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O Brasil é um dos países que mais perderam vegetação urbana nas últimas décadas, e não por acaso 87% da população vive em cidades cada vez mais quentes e impermeáveis. Apesar de ter sediado a COP30, a Amazônia ainda não planeja seu paisagismo e 33,7% dos brasileiros vivem em ruas sem qualquer árvore. A Região Norte tem o maior percentual de cobertura vegetal urbana (39,6%), mas boa parte é remanescente florestal, não planejada. O Sudeste tem a menor proporção (22,6%), reflexo da ocupação densa. Não à toa as cidades enfrentam ilhas de calor cada vez mais intensas; perda de biodiversidade; enchentes, alagamentos e deslizamentos; poluição sonora e atmosférica em níveis críticos; e desigualdades socioambientais.

Esses dados são do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, que lançou o Plano Nacional de Arborização Urbana, o primeiro instrumento federal criado exclusivamente para orientar e estruturar a arborização das cidades brasileiras. O PlaNAU integra o Programa Cidades Verdes Resilientes e dialoga com agendas globais ligadas ao clima, biodiversidade e justiça socioambiental. Foi concebido a partir do entendimento de que a arborização precisa ser tratada como política pública de saúde e infraestrutura, não apenas ambiental e turística.

A ideia é inserir o verde nas ruas estreitas e priorizar a manutenção preventiva nas áreas mais pobres, com metas nacionais até 2045. Inspirado na “Regra 3-30-300”, o PlaNAU estabelece que 65% da população deve viver em ruas com pelo menos três árvores — inclusive em favelas, periferias e bairros vulneráveis, e todos os municípios têm que ter instrumentos de planejamento. Hoje, a maioria não tem plano, equipe, nem estrutura técnica.

O plano estabelece 20 diretrizes nacionais e 93 ações distribuídas em seis eixos estratégicos:

O Brasil é um dos países que mais perderam vegetação urbana nas últimas décadas, e não por acaso 87% da população vive em cidades cada vez mais quentes e impermeáveis. Apesar de ter sediado a COP30, a Amazônia ainda não planeja seu paisagismo e 33,7% dos brasileiros vivem em ruas sem qualquer árvore. A Região Norte tem o maior percentual de cobertura vegetal urbana (39,6%), mas boa parte é remanescente florestal, não planejada. O Sudeste tem a menor proporção (22,6%), reflexo da ocupação densa. Não à toa as cidades enfrentam ilhas de calor cada vez mais intensas; perda de biodiversidade; enchentes, alagamentos e deslizamentos; poluição sonora e atmosférica em níveis críticos; e desigualdades socioambientais.

Esses dados são do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, que lançou o Plano Nacional de Arborização Urbana, o primeiro instrumento federal criado exclusivamente para orientar e estruturar a arborização das cidades brasileiras. O PlaNAU integra o Programa Cidades Verdes Resilientes e dialoga com agendas globais ligadas ao clima, biodiversidade e justiça socioambiental. Foi concebido a partir do entendimento de que a arborização precisa ser tratada como política pública de saúde e infraestrutura, não apenas ambiental e turística.

A ideia é inserir o verde nas ruas estreitas e priorizar a manutenção preventiva nas áreas mais pobres, com metas nacionais até 2045. Inspirado na “Regra 3-30-300”, o PlaNAU estabelece que 65% da população deve viver em ruas com pelo menos três árvores — inclusive em favelas, periferias e bairros vulneráveis, e todos os municípios têm que ter instrumentos de planejamento. Hoje, a maioria não tem plano, equipe, nem estrutura técnica.

O plano estabelece 20 diretrizes nacionais e 93 ações distribuídas em seis eixos estratégicos:

  1. Planejamento e monitoramento
  • Indicadores padronizados
  • Diagnósticos contínuos
  • Fortalecimento do Cadastro Ambiental Urbano (CAU)
  1. Estruturação da cadeia produtiva
  • Fortalecimento de viveiros
  • Transição para espécies nativas
  • Controle de invasoras (como leucena, nim, etc.)
  1. Expansão e manutenção
  • Plantio planejado e manejo
  • Proteção dos remanescentes
  • Adoção da arborização como infraestrutura essencial
  1. Financiamento
  • Novos mecanismos financeiros
  • Articulação com fundos climáticos e ambientais
  1. Pesquisa, capacitação e educação ambiental
  • Formação de equipes técnicas
  • Educação ambiental para escolas e comunidades
  1. Fortalecimento institucional e participação social
  • Engajamento comunitário
  • Corresponsabilidade entre União, estados e municípios

Os municípios receberam diretrizes federais claras para arborização, feito inédito, embora tão simples. Estados e municípios passam a assumir a responsabilidade de criar e implementar Planos Municipais de Arborização, monitorar pragas, espécies invasoras e indicadores de qualidade; manter e ampliar viveiros; proteger e recuperar áreas verdes; integrar arborização com mobilidade, saneamento e habitação; priorizar favelas, periferias e regiões mais quentes.

Ao invés da velha improvisação, o poder público terá que seguir critérios técnicos, o que é essencial para evitar conflitos com fiação, podas incorretas e espécies inadequadas.

Nada de plantar de qualquer jeito. Agora, cada prefeitura deverá cultivar espécies adequadas, fazer manejo correto e cumprir metas de longo prazo. Com monitoramento contínuo, podas e plantios feitos por profissionais com formação, critérios e diretrizes técnicas.

De quebra, o mercado de mudas, viveiros, serviços ambientais, engenharia florestal e paisagismo ganhará fôlego. A arborização finalmente vista como infraestrutura vital para a dignidade humana nas cidades.


Os municípios receberam diretrizes federais claras para arborização, feito inédito, embora tão simples. Estados e municípios passam a assumir a responsabilidade de criar e implementar Planos Municipais de Arborização, monitorar pragas, espécies invasoras e indicadores de qualidade; manter e ampliar viveiros; proteger e recuperar áreas verdes; integrar arborização com mobilidade, saneamento e habitação; priorizar favelas, periferias e regiões mais quentes.

Ao invés da velha improvisação, o poder público terá que seguir critérios técnicos, o que é essencial para evitar conflitos com fiação, podas incorretas e espécies inadequadas.

Nada de plantar de qualquer jeito. Agora, cada prefeitura deverá cultivar espécies adequadas, fazer manejo correto e cumprir metas de longo prazo. Com monitoramento contínuo, podas e plantios feitos por profissionais com formação, critérios e diretrizes técnicas.

De quebra, o mercado de mudas, viveiros, serviços ambientais, engenharia florestal e paisagismo ganhará fôlego. A arborização finalmente vista como infraestrutura vital para a dignidade humana nas cidades.

Franssinete Florenzano
Jornalista e advogada, membro da Academia Paraense de Jornalismo, da Academia Paraense de Letras, do Instituto Histórico e Geográfico do Pará, da Associação Brasileira de Jornalistas de Turismo e do Instituto Histórico e Geográfico do Tapajós, editora geral do portal Uruá-Tapera e consultora da Alepa. Filiada ao Sinjor Pará, à Fenaj e à Fij.

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