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A escritora, compositora, poeta, instrumentista e contadora de histórias Heliana Barriga fez sua Páscoa nesta segunda-feira, 2, vítima de infarto, e deixa muita saudade entre os seus familiares, amigos, leitores e admiradores. O portal Uruá-Tapera, em sua homenagem, ouviu várias personalidades do meio cultural e expoentes da literatura amazônica.

“A castanhalense Heliana Barriga era uma mulher de brilho incomparável. Poeta, escritora, compositora, musicista – tocava sanfona divinamente -, e deixará muita saudade. Amante da natureza, era exatamente ali que buscava sua inspiração. No quintal da sua casa conversava com as plantas. O amor pelas crianças, pelo banho de igarapé no seu Apeú, era indisfarçável. Realmente, como ela disse, os anos passam rápido e a poesia devagar. Ela buscava a inspiração pela manhã mergulhada no silêncio da sua bela casa de poesia que ela tinha lá no Apeú e foi com muita justiça homenageada na Feira Pan-Amazônica do Livro no ano de 2023. Autora de muitas obras – creio que mais de 50 livros, litero-poéticas, histórias brincantes, como ela dizia, eram histórias curtas para não cansar as crianças, palavra de boca, palavra de mão. Ela foi considerada a embaixadora da infância em Belém. Participou da COP 30 com o seu livro, onde ela destacava exatamente a minhoca. Ela queria que a minhoca fosse a rainha da COP30. Destacou a onça pintada. Então, ela foi buscar exatamente a microfauna. Nossa querida Heliana Barriga fará falta. Espero que ela faça um caminho de muita paz, luz, amor, na sua nova morada” (desembargador Leonan Gondim da Cruz Jr., vice-presidente da Academia Paraense de Letras, escritor, conferencista e contador de histórias).

“A cultura do Pará perdeu muito com o passamento da poeta, escritora e contadora de história Heliana Barriga. No seu trabalho literário ela endereçou toda a sua verve poética a um público que é muito difícil de ser conquistado, o infantil e juvenil. Parafraseando Marco Antonio nas exéquias do imperador romano Júlio César, eu pergunto: _quando teremos outra como ela?” (Ivanildo Alves, literato, professor e advogado, presidente da Academia Paraense de Letras).

“Heliana Barriga, escritora singular, nossa inesquecível Miss Lamparina, seguirá entre nós, com a sua luz e poesia a iluminar as nossas palavras e os nossos silêncios. Há escritoras que nos iluminam o “para sempre”. Heliana Barriga é essa luz”. (Professor doutor Daniel da Rocha Leite, romancista, contista, cronista e poeta).

“É com profundo pesar que recebo essa notícia do falecimento de Heliana Barriga, escritora da categoria infantojuvenil, muito importante para a nossa cidade. A Heliana foi uma grande contadora de histórias e das suas próprias histórias, optando por esse público infantil e juvenil, que é tão importante, para que possa, em sua formação, entrar em contato com a arte. Mais do que escritora, ela era uma grande artista, uma artista completa. Ela trabalhava com teatro, com a música. Então, acho que é uma perda enorme para toda a sociedade paraense, mas principalmente para as crianças e os jovens que vão deixar de ter o trabalho dela pela sua trajetória de forma pessoal. Mas, por outro lado, ela fica imortalizada na sua obra, os livros e tudo aquilo que ela construiu durante a sua carreira”. (professora doutora Betânia Fidalgo Arroyo, escritora de literatura infantojuvenil, reitora da Unama e membro da Academia Paraense de Letras).

“Heliana Barriga desenvolve uma literatura lúdica, onde privilegia as raízes amazônicas. Ouvi algumas vezes ela tocando sanfona. Eu e meus sobrinhos cantávamos muito suas músicas “peixe-boi tem rabo de peixe cara de boi”.
A literatura infantil sentirá falta desse ícone. Vá em paz alegrar as crianças do céu.” (Márcia Duailibe Forte, escritora de literatura infantil, musicista, compositora, diretora de imagem e palhaça).

Durante mais de quarenta anos, Heliana Barriga trabalhou com literatura infantil, música, poesia e oficinas de ludicidade, além de performances poéticas e até na produção de programa de rádio. Ela também se dedicava à poesia para adultos.

“Gosto muito de sair do livro para poder me encontrar com as crianças. Minha produção é inspirada nas próprias crianças, no ambiente onde elas estão e no ambiente amazônico. Como autora paraense, que trabalha com ludicidade e literatura e que continua com a criança no seu interior, sou uma pessoa muito vibrante para produzir com elas”, costumava dizer.

Formada em Agronomia pela Faculdade de Ciências Agrárias do Pará, Heliana era mestre em Genética e Melhoramento de Plantas pela Escola Superior de Agricultura Luís de Queiroz (ESALQ-Piracicaba-SP), USP e trabalhou como pesquisadora da Embrapa por dez anos. Deixou a ciência para se dedicar à literatura infantil, à poesia e à música.



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