Publicado em: 8 de janeiro de 2026
Entre os dias 29 e 31 de dezembro, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) publicou as portarias de nomeação de 39 servidores efetivos do Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG), que deverão assumir seus nos próximos dias. São 17 pesquisadores, 12 analistas e 10 tecnologistas com formações diversas e atuação em campos que vão da biologia molecular à arqueologia, passando por linguística, museologia, veterinária, geociências, divulgação científica e tecnologias sociais.
Os nomeados terão até 30 dias para tomar posse e, posteriormente, mais 15 dias para entrar em exercício. Somando os quatro analistas admitidos em 2025, o Goeldi terá incorporado 43 novos concursados em pouco mais de um ano, após mais de uma década sem realização de concurso público e às vésperas de completar 160 anos.
A recomposição do quadro é tratada internamente como uma virada institucional. O diretor do museu, Nilson Gabas Júnior, afirmou que o momento é histórico: durante quase 12 anos, a instituição operou sem a possibilidade de repor servidores por concurso. Para ele, o ingresso de novos pesquisadores, analistas e tecnologistas é decisivo para garantir a continuidade das linhas de atuação do Goeldi, sobretudo naquelas ligadas à biodiversidade e à sociodiversidade amazônicas: “é fundamental termos novos servidores para olhar com estratégia o que precisa ser pensado, estudado e proposto para a Amazônia”.
Gabas destacou ainda três frentes que devem ganhar corpo a partir das novas contratações: Amazônia Negra, políticas públicas e tecnologias sociais. Segundo ele, o campo da Amazônia Negra representa uma agenda científica ainda pouco explorada na região e de valor estratégico para o museu e para o país. A ampliação do corpo técnico permitirá estruturar investigações sistemáticas sobre a presença, as histórias e as identidades negras na Amazônia.
Entre os nomeados, o sentimento dominante é de responsabilidade diante do papel desempenhado pelo Goeldi na ciência da Amazônia. A engenheira ambiental Yasmin Kitagawa, doutora pela Universidade Federal do Espírito Santo, foi nomeada analista em ciência e tecnologia e afirmou receber a conquista com seriedade. Para ela, “ingressar no serviço público federal é um compromisso com o desenvolvimento do Brasil”, e a nomeação representa a possibilidade de transformar pesquisa em resultados concretos para a sociedade, especialmente no enfrentamento dos desafios ambientais.
A arqueóloga Erêndira Oliveira, aprovada como tecnologista, destacou a importância do museu na construção da Arqueologia Amazônica e na compreensão da antiguidade dos povos da região. Ela lembrou que o acervo arqueológico sob custódia do Goeldi revela a presença milenar de diferentes culturas no território: “é uma honra integrar uma instituição cuja trajetória de pesquisa foi fundamental para compreender a profundidade temporal deste território e a diversidade de seus povos”.
O jornalista Tarcízio Macedo, parauara que cresceu visitando o Parque Zoobotânico, ingressará no quadro como tecnologista na área de comunicação pública da ciência. Em seu depoimento, enfatizou que o Goeldi é ao mesmo tempo museu, laboratório científico e espaço de memória coletiva. Citou que o museu não é apenas um centro de referência científica, mas também um território onde se acumulam história, afetos e identidades amazônicas, fatores que ajudam a explicar a longevidade e o vínculo da instituição com a população. Para ele, a aprovação traz a responsabilidade de contribuir para a manutenção desse legado e de apoiar o Goeldi como referência na produção e difusão de conhecimento sobre a Amazônia.
De acordo com a direção, existe a expectativa de que outros nove servidores sejam nomeados até o fim de 2026, podendo elevar o total de concursados para 52 profissionais. A expansão é feita no momento em que o país volta a discutir o papel das instituições científicas federais no enfrentamento da crise climática, na proteção da biodiversidade e na valorização dos conhecimentos tradicionais. No caso do Goeldi, essas dimensões estão presentes desde a sua fundação, em 1866, quando a instituição começou a documentar, catalogar e estudar espécies, povos e paisagens amazônicas.
A chegada de novos servidores também reflete a articulação entre política científica e políticas públicas. Ao mencionar a necessidade de propor soluções para a Amazônia, Nilson Gabas ressaltou que a pesquisa produzida no museu tem impacto direto em debates contemporâneos sobre conservação, desenvolvimento, direitos territoriais, inovação, educação e patrimônio cultural: “é preciso abrir novas frentes e propor políticas públicas, propor novas tecnologias, estudar aquilo que ainda é pouco estudado”.
O Goeldi, como a mais antiga instituição científica da Amazônia e uma das principais referências em pesquisa, documentação e divulgação de conhecimentos sobre a região, não deve apenas ser preservado e sim expandido. A nomeação de novos servidores dá continuidade de um legado histórico de pesquisa e renovação de agendas que dialogam com os desafios da Amazônia no século XXI.
Confira a lista dos servidores efetivos nomeados:
PESQUISADORES:
A Portaria MCTI Nº 897, de 30 de dezembro de 2025, publicada no Diário Oficial da União do último dia 31 de dezembro, lista 17 pesquisadores.
| NOMES | ÁREAS DE ATUAÇÃO |
| Barbara Simoes Santos Leal | Biologia Molecular, com Ênfase em Bioinformática |
| Lucas Ferreira Colares | Ciência dos Dados Aplicada à Sociobiodiversidade |
| Fernando Elias da Silva | Ecologia e Conservação |
| Lis Fernandes Stegmann | Comunicação, Divulgação e Popularização da Ciência |
| Josiane Santana Monteiro | Micologia |
| Ana Carla Feio dos Santos | Anatomia Vegetal ou Anatomia de Madeira |
| Julia Meirelles | Sistemática e Evolução de Fanerógamas |
| Kheytiany Hellen da Silva Lopes | Biotecnologia de Recursos Naturais |
| Paula Godinho Ribeiro | Ciências dos Solos |
| Ana Paula Linhares Pereira | Geociências – Geologia |
| Zoneibe Augusto Silva Luz | Geociências – Geoquímica |
| Luciano Nicolas Naka | Sistemática e Evolução de Aves (Grupos Recentes) |
| Mario Jardim Cupello | Sistemática e Evolução de Insetos Holometábolos – Coleoptera ou Lepidoptera |
| Danilo Elias de Oliveira | Sistemática e Evolução de Insetos não Holometábolos |
| Igor Morais Mariano Rodrigues | Etnologia Indígena |
| Daniela Aparecida Ferreira | Arqueologia Amazônica |
| Helder Perri Ferreira | Linguística |
TECNOLOGISTAS:
A Portaria MCTI Nº 884, de 26 de dezembro de 2025, publicada no Diário Oficial da União do último dia 29 de dezembro, lista 10 Tecnologistas.
| NOMES | ÁREAS DE ATUAÇÃO |
| Suzana Lustosa de Sousa | Tecnologia da Informação – Desenvolvimento de Software e Administração de Banco de Dados |
| Diana Cruz Rodrigues | Tecnologias Sociais |
| Fuvio Rubens Oliveira da Silva | Manejo da Flora |
| Laura Tavares Miglio | Laboratório de Microscopia de Varredura – MeV |
| Ronaldo Magno Rocha | Analista Químico |
| Erendira Oliveira | Arqueologia Amazônica |
| Roberta Graboski Mendes | Biologia Molecular |
| Tarcizio Pereira Macedo | Comunicação Pública da Ciência |
| Mônica Silva Coelho | Medicina Veterinária |
| Larisse de Fatima Farias da Rosa | Museologia |
ANALISTAS EM CIÊNCIA E TECNOLOGIA:
A Portaria MCTI Nº 888, de 26 de dezembro de 2025, publicada no Diário Oficial da União de 29 de dezembro 2025, e Retificação, publicada no Diário Oficial da União de 30 de dezembro 2025, indica outros 12 Analistas em Ciência e Tecnologia.
| NOMES | ÁREAS DE ATUAÇÃO |
| Romulo Magalhaes de Sousa | Ciência de Dados |
| Elvis Gomes Marques Filho | Direito |
| Suzy Brito Sousa | Direito |
| Marusca Santana Custodio | Políticas Públicas de Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&I) |
| Yasmin Kaore Lago Kitagawa | Políticas Públicas de Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&I) |
| Karolyne Sousa Amaral | Biblioteconomia |
| Leticia Amedee Peret de Resende | Qualquer área de formação |
| Flavia Bruna Ribeiro da Silva Braga | Qualquer área de formação |
| Claudia de Andrade Silva Duarte | Qualquer área de formação |
| Fabiola Rocha Caires | Qualquer área de formação |
| Tiago Cardoso Goncalves | Qualquer área de formação |
| Karinne Lucena de Sena | Qualquer área de formação |
Foto em destaque: O diretor do MPEG, Nilson Gabas Jr. (Janine Valente / MPEG)









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