Publicado em: 30 de março de 2016
Hoje é um dia histórico para o Pará, a Amazônia e o Brasil, mas pouca gente sabe disso. Em 30 de março de 1884, a então localidade de Benevides foi a primeira a dar alforria aos escravos, quatro anos antes da Lei Áurea, editada em 13 de maio de 1888. A Assembleia Legislativa do Pará já reconheceu o fato como Patrimônio Histórico Imaterial do Estado do Pará, através da lei nº 7.619, de 18 d abril de 2012, publicada no DOE em 20.04.2012, e o presidente da Casa, deputado Márcio Miranda, que fez o registro hoje em plenário, vai apresentar projetos de lei inserindo a data no calendário histórico e cultural do Pará, além de instituir uma semana comemorativa, a cada ano, de modo a disseminar, principalmente nas escolas e universidades, o sentido de vanguarda desse município parauara.
O historiador José Leôncio Siqueira, diretor de Comunicação do Instituto Histórico e Geográfico do Estado do Pará e autor do livro “Terra da Liberdade – Benevides: História e Colonização”, foi saudado pelo presidente Márcio Miranda durante a sessão, aludindo à data. O saudoso historiador, folclorista, antropólogo e musicólogo Vicente Salles, um dos mais importantes intelectuais brasileiros do século XX, abordou a importância de Benevides em sua magistral obra “O Negro no Pará, sob o regime da escravidão”.
O cineasta Afonso Galindo também dirigiu um documentário sobre o tema, para o extinto IAP – Instituto de Artes do Pará, no programa Raízes, intitulado “O Negro no Pará – Cinco Décadas Depois”. Com roteiro do próprio Galindo e de Rose Silveira, produção executiva de Rose Silveira e edição de Galindo e André Mardock, tem depoimentos de remanescentes do quilombo de Petimandeua(Castanhal-PA), pesquisadoras e integrantes do movimento negro no Pará.
Benevides foi a primeira e maior colônia europeia fundada na Amazônia, em 13 de junho de 1875. Transformada em colônia nacional, recebeu os nordestinos flagelados pela seca. Os ideais de libertação, que germinavam na sociedade, inspirados nas filosofias francesas e americanas, espalhavam-se por todo o País. E foi assim que, na Província do Grão Pará, representada pelo presidente Visconde de Maracaju, um pequeno povoado incrustado no coração da floresta, denominado “Colônia de Nossa Senhora do Carmo de Benevides”, realizou o ato, dos mais importantes da história brasileira: a libertação dos escravos, no dia 30 de março de 1884, rompendo os grilhões da escravatura e iniciando a luta contra a desumanidade e preconceitos impostos aos negros.









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