Publicado em: 9 de abril de 2026
Ninhos azuis, tecidos com resíduos de redes de pesca que os pássaros recolhem, estão ficando muito frequentes na Vila de Pescadores de Ajuruteua, em Bragança, e em muitas praias no Pará.
Biólogos e ecologistas têm documentado o aumento crescente de ninhos construídos com detritos marinhos, especialmente fibras sintéticas de redes de pesca, fios de nylon e tiras de sacolas plásticas. O perigo de estrangulamento é enorme, pois podem se enrolar nas patas, asas ou pescoço das aves, e como o material não se rompe, o animal acaba morrendo de exaustão ou fome. Conforme o filhote cresce, um fio de plástico preso a um membro também funciona como um torniquete, interrompendo a circulação e levando à perda de membros ou à morte por infecção.
Ademais, ninhos naturais são projetados para oferecer um microclima ideal (equilíbrio entre isolamento e ventilação). O plástico não permite que a umidade escape. Se o ninho molhar, a água pode ficar retida, causando hipotermia nos filhotes.
Na Amazônia, o plástico eleva a temperatura interna do ninho a níveis letais, “cozinhando” literalmente os ovos ou os filhotes, além do que a presença de plástico no ninho aumenta drasticamente a chance de ingestão acidental. Filhotes podem confundir com alimento, bicar e engolir fragmentos coloridos de microplásticos, que liberam aditivos químicos (como bisfenóis e pfalatos), absorvíveis pela pele sensível dos filhotes ou através da ingestão, afetando o desenvolvimento hormonal e o sistema reprodutivo a longo prazo.
Há também aumento da predação. A camuflagem é a principal defesa de um ninho na natureza. Plásticos com cores vibrantes (azul, branco, vermelho) tornam o ninho extremamente visível para predadores como gaviões, serpentes e mamíferos arbóreos, que normalmente não notariam um ninho feito apenas de gravetos e fibras secas.
O acúmulo de redes de pesca descartadas é um dos maiores poluentes dos oceanos. Quando as aves recolhem esses fios nas praias, elas estão, involuntariamente, concentrando poluição plástica em locais de reprodução. Por outro lado, o uso de “ninhos de rede” é um indicador biológico da saúde dos oceanos. Em muitas ilhas remotas, pesquisadores encontram ninhos que contêm mais plástico do que material orgânico.
Quem estiver em uma praia e encontrar redes de pesca deve recolhê-las e descartá-las em locais adequados (ou pontos de reciclagem), evitando que entrem no ciclo reprodutivo da fauna local.










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