Publicado em: 15 de janeiro de 2026
O Instituto Butantan abriu nesta semana as inscrições para a 22ª edição da Olimpíada Brasileira de Biologia (OBB), competição científica destinada a estudantes do Ensino Médio de escolas públicas e privadas. A seleção, que se tornou uma das principais portas de entrada para jovens em universidades públicas e em olimpíadas internacionais de conhecimento, recebe inscrições até 25 de fevereiro. A candidatura dos estudantes é intermediada exclusivamente pelas escolas, por meio do site oficial da olimpíada.
A OBB funciona como um processo formativo intensivo. Após a fase nacional, estudantes classificados passam por aulas práticas e teóricas ministradas por pesquisadores e professores do Instituto Butantan, sem custos para os participantes. Ao final da capacitação, os jovens concorrem a vagas para representar o Brasil na Olimpíada Internacional de Biologia (IBO), em julho, na Lituânia, e na Olimpíada Ibero-americana de Biologia (OIAB), prevista para setembro, em São Paulo. Condecorações como medalhas, homenagens especiais e prêmios destinados à participação feminina e às escolas públicas também fazem parte da programação.
A coordenadora da OBB e pesquisadora do Butantan, Sonia Andrade, destaca o impacto educacional do processo. Segundo ela, as provas são “contextualizadas e baseadas em temas atuais do cotidiano”, o que tende a ampliar o interesse do estudante e aprofundar o aprendizado em áreas como genética, ecologia, evolução e zoologia. Andrade afirmou ainda que “o acesso às provas e também ao conteúdo comentado colabora não apenas para o aprofundamento do estudante na disciplina, mas pode resultar ainda no ingresso dos jovens nas melhores universidades brasileiras e do mundo – e facilitar sua carreira profissional”.
O desempenho na competição vem ganhando peso dentro do sistema de acesso ao ensino superior. A Universidade de São Paulo (USP), a Universidade Estadual Paulista (Unesp), a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), a Universidade Federal do ABC (UFABC), a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) e a Universidade Federal de Itajubá (Unifei) já utilizam resultados olímpicos como critério de admissão. No ciclo atual, a Universidade Estadual do Ceará (Uece) e Universidade Federal do Amazonas (Ufam) também aderiram à modalidade.
A estrutura da prova nacional é dividida em três etapas. A primeira contém 25 questões de múltipla escolha; a segunda, 30; e a terceira, 25 questões de verdadeiro ou falso. Além das medalhas, são selecionados para a capacitação os 12 melhores classificados na etapa nacional, os quatro estudantes com melhor desempenho provenientes de escolas públicas e outros quatro do 2º ano do Ensino Médio que estejam fora da classificação principal.
Neste ano, o Brasil volta a sediar a OIAB, que reunirá representantes de 16 países ibero-americanos. Para Andrade, sediar a olimpíada “proporcionará aos brasileiros não só a promoção do conhecimento em biologia, mas também o intercâmbio cultural entre estudantes, professores e pesquisadores”. Será a terceira vez que o país recebe a competição, que já passou pelo Rio de Janeiro, em 2008, e por Brasília, em 2016.
Promovida desde 2017 pelo Instituto Butantan, a OBB conta com apoio da Escola Superior do Instituto Butantan (ESIB) e do Conselho Federal de Biologia (CFBio), além de fomento do Ministério da Educação (MEC), do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), do CNPq, da Fapesp e da Fundação Butantan. Em 2025, a olimpíada registrou 161 mil inscritos, consolidando-se como uma das maiores competições científicas estudantis do país.









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