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Uma vergonha o que grandes corporações jornalísticas estão fazendo, publicando matérias que sugerem retirar de Belém do Pará a condição de sede da COP 30 no ano que vem. Trata-se de verdadeiro terrorismo, a repetição do roteiro colonialista que há séculos permeia as relações dos amazônidas: a exploração desenfreada e a espoliação. Saímos de colônia de Portugal para virar subproduto do sul/sudeste, que se acham superiores. Felizmente o presidente Lula imediatamente desmentiu essa campanha falaciosa. Em nota curta mas firme, a Presidência da República acaba de se manifestar, nestes termos:

“O Governo Federal reafirma que a 30ª Conferência sobre Mudanças Climáticas (COP-30) será realizada em Belém-PA, em novembro de 2025, conforme definido pela ONU. É compromisso desta gestão que a capital paraense sedie a conferência e disponha de infraestrutura e logística adequadas para receber o maior evento de discussão climática do mundo”.

O passivo histórico acumulado de domínio e destruição da Amazônia, extermínio de povos originários e escravidão, é imensurável. Estamos diante de um grande desafio e impasse como povo e nação brasileira. A atual conjuntura política, econômica, social e ambiental aponta a urgência.

Mais do que nunca nós, amazônidas parauaras, devemos nos unir em defesa dos territórios, dos direitos e dos bens comuns. Arregimentar forças e mostrar que podemos protagonizar nossa história e nosso destino. Passar do discurso à ação. É preciso acabar com essa história de torcer contra a região por picuinhas político-partidárias. Está na hora de pensar a Amazônia como uma das questões centrais para a cidadania brasileira no contexto de um mundo interligado e ameaçado. A tarefa é gigante e exige ousadia. A ninguém é permitido falar sobre nós.

A importância da Amazônia e seu papel na regulação do clima e no ciclo das águas é incontestável. A integridade de seus ecossistemas foi preservada durante mais de 12 mil anos, até o começo do século XX, por conta da convivência e do cuidado com a natureza dos povos ancestrais. A trágica conquista e colonização das Américas, a partir do século XVI, esbarrou na imensidão da Amazônia e de seus rios e florestas. A atividade extrativista mais importante da região por muito tempo foi a borracha, ela dependia da manutenção da floresta em pé, onde naturalmente se reproduziam e cresciam as seringueiras. Mas a relação antrópica com o território amazônico vem mudando rapidamente desde a segunda metade do século XX.

É esse sistema abusivo, de exploração desenfreada dos recursos naturais, sem respeito às possibilidades e à sustentabilidade dos sistemas ecológicos inerentes à floresta e às águas, que ameaça a Amazônia e que torna desvalidos os seus habitantes. Se não temos hotéis e nem equipamentos urbanos, é culpa justamente dos que nos saqueiam e são bilionários às nossas custas. É inaceitável que o Rio de Janeiro ou qualquer outro estado fora da Amazônia reivindique sediar a COP 30. Ela é de Belém do Pará!

Franssinete Florenzano
Jornalista e advogada, presidente da Academia Paraense de Jornalismo, membro da Academia Paraense de Letras, do Instituto Histórico e Geográfico do Pará, da Associação Brasileira de Jornalistas de Turismo e do Instituto Histórico e Geográfico do Tapajós, editora geral do portal Uruá-Tapera e consultora da Alepa. Filiada ao Sinjor Pará, à Fenaj e à Fij.

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