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O mundo amanheceu com a noticia de um ataque americano à Venezuela. Muitos viam como uma invasão. Já vinha comentando em alguns grupos de debates que não haveria invasão, mas haveria ataques pontuais, visando desmantelar a estruturas de defesa e atingir as principais autoridades políticas e militares. Nos noticiários televisivos apareceram cenas de helicópteros americanos sobrevoando Caracas tranquilamente. Isso significa que não há ameaça de fogo antiaéreo. A defesa, baterias antiaérea, sistema de radar etc. A defesa deve ter sido desmantelada por mísseis. Um comentarista achou que foi um ataque diversionista para permitir que um comando das Forças Especiais capturassem Maduro. Bases de helicóptero e a Assembleia Nacional foram bombardeados. Maduro já está na mão doa americanos. Já tem fotos da captura circulando. Isso lembra o caso Noriega no Panamá.

Americanos aprenderam como que Israel fez no Irã e com o Hesbollah. Destrói o sistema de defesa e atasca as principais figuras do regime. No caso do Irã, Israel matou lideranças políticas religiosas e cientistas nucleares. Não matou o Aiatolá Khamenei, porque os EUA não permitiram, com receio de uma luta interna pelo Poder que resultasse em uma guerra civil, que desestabilizaria mais ainda uma região volátil. Basta ver o caos do Iraque e Síria. Uma invasão tem um custo muito alto, inclusive em vidas. Veja caso da invasão russa na Ucrânia. Três anos de guerra e perdas humanas imensas diante da feroz resistência ucraniana. Especulo que com a vitória da direita conservadora em Honduras, a Nicarágua começa a ser cercada. Pois Honduras e El Salvador de Bukele fazem fronteira. Mas tenho dúvidas, porque a Nicarágua, assim como Cuba, tem muito pouco a oferecer. Na Venezuela há o ganho das maiores reservas de petróleo do mundo.

Agora, é preciso refletir que o regime abusou. Fraudaram as eleições, impediram oposicionistas de se candidatarem, inclusive com prisões. Mesmo assim, foram derrotados. Não negociaram uma transição com a oposição vencedora das eleições, em que preservariam posições e não seriam julgados por crimes cometidos. Abriram fogo letal contra manifestantes desarmados, com muitas mortes. Prenderam em massa. Houve morte de presos políticos sob tortura. Com esses fatos perderam o apoio da opinião pública mundial. Esses protestos diplomáticos de vários países, da ONU etc, é só para marcar posição. Isso não vai dar em nada.

Acho que a opção pelo ataque, decorreu de que as pressões econômicas não vinham funcionando. Muitos países abasteciam a Venezuela, principalmente China, Rússia e até mesmo o Brasil. O Brasil está preocupado com a fronteira de Roraima com medo da entrada em massa de refugiados. Acho que isso não vai acontecer, porque não vai haver invasão. Acredito que vai continuar a pressão até a entrega do poder, ou no mínimo uma transição negociada com a oposição, cujo maior nome é o de Corina Machado, que recentemente recebeu o Prêmio Nobel por sua luta contra a ditadura, mantendo-se em dura clandestinidade dentro do país. Um breve comentário, ainda no calor dos acontecimentos, sobre este assunto que está dominando o noticiário internacional.

ELSON ROCHA MONTEIRO, Doutor em História e presidente da Comissão de Patrimônio do IHGP

Elson Monteiro
Elson Monteiro é professor de História aposentado da UFPA, onde dirigiu a Faculdade de História. Pesquisador em História Social da Amazônia, com ênfase no estudo da Maçonaria no Pará e sua atuação na abolição da escravidão, na questão religiosa e no movimento republicano e na área de educação. Articulista e escritor, é também professor de Direitos Constitucional na Unama.

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