Publicado em: 11 de janeiro de 2026
Neste domingo (11/01), durante a 83ª edição do Globo de Ouro, em Los Angeles, o longa “O Agente Secreto”, dirigido por Kleber Mendonça Filho, conquistou dois dos principais prêmios da cerimônia: melhor filme em língua não inglesa e melhor ator em filme de drama, com Wagner Moura. Pela primeira vez, uma produção brasileira venceu duas categorias em uma mesma edição do evento.
As conquistas são o resultado de um percurso internacional iniciado meses antes no Festival de Cannes, onde o filme estreou concorrendo à Palma de Ouro e foi ovacionado. O elenco também protagonizou um dos momentos mais comentados daquela edição quando, acompanhados por um grupo de dançarinos de frevo, ocupou a avenida Croisette e capturou a atenção da imprensa global.
O anúncio do prêmio de melhor filme em língua não inglesa foi feito pelos atores Orlando Bloom e Minnie Driver. A atriz, inclusive, mandou um “parabéns” em português, arrancando aplausos. Na categoria, o filme superou concorrentes de cinco países: Noruega, Espanha, Coreia do Sul, Tunísia e França.
No palco, Kleber Mendonça Filho abriu o discurso, feito em português, dirigindo-se diretamente ao país: “alô, Brasil”. Ao agradecer à distribuidora Vitrine Filmes, à produtora Emilie Lesclaux e à equipe, o cineasta destacou a relevância da parceria criativa com Wagner Moura, afirmando que “as melhores coisas acontecem quando você tem um grande ator e um grande amigo”. Não deixou de cutucar os acontecimentos antidemocráticos que têm marcado as histórias recentes tanto do Brasil quanto dos Estados Unidos, dizendo que “esse é um momento da história muito importante para fazer filmes, aqui nos Estados Unidos e no Brasil”, incentivando jovens cineastas a utilizarem seus mecanismos para perpetuar memória e informação.
Essa foi a terceira vez que um filme brasileiro venceu a categoria de melhor filme em língua não inglesa. As anteriores foram “Orfeu Negro”, dirigido pelo francês Marcel Camus, em 1960, e “Central do Brasil”, de Walter Salles, em 1999.
Pouco depois, Wagner Moura fez história ao conquistar o prêmio de melhor ator em filme de drama, inédito para um brasileiro. Ano passado, Fernanda Torres foi a primeira brasileira a conquistar a premiação, na categoria feminina. Em seu discurso, falou sobre a natureza do filme, afirmando que a obra trata de “memória, a falta dela e um trauma geracional”. Moura também destacou que, se um trauma pode atravessar gerações, “os valores também podem”, dedicando o prêmio “para quem está seguindo seus valores em momentos difíceis”. Como de praxe, falou em português: “Viva o Brasil e a cultura brasileira”.
O brasileiro superou nomes como Joel Edgerton, Oscar Isaac, Dwayne Johnson, Michael B. Jordan e Jeremy Allen White. Moura já havia sido indicado ao Globo de Ouro em 2016, na categoria de melhor ator em série de drama por “Narcos”, mas não venceu na ocasião.
O longa também concorreu ao prêmio de melhor filme de drama, considerado o mais prestigioso da cerimônia, mas foi superado por “Hamnet”.
Imagem em destaque: @goldenglobes / Reprodução









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