixarem fotografar, felizes por constituírem uma família.

Franssinete Florenzano
Jornalista e advogada, membro da Academia Paraense de Jornalismo, da Academia Paraense de Letras, do Instituto Histórico e Geográfico do Pará, da Associação Brasileira de Jornalistas de Turismo e do Instituto Histórico e Geográfico do Tapajós, editora geral do portal Uruá-Tapera e consultora da Alepa. Filiada ao Sinjor Pará, à Fenaj e à Fij.

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