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O Festival NoiteSuja, iniciativa dedicada à experimentação artística e às expressões Drag e dissidentes na Amazônia, inicia uma nova etapa de circulação pelo interior do Pará com a realização de uma residência artística em Soure, no arquipélago do Marajó. A programação marca o início da itinerância do evento em sua quarta edição e inclui um processo formativo voltado à criação de performances e à construção de personagens, com atividades programadas entre os dias 6 e 16 de abril.

As inscrições para participar da residência estão abertas até 31 de março. O projeto busca selecionar talentos locais interessados em aprofundar práticas ligadas à maquiagem artística, figurino e performance. Diferentemente de muitos editais culturais, a iniciativa permite a participação de artistas iniciantes. As pessoas selecionadas receberão bolsa-auxílio de R$ 1.000,00 durante o período de formação.

A residência será realizada na Escola Prof. Edda de Sousa Gonçalves, localizada no centro de Soure, com encontros distribuídos em duas etapas. Na primeira semana, as atividades serão realizadas de 6 a 10 de abril, de segunda a sexta-feira, das 16h às 20h. A segunda etapa acontece entre os dias 13 e 16 de abril, também das 16h às 20h.

O projeto é promovido pelo Coletivo NoiteSuja, grupo que atua na promoção de linguagens artísticas ligadas à cultura Drag e às expressões consideradas dissidentes dentro do cenário cultural amazônico. A proposta da residência combina formação técnica com experimentação criativa, estimulando o desenvolvimento de performances autorais.

Uma das fundadoras do coletivo, a artista e produtora Tristan Soledade (a primeira amazônida a participar da versão brasileira do programa RuPaul’s Drag Race) destaca que a iniciativa busca dialogar com referências culturais da própria região.

Segundo ela, “O nosso jeito de ser extravagante, com nossas máscaras, trançados e adereços de cultura popular, também é uma forma de ser Drag. Isso é único no mundo. Queremos pessoas inquietas, que já atuam no artesanato, na dança, na costura ou na maquiagem das festas populares, como o Rainha das Matas, para trocarem conhecimentos conosco.”

A residência também prevê medidas de acessibilidade para ampliar a participação do público interessado. Entre as iniciativas anunciadas está a presença de tradução em Língua Brasileira de Sinais (Libras) nas oficinas, garantindo condições de acesso a participantes com diferentes necessidades.

Além da formação artística, a proposta do festival inclui ações voltadas à economia criativa nas cidades que recebem a programação. A organização afirma que parte das atividades envolve a contratação de profissionais locais, entre eles produtores culturais, fotógrafos e artistas das próprias localidades visitadas.

Após o período de imersão formativa, o resultado do processo criativo será apresentado ao público em um espetáculo gratuito. Em Soure, a apresentação de encerramento está marcada para o dia 17 de abril, às 20h, no espaço cultural Quintal do Carimbó, localizado na Décima Rua, esquina com a Travessa 18.

O festival prevê ainda outras etapas de circulação no estado, com atividades programadas posteriormente nos municípios de Cametá e Bragança.

Interessados em participar da residência podem realizar a inscrição através do formulário online. Informações adicionais também são divulgadas nas redes sociais do coletivo.

Foto em destaque: Ascom Festival NoiteSuja

Gabriella Florenzano
Cantora, cineasta, comunicóloga, doutoranda em ciência e tecnologia das artes, professora, atleta amadora – não necessariamente nesta mesma ordem. Viaja pelo mundo e na maionese.

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