Publicado em: 31 de julho de 2025
O câncer colorretal, silenciosamente, tem atingido faixas etárias cada vez mais jovens. O terceiro tipo de câncer mais comum no Brasil deixou de ser um problema restrito à velhice.
Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), a mortalidade prematura por câncer de intestino — ou seja, antes dos 70 anos — deve aumentar até 2030, tanto entre homens quanto entre mulheres. A projeção está relacionada não só ao envelhecimento da população, mas também ao aumento de casos entre jovens, ao diagnóstico tardio e à baixa cobertura de exames de rastreamento.
Diante desse cenário, especialistas do Hospital Universitário João de Barros Barreto, integrante do Complexo Hospitalar da Universidade Federal do Pará e vinculado à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), explicam que o câncer colorretal é um tumor que acomete o cólon e o reto, partes que formam o intestino grosso. Na maioria dos casos, ele se origina a partir de pequenas lesões que surgem na mucosa intestinal, geralmente a partir dos 45 anos, e podem levar até uma década para evoluir para o câncer.
Os principais sinais de alerta são sangue nas fezes, mudança persistente no ritmo intestinal, dor abdominal contínua e perda de peso sem causa aparente. No entanto, como a doença costuma evoluir de forma lenta e silenciosa, esses sintomas geralmente só aparecem em estágios mais avançados.
“Quando conseguimos identificar o câncer colorretal ainda nas fases iniciais, as chances de cura são muito altas, ultrapassando 90% em muitos casos. Por isso, é fundamental investir tanto na prevenção, com hábitos saudáveis, quanto na realização de exames como a colonoscopia a partir dos 45 anos. Detectar cedo faz toda a diferença no tratamento e na vida do paciente”, destaca o médico Bruno Fernandes, chefe da Unidade de Oncologia e Hematologia do Barros Barreto.
A médica endoscopista Lilian Almeida, responsável técnica por colonoscopia no hospital universitário, esclarece que o exame detecta o câncer e pode impedir que ele surja. “A maioria dos casos de câncer colorretal se desenvolve a partir de pólipos, que podem ser removidos durante a colonoscopia. Ou seja, é um exame terapêutico e não apenas diagnóstico”.
Mesmo na ausência de sintomas, o rastreamento é essencial para evitar tratamentos agressivos e salvar vidas. Ela destaca que o desconforto com o preparo intestinal e o constrangimento com o exame ainda afastam muitos pacientes. “É preciso acolher e explicar. O exame é feito com sedação e monitoramento contínuo. A conversa franca, a escuta ativa e o esclarecimento das etapas do procedimento aumentam muito a adesão”, afirma a profissional.
Para atender à demanda e reduzir o tempo de espera para o exame, o HUJBB tem realizado mutirões mensais de colonoscopia, voltados inicialmente a pacientes já matriculados no hospital. A iniciativa tem mostrado resultados positivos. No último mutirão, em 5 de julho, 16 pessoas foram atendidas. Outros 16 pacientes já estão agendados para agosto.
Atualmente, 99 pacientes aguardam o exame, dos quais 92 já têm data marcada até outubro. “Além dos mutirões, criamos uma triagem médica para priorizar os casos mais graves, como suspeitas de câncer ou metástase. Isso dá mais segurança ao processo e acelera o diagnóstico de quem mais precisa”, explica Adele Melo, chefe do Setor de Regulação e Avaliação em Saúde do HUJBB.
O hospital universitário também está se estruturando para ampliar a oferta do exame a pacientes da rede pública que ainda não são acompanhados pela instituição. Para isso, está sendo implantado um plano de capacitação da atenção básica, com foco na orientação sobre o preparo adequado, uma das principais causas de ausência no dia do exame.
“Outro diferencial do nosso trabalho é a realização de mutirões de avaliação de risco cirúrgico, especialmente voltados aos pacientes acima de 60 anos, maioria no público atendido. Isso garante que estejam preparados de forma segura para a colonoscopia”, acrescenta Adele.
O HUJBB é um dos principais centros de tratamento de tumores gastrointestinais do Pará. O hospital oferece todas as modalidades disponíveis no SUS, como cirurgia, quimioterapia e radioterapia.
“O Barros Barreto participa de toda a linha de cuidado, do rastreio ao tratamento. O paciente que recebe diagnóstico aqui é imediatamente encaminhado para avaliação da equipe da Unidade de Alta Complexidade em Oncologia, a Unacon, onde definimos o plano terapêutico com base nas características do tumor e do próprio paciente”, explica Bruno Fernandes.
Serviço
Para fazer a colonoscopia no HUJBB, o paciente deve ser encaminhado por uma Unidade Básica de Saúde via Sistema de Regulação (Sisreg). O encaminhamento pode ser realizado de duas formas: diretamente para o exame, com a guia médica cadastrada e autorizada no Sisreg, ou para uma consulta especializada, onde o médico avaliará a necessidade do procedimento e, se necessário, solicitará a colonoscopia.










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