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Já tentou usar um computador travado? Em algum momento, é preciso reiniciar. É exatamente essa a situação do sistema de mobilidade urbana em Belém.

Ao estabelecermos uma analogia entre o sistema de mobilidade e a teoria dos sistemas, o diagnóstico é direto: um sistema é uma estrutura organizada para desempenhar uma função. Quando passou a gerar mais distorções do que resultados, ele entrou em colapso.

Os sinais são evidentes.

Primeiro, um transporte público ineficiente: ônibus superlotados em horários de pico e ociosos no restante do dia. Esse desequilíbrio gerou respostas informais, como vans, kombis, mototáxis, além do aumento da frota individual. Isso não resolveu os problemas de mobilidade, apenas contornou as falhas de atendimento. 

Depois, a pandemia agravou o cenário: menor oferta, maior custo. A passagem deixou de ser viável. A resposta foi racional: a população passou a usar a moto. Entre 2020 e 2025, a frota cresceu em mais de 200 mil unidades apenas em Belém.

O efeito é sistêmico: 

Menos passageiros no transporte coletivo inviabilizam a operação. Projetos como os “geladões” colapsam antes de se consolidarem. Ao mesmo tempo, o aumento descontrolado de motos pressiona a infraestrutura urbana, ocupa ciclovias e calçadas e eleva os índices de acidentes, o que hoje se reflete na sobrecarga do Hospital Metropolitano.

Isso é um colapso que estamos vivendo hoje!

A resposta, portanto, é estrutural: é necessário redesenhar o sistema de mobilidade da cidade. A lógica centro-bairro que sempre guiou as linhas de ônibus já não responde à dinâmica urbana atual. O que se exige é integração intermodal, redes flexíveis e alinhadas à demanda real, além de sustentabilidade financeira e ambiental. 

Isso implica também abertura de mercado: permitir múltiplos operadores por linha, inclusive pequenos agentes, desde que atendam a padrões mínimos. Onde há demanda, deve haver oferta proporcional.

Sem isso, o sistema continuará sendo substituído, informalmente, por soluções individuais — com custos coletivos cada vez mais elevados.

Precisamos REINICIALIZAR a mobilidade de Belém. 

Acilon Cavalcante
Arquiteto e urbanista apaixonado por cidades, histórias e pessoas. Tem mestrado em Artes, mestrado em Arquitetura e é doutorando em Mídias Digitais pela Universidade do Porto. Premiado em projetos de planejamento urbano, já atuou com governos e ONGs no Brasil, Canadá e Portugal, sempre conectando urbanismo, design participativo e sustentabilidade. Gosta de transformar dados em ideias e ideias em cidades mais humanas.

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