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A Federação das Indústrias do Estado do Pará e a Confederação Nacional da Indústria reuniram lideranças políticas e institucionais em torno de uma agenda estratégica para o país. O encontro evidenciou a centralidade da Amazônia no debate sobre energia, mineração e infraestrutura, ao mesmo tempo em que expôs entraves históricos que ainda limitam o avanço desses setores. Parlamentares da Comissão de Minas e Energia da Câmara dos Deputados participaram do evento.

O presidente da Fiepa, Alex Carvalho, destacou que o Pará “vem se consolidando como uma potência e um exemplo de mineração sustentável”, defendendo o reconhecimento do estado como ativo estratégico nacional. Segundo ele, o protagonismo regional deve estar associado à capacidade de conciliar desenvolvimento econômico, responsabilidade ambiental e inclusão social, sem comprometer o futuro dos recursos naturais.

Ao mesmo tempo, apontou desafios estruturais que impactam diretamente a competitividade, como a lentidão no licenciamento, entraves regulatórios e a falta de infraestrutura. Carvalho também chamou atenção para o cenário internacional, com a escalada de conflitos no Oriente Médio em um momento de transição energética, e alertou para os riscos que o aumento do custo do gás pode trazer à descarbonização industrial, acentuando que energia, mineração e infraestrutura não são apenas pautas regionais, e sim temas estratégicos para o desenvolvimento nacional.

O deputado federal Joaquim Passarinho, presidente da Comissão de Minas e Energia, ressaltou o papel técnico e decisivo do colegiado na formulação de políticas públicas para setores essenciais da economia. Ao abordar a realidade amazônica, sintetizou os desafios na Amazônia, destacando limitações de infraestrutura e acesso a serviços básicos que ainda marcam o território.

Passarinho também apontou uma desconexão entre a formulação de políticas ambientais e o cotidiano da região, defendendo maior protagonismo local nas decisões. Para ele, é fundamental equilibrar preservação ambiental com desenvolvimento econômico, garantindo segurança jurídica e celeridade para projetos de petróleo, gás e mineração, considerados estratégicos para o país.

O diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo, Artur Watt, apresentou um posicionamento em relação ao avanço da exploração energética. Anunciou que já existem blocos concedidos no Pará aguardando evolução, e que a liberação de licenças, embora lenta, representa avanços importantes para o setor.

Watt salientou que a expansão deve ser estratégica, com base em estudos técnicos e capacidade de investimentos, evitando a ampliação indiscriminada de blocos. Ele também reforçou a necessidade de maior agilidade nas manifestações ambientais como fator essencial para destravar projetos e garantir o desenvolvimento do setor no Brasil.

O diretor-presidente da Norte Energia, Paulo Roberto, ampliou o debate ao enfatizar que a matriz energética brasileira já é majoritariamente limpa, com forte predominância de fontes hidrelétricas, complementadas por eólica e térmica. Nesse contexto, ressaltou que o país ocupa uma posição diferenciada no cenário global de transição energética, ao conseguir avançar na descarbonização sem abrir mão da segurança no fornecimento.

Também reforçou o papel do sistema interligado nacional na garantia de equilíbrio entre regiões, reduzindo a necessidade de acionamento de fontes mais poluentes e contribuindo para a diminuição das emissões de CO₂. “O Brasil já tem uma matriz energética limpa e isso nos coloca em vantagem na transição energética, porque conseguimos garantir segurança no fornecimento ao mesmo tempo em que reduzimos emissões e evitamos o uso de fontes mais poluentes”.

Ele frisou os impactos econômicos e socioambientais associados à geração de energia, sublinhando que os royalties beneficiam diretamente estados e municípios, como Altamira e Vitória do Xingu. Os investimentos no setor, na sua opinião, incluem iniciativas estruturantes nas áreas de saúde, saneamento e infraestrutura, além de programas contínuos voltados às comunidades locais, inclusive indígenas.

Também mencionou ações de inovação, como o uso de tecnologias limpas, a exemplo de embarcações movidas a energia solar, e parcerias com instituições como o BNDES e a Universidade Federal do Pará, reforçando o papel do setor elétrico no desenvolvimento regional aliado à agenda ambiental.

O posicionamento institucional da Fiepa é em defesa do setor de minas e energia como pilar estratégico para a evolução energética e o desenvolvimento do Pará, relevando a importância de políticas públicas que promovam segurança jurídica, competitividade e sustentabilidade, alinhadas às potencialidades da região.


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